A Polícia Civil concluiu o inquérito policial que investigava a morte de Kemily Lorrana Cain, de 19 anos, ocorrida no dia 28 de março, em Matinhos.
Três homens foram indiciados pelos crimes de homicídio, tráfico de drogas, coação no curso do processo e vilipêndio de cadáver.
Segundo o delegado da PCPR, Ésio Alencar, as investigações apontaram que a vítima morreu em decorrência de um edema agudo de pulmão causado por choque cardiogênico. Conforme os laudos da Polícia Científica, foram identificadas em seu organismo as substâncias sintéticas MDMA e MDA, que atuaram como gatilho biodinâmico para o colapso cardiovascular fatal.
“Dois dos investigados transportaram e forneceram comprimidos de ecstasy ao grupo durante o trajeto entre São José dos Pinhais e Matinhos. Mesmo após a vítima apresentar grave alteração em seu estado de saúde, eles deixaram de levá-la para atendimento médico. Segundo a investigação, o socorro somente foi procurado quando a jovem já estava sem vida”, explicou o delegado.
Diante dos elementos reunidos, os dois homens foram indiciados por homicídio com dolo eventual e tráfico de drogas majorado pelo envolvimento de adolescente. Um deles também responderá por coação no curso do processo, em razão de ameaças contra testemunhas.
O terceiro investigado foi indiciado por vilipêndio de cadáver. Conforme apurado, ele se apresentou falsamente como socorrista e praticou atos libidinosos contra o corpo da vítima no interior do veículo.
Os três homens foram indiciados e respondem ao processo. O inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.
RELEMBRE O CASO
Kemily Lorrana Cain foi levada por um grupo de amigos para a emergência da UPA – Unidade de Pronto Atendimento, instalada no balneário Praia Grande.
De acordo com a equipe que estava de plantão na unidade de saúde, a jovem chegou morta no local.
Sem roupas íntimas, com o corpo molhado e cheio de areia, a jovem foi submetida ao protocolo de reanimação, mas não respondeu ao procedimento e o óbito foi declarado pela equipe médica.
Acionadas para atender a ocorrência, já que o grupo que acompanhava a vítima promovia tumulto na unidade de saúde, equipes da Guarda Civil Municipal abordaram dois rapazes, de 18 e 21 anos, respectivamente, uma jovem, de 18 anos, e uma adolescente, de 17 anos, moradores na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Os abordados relataram que conheceram Kemily pelas redes sociais e marcaram uma viagem até o litoral do estado.
Todos teriam se encontrado na cidade de Pinhais e durante o trajeto, ao parar em um posto de combustíveis, perceberam que Kemily saiu bastante alterada do banheiro.
Contida, o grupo seguiu viagem até a cidade de Matinhos.
Ao chegar na praia central, Kemily permaneceu no interior do automóvel VW Gol, com o rapaz, de 18 anos, e a adolescente. Os outros ocupantes do veículo desceram e foram até a faixa de areia.
Percebendo uma movimentação estranha no interior do carro, a jovem, de 18 anos, correu até o local onde ele estava estacionado e percebeu que Kemily estava com parte do rosto “arroxeado”.
De acordo com a jovem, ao visualizar o quartel do Corpo de Bombeiros nas proximidades, todos seguiram no veículo e tentaram acionar a guarnição. Sem êxito, pediram ajuda para um popular que passava pelo local.
O homem, de 29 anos, indicou o caminho mais rápido para a UPA – Unidade de Pronto Atendimento, no balneário Praia Grande.
POLÍCIA CIENTIFÍCA
O corpo de Kemily, que morava na cidade de Imbituva, na região Sudeste do estado, foi recolhido pela Polícia Científica e encaminhado para o necrotério do órgão estadual, em Paranaguá, onde passou por exames complementares.
IDENTIFICAÇÃO
A identificação da vítima só foi possível após uma ligação de familiares para o plantão da Delegacia Cidadã.
Até aquele momento, o corpo estava identificado com outro nome, já que o documento, apresentado na portaria da unidade de saúde, era de outra pessoa.
Com informações da assessoria de comunicação da PCPR
Foto: Redes Sociais
