terça-feira, agosto 11, 2026

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Grupo de pinguins-de-Magalhães reabilitados retorna ao oceano no Paraná

Após cuidados intensivos, nove animais voltarão ao mar durante ação de soltura educativa PMP-BS/LEC-UFPR no litoral paranaense

Nesta terça-feira (11), um grupo de nove pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) voltarão ao oceano após concluir o processo de reabilitação no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD), do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os animais foram resgatados durante a atual temporada de inverno pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no litoral do Paraná pelo LEC/UFPR.

A soltura representa a conclusão de um trabalho que começou no final de maio, quando os primeiros pinguins da temporada 2026 foram registrados na Ilha de Superagui, em Guaraqueçaba. A equipe do PMP-BS/LEC-UFPR monitora diariamente as praias paranaenses para registrar a ocorrência de animais marinhos e prestar atendimento especializado aos indivíduos encontrados com vida ao longo da costa.

Para Liana Rosa, bióloga e gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, o momento da soltura representa o resultado de semanas de dedicação da equipe e reforça a importância de aproximar a sociedade da conservação marinha. “Nosso objetivo é retornar esses animais ao oceano com as melhores condições de sobrevivência. Além disso, abrir esse momento para a comunidade é uma forma de aproximar as pessoas da ciência, sensibilizá-las sobre a conservação da fauna marinha e mostrar como esse trabalho integrado gera benefícios para toda a sociedade”, explica.

Temporada de inverno: cenário dos encalhes

Os pinguins-de-Magalhães chegam anualmente ao litoral brasileiro entre os meses de maio e setembro, durante sua migração em busca de alimento. A espécie se reproduz na Patagônia, na Argentina e no Chile, e percorre milhares de quilômetros pelo Atlântico Sul. Grande parte dos indivíduos que alcançam a costa brasileira são juvenis, realizando sua primeira migração.

Ao longo desse percurso, muitos animais chegam debilitados às praias, seja pelo desgaste natural da viagem ou pelos impactos relacionados às atividades humanas, como a interação com redes de pesca, ingestão de resíduos sólidos e outras ameaças presentes no ambiente marinho.

De 31 de maio, quando ocorreram os primeiros registros da temporada, até 31 de julho, o PMP-BS registrou 198 pinguins-de-Magalhães encalhados no litoral do Paraná. Desse total, 165 foram encontrados mortos e 33 chegaram vivos às praias, sendo resgatados e encaminhados para atendimento especializado no CReD.

De acordo com a médica-veterinária Juliana Bresciani, do PMP-BS/LEC-UFPR, a maioria dos animais resgatados apresenta um quadro conhecido como “síndrome do pinguim encalhado”. “Os pinguins normalmente chegam debilitados, com baixo escore corporal, desidratação, hipotermia e necessitando de cuidados intensivos para seguir com a migração. Além disso, durante os atendimentos também identificamos casos relacionados à interação com atividades humanas, como marcas de emalhe em redes de pesca”, explica a veterinária.

O primeiro atendimento realizado ainda na praia é essencial para aumentar as chances de sobrevivência desses animais. Segundo Evanise da Silva Nunes, monitora de campo do PMP-BS/LEC-UFPR na Ilha do Superagui, a agilidade no resgate faz a diferença para a reabilitação. “Durante o monitoramento, encontramos pinguins debilitados e é parte nosso trabalho realizarmos uma avaliação externa rápida da condição do animal, repassar para os veterinários as informações colhidas e, seguindo às orientações deles, realizar os primeiros cuidados para encaminhá-lo ao CReD o mais rápido possível. Participar da etapa da soltura e ver esse mesmo animal retornando ao oceano é a confirmação de que todo o empenho e dedicação dedicadas ao atendimento valeram a pena”, diz Evanise.

Soltura

Como os pinguins são animais gregários, a soltura é realizada em grupos, aumentando as chances de sucesso no retorno à natureza. Durante a migração, viver em agregações favorece a proteção contra predadores, facilita a busca por alimento e reduz os riscos enfrentados ao longo da jornada.

Para a bióloga e professora Camila Domit, coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, a soltura vai além do retorno dos animais ao oceano. “A soltura representa o resultado de um trabalho integrado que conta com muitos profissionais e colaboradores. Ela é a resultante de processos de monitoramento, atendimento, reabilitação, pesquisa, gestão ambiental e o esforço de uma equipe multidisciplinar comprometida com a conservação da biodiversidade marinha. Também é um momento de aproximar a sociedade da ciência e mostrar como esse trabalho gera conhecimento para compreender as ameaças que afetam essas espécies e orientar ações de gestão territorial e conservação”, completa Camila.

SOBRE O PMP-BS

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, a execução do projeto é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).

Créditos: LEC-UFPR

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