sábado, novembro 7, 2026

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Filhote de lobo-marinho-subantártico retorna ao oceano após quase dois meses de reabilitação no Paraná

Animal resgatado em Matinhos passou por tratamento veterinário e estímulos de caça; após a soltura, será monitorado por satélite para acompanhar seus deslocamentos ao longo da costa.

Após quase dois meses de reabilitação, uma fêmea filhote de lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) retorna à natureza nesta sexta-feira (6) . A soltura será embarcada, próximo à Ilha das Peças, no litoral do Paraná. Além de marcar a conclusão do processo de recuperação do animal, a ação permitirá acompanhar seus deslocamentos após o retorno ao oceano por meio de um transmissor satelital. 

O animal encalhou no dia 8 de setembro, no Balneário Gaivotas, em Matinhos, e foi atendido pela equipe multidisciplinar do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), responsável pela execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no Paraná. Na avaliação inicial, a equipe veterinária identificou alterações nos sistemas respiratório e gastrointestinal, que exigiram tratamento e acompanhamento especializado.

Com aproximadamente quatro meses de vida, 86 centímetros de comprimento e oito quilos, no dia do resgate, a fêmea foi encaminhada ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD-UFPR), localizado no Centro de Estudos do Mar da UFPR, em Pontal do Paraná. O atendimento também representou um registro importante: foi o primeiro filhote de lobo-marinho-subantártico atendido pela equipe do PMP-BS/LEC-UFPR.

Após o período de tratamento, a equipe veterinária confirmou a evolução clínica favorável, com a normalização dos parâmetros avaliados. Com base nas avaliações realizadas, o animal foi considerado apto para a soltura.

Preparação para a vida livre

Além dos cuidados clínicos, o processo de reabilitação incluiu estímulos de caça, com o objetivo de retomar comportamentos essenciais à sobrevivência em ambiente de vida livre. A preparação física e comportamental é indispensável para que o animal tenha condições de voltar à vida livre.

Para o médico-veterinário e responsável técnico do PMP-BS/LEC-UFPR, Fabio Henrique de Lima, a soltura representa a oportunidade de ampliar o conhecimento sobre a espécie. “A reabilitação exige acompanhamento contínuo, com avaliações clínicas e comportamentais diariamente. Nosso objetivo é cuidar para que esse animal retorne à natureza nas melhores condições para viver em vida livre. Poderemos acompanhar o deslocamento deste animal através de um transmissor satelital, que registra a distância percorrida e outras informações importantes sobre o comportamento do animal, que contribuirão para estudos sobre a espécie”, explica Fabio. 

Transmissor satelital

Como parte das ações de pesquisa, o filhote recebeu um transmissor satelital de aproximadamente 140 gramas, com dimensões de 8,3 x 5 centímetros. Desenvolvido para o monitoramento de animais marinhos, o equipamento é fixado à pelagem por meio de adesivo e foi projetado para não interferir na mobilidade nem no comportamento natural do animal. Após determinado período, o dispositivo se desprende naturalmente.

O monitoramento permitirá acompanhar parte da trajetória do filhote após o retorno ao oceano, gerando informações sobre seus deslocamentos ao longo da costa. Os dados poderão contribuir para ampliar o conhecimento sobre a movimentação da espécie na costa brasileira e sobre o retorno ao ambiente natural após o processo de reabilitação.

Segundo a bióloga e professora Camila Domit, coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, o acompanhamento por satélite representa uma oportunidade de reunir informações sobre uma etapa ainda pouco conhecida da vida desses animais. A tecnologia permite observar os deslocamentos de indivíduos após a soltura e ampliar as informações para pesquisas sobre a ecologia e a conservação dos pinípedes, grupo de mamíferos marinhos que inclui lobos-marinhos, leões-marinhos e elefantes-marinhos.

Esta é a primeira vez que a equipe do LEC-UFPR utiliza um transmissor satelital em um filhote de lobo-marinho-subantártico. Ao longo de 2026, a equipe também realizou procedimentos de monitoramento por satélite em outros pinípedes, incluindo um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) e um indivíduo juvenil de lobo-marinho-do-sul (Arctocephalus australis).

A associação entre reabilitação, soltura e monitoramento permite dar continuidade ao acompanhamento científico após o atendimento veterinário, contribuindo para a produção de conhecimento sobre a fauna marinha e para o desenvolvimento de estratégias de conservação.

Ocorrências de 2026

Entre janeiro e outubro de 2026, a equipe do PMP-BS/LEC-UFPR registrou 23 ocorrências de pinípedes no litoral do Paraná: oito lobos-marinhos-subantárticos, sete lobos-marinhos-do-sul, um elefante-marinho-do-sul e sete indivíduos cuja espécie não pôde ser identificada devido ao avançado estágio de decomposição dos animais. No mesmo período de 2025, foram registrados sete indivíduos: três lobos-marinhos-subantárticos, três lobos-marinhos-do-sul e um filhote de elefante-marinho-do-sul. A comparação evidencia um aumento de mais de três vezes no número de registros entre os dois períodos. De acordo com Camila, fenômenos climáticos podem estar relacionados a variações na ocorrência de algumas espécies, mas essa relação exige análises mais aprofundadas. “Em anos de intenso El Niño, como o que estamos vivendo, têm sido registrados aumentos nos encalhes de algumas espécies. No entanto, esse padrão ainda vem sendo analisado, visto que múltiplos parâmetros naturais e de causa humana precisam ser integrados para compreendermos as relações de causa e consequência”, explica Camila.

Orientações à população

A presença de lobos-marinhos e outros pinípedes nas praias nem sempre indica que o animal esteja doente. Esses mamíferos marinhos podem utilizar a faixa de areia para descansar durante seus deslocamentos. Por isso, qualquer avaliação deve ser realizada por uma equipe especializada.

Ao encontrar um animal marinho na praia, a orientação é manter distância, afastar animais domésticos e não tocar, alimentar ou tentar devolver o animal ao mar. A aproximação pode causar estresse e interferir no comportamento do indivíduo.

No litoral do Paraná, ocorrências de animais marinhos podem ser feitas pelos podem ser feitas pelos números de telefone: 0800 642 3341 ou 41 99213-8746.

Sobre o PMP-BS

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, a execução é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).

CRÉDITOS: LEC-UFPR

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