Após receberem atendimento especializado, oito animais foram devolvidos à natureza pela equipe do PMP-BS/LEC-UFPR
Na manhã desta quarta-feira (16), um grupo com oito pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) retornou ao oceano após concluir o processo de reabilitação no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD), do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A soltura foi realizada no balneário de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná.
Os animais foram resgatados durante a temporada de inverno pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no litoral do Paraná pelo LEC-UFPR. Esta foi a segunda soltura em grupo de pinguins reabilitados pela equipe em 2026.
Para a bióloga e coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, Camila Domit, a soltura é o resultado do trabalho realizado por diferentes profissionais. “Esta segunda soltura reforça a continuidade do trabalho integrado, que envolve o trabalho da equipe em diferentes frentes. Nosso objetivo é devolver os animais ao oceano em boas condições para que ele possa manter seus comportamentos naturais em vida livre”, explica Camila.
Temporada de inverno
Os pinguins-de-Magalhães chegam anualmente ao litoral brasileiro entre os meses de maio e setembro durante sua migração em busca de alimento. A espécie se reproduz na Patagônia, na Argentina e no Chile, e percorre milhares de quilômetros pelo Atlântico Sul. Grande parte dos indivíduos que alcançam a costa brasileira é formada por juvenis que realizam sua primeira migração.
Ao longo desse percurso, alguns animais chegam debilitados às praias em razão do desgaste da viagem ou de impactos relacionados às atividades humanas, como a interação com redes de pesca, a ingestão de resíduos sólidos e outras ameaças presentes no ambiente marinho.
Entre 31 de maio, quando ocorreram os primeiros registros da temporada de 2026, e 15 de setembro, o PMP-BS registrou 768 pinguins-de-Magalhães encalhados no litoral do Paraná. Desse total, 715 foram encontrados mortos e 53 chegaram vivos às praias.
De acordo com a médica-veterinária Juliana Bresciani, do PMP-BS/LEC-UFPR, muitos dos animais resgatados apresentam um quadro conhecido como ‘síndrome do pinguim encalhado’. “Os pinguins normalmente chegam debilitados, com baixo escore corporal, desidratação e hipotermia, precisando de cuidados intensivos para que possam se recuperar e seguir sua migração. Durante os atendimentos, também identificamos casos de interação com atividades humanas, como marcas de emalhe em redes de pesca”, explica a veterinária.
Segunda soltura do ano
Como os pinguins são animais gregários, a soltura é realizada em grupo. Durante a migração, permanecer em agregações favorece a proteção contra predadores, facilita a busca por alimento e reduz os riscos enfrentados ao longo da jornada.
Antes de serem devolvidos ao oceano, os animais passam por avaliações clínicas e exames que permitem verificar se estão aptos para a soltura. Eles também recebem um microchip de identificação individual, que possibilita reconhecer cada pinguim caso seja encontrado novamente e contribui para estudos sobre sobrevivência, deslocamento e saúde das aves marinhas.
Ao encontrar um pinguim ou outro animal marinho vivo ou morto na praia, a orientação é manter distância e acionar imediatamente a equipe do PMP-BS/LEC-UFPR pelo telefone 0800 642 3341 ou 41 99213-8746.
SOBRE O PMP-BS
A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, a execução do projeto é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).
CRÉDITOS: LEC-UFPR
