Por Aressa Henrique
A gestação e o puerpério são fases de intensas transformações no corpo da mulher, exigindo adaptações físicas e emocionais. Em meio a essas mudanças, a busca por métodos não invasivos e complementares para aliviar desconfortos e auxiliar na recuperação tem levado ao crescente uso da bandagem elástica terapêutica, mais conhecida como taping ou Kinesio Taping.
Este recurso, popularizado inicialmente no meio esportivo, demonstrou ser um grande aliado da saúde da mulher durante e após a gravidez, oferecendo suporte, alívio da dor e estímulo circulatório sem restringir os movimentos.
História e Criação da Bandagem Elástica.
A técnica de aplicação da bandagem elástica, mais famosa como Kinesio Taping, foi desenvolvida no Japão, por volta dos anos 1970, pelo quiropraxista Dr. Kenzo Kase. Sua motivação era criar um método que fornecesse suporte muscular e articular sem as restrições de movimento impostas pelas bandagens rígidas tradicionais. O Dr. Kase desenvolveu uma fita feita de algodão com cola adesiva hipoalergênica (sem látex) e, crucialmente, com uma elasticidade que se assemelha à da pele humana (podendo ser esticada em até 120-140% de seu comprimento original).A fita, quando aplicada com tensões específicas e em padrões variados, levanta microscopicamente a camada superior da pele. Esse efeito de “levantamento” cria um espaço subdermal que:

Alivia a Pressão: Reduz a pressão sobre os receptores de dor (nociceptores) na pele e tecidos abaixo.Melhora a Circulação: Facilita o fluxo sanguíneo e, principalmente, a drenagem linfática na área aplicada, ajudando a remover resíduos metabólicos e inchaço (edema). Suporte e Propriocepção: Estimula os mecanorreceptores da pele, promovendo uma maior consciência corporal (propriocepção) e fornecendo um suporte leve e constante à função muscular e articular, sem imobilizá-las.
A técnica ganhou visibilidade internacional quando atletas de elite a utilizaram em competições, como as Olimpíadas. Hoje, a bandagem elástica é amplamente utilizada em diversas áreas da fisioterapia, como ortopedia, neurologia, e, de forma cada vez mais consolidada, na Fisioterapia Pélvica e Obstétrica. A aplicação deve ser sempre realizada por um profissional de saúde qualificado (fisioterapeuta ou outro especialista treinado) para garantir a técnica, a tensão e o direcionamento corretos.

Na gestação é um período em que o corpo sofre alterações biomecânicas significativas. O aumento de peso, a mudança no centro de gravidade e as alterações hormonais (como o aumento da relaxina, que amolece ligamentos e articulações) podem gerar diversos desconfortos. O taping surge como uma intervenção segura e não farmacológica para gerenciar esses sintomas:
Dor Lombar e Sacroilíaca: Com o crescimento da barriga e a mudança de postura (acentuação da lordose lombar), a tensão na região lombar e pélvica é comum. O taping aplicado nessa área pode atuar como um suporte mecânico e uma “segunda pele”, aliviando a pressão sobre a musculatura e os ligamentos sobrecarregados, sem a necessidade de cintas compressivas que podem ser desconfortáveis.

A aplicação em formato de “rede” ou “cesto” sob a barriga oferece suporte gentil ao abdômen em crescimento, reduzindo a sensação de peso e aliviando a sobrecarga nos músculos do core e da região lombar.
Redução de Edemas (Inchaço).
Inchaços nos pés, tornozelos e pernas são frequentes devido à compressão dos vasos sanguíneos pelo útero e ao aumento do volume de líquidos corporais. O taping pode ser aplicado com uma técnica específica (taping linfático) que eleva a pele, abrindo espaço para o fluxo da linfa e estimulando a drenagem do líquido acumulado, combatendo o edema de forma eficiente. O relaxamento ligamentar pode levar a uma sensação de instabilidade nas articulações, especialmente na pelve.
O taping ajuda a fornecer um suporte proprioceptivo para as articulações pélvicas (como a sínfise púbica e as articulações sacroilíacas), contribuindo para a estabilidade e dando à gestante mais confiança para realizar suas atividades diárias.
Melhora da Postura: A fita atua como um lembrete constante para o corpo, ajudando a mulher a manter uma postura mais alinhada e a evitar compensações que geram dor.
A recuperação pós-parto apresenta novos desafios, como a fraqueza abdominal, a diástase dos retos abdominais e, em casos de cesariana, o manejo da cicatriz. O taping continua sendo um recurso valioso para auxiliar na reabilitação.
Suporte e Recuperação Abdominal (Diástase)
A diástase dos retos abdominais (separação dos músculos abdominais) é uma ocorrência comum. O taping é aplicado para aproximar suavemente a musculatura e a linha alba, fornecendo um suporte externo que melhora a função e a estabilidade do tronco. Essa aplicação é um complemento importante à cinesioterapia e aos exercícios de reabilitação abdominal, ajudando a facilitar a contração muscular. Muitas mães relatam uma sensação de “órgãos soltos” ou fraqueza extrema no abdômen logo após o parto. O taping confere um suporte delicado, que diminui essa sensação de insegurança e melhora o conforto geral.
O taping também é aplicado diretamente Cicatrização Pós-Cesariana na área da incisão de cesariana, após a liberação médica e com a cicatrização inicial da ferida. Seu efeito de elevação da pele ajuda a melhora a circulação sanguínea e linfática, o que é essencial para um bom processo de cicatrização, prevenir fibrose, prevenindo o acúmulo excessivo de tecido cicatricial, minimizando o risco de cicatrizes hipertróficas (elevadas) e aderências. E assim como na gestação, o taping pode ser usado para drenar o excesso de líquido retido nos membros inferiores ou em outras áreas do corpo devido à redistribuição de volume após o parto. Na dor lombar e pélvica, o taping vem sendo útil para aliviar dores que persistem ou surgem devido à nova demanda postural, como carregar o bebê e amamentar.
Também utilizado no ingurgitamento (Empedramento do Leite), utilizando em casos de seios muito cheios e doloridos (apojadura ou ingurgitamento), o taping pode ser aplicado nas mamas com técnica linfática, ajudando a reduzir o inchaço e a dor, facilitando o escoamento do leite.
Observação: embora o taping seja um recurso de baixo risco, ele não deve ser aplicado por leigos. A eficácia e a segurança da técnica dependem diretamente do conhecimento técnico sobre anatomia, fisiologia e os princípios específicos de tensão e direção da bandagem.
- Indicação profissional:
- Consulte sempre um Fisioterapeuta Pélvico e Obstétrico ou outro profissional de saúde especializado na aplicação do taping em gestantes e puérperas. A pele deve estar limpa, seca e livre de óleos ou loções para garantir a adesão. O taping não deve ser aplicado em pele lesada, com feridas abertas, dermatites, infecções ativas ou em caso de alergia conhecida ao material da fita ou ao adesivo.
Em resumo, a bandagem elástica terapêutica evoluiu de uma técnica esportiva para uma ferramenta valiosa e humanizada na assistência à gestante e à puérpera. Oferecendo suporte eficaz e alívio de dor, ela contribui para que as mães possam vivenciar essas fases de intensas transformações com mais conforto, mobilidade e qualidade de vida.

Sobre a autora
Aressa Henrique é consultora especializada em amamentação, com 15 anos de experiência na área materno-infantil. Pós-graduada em Aleitamento Materno e com abordagem humanizada, oferece atendimentos personalizados voltados à amamentação, desmame, laserterapia, taping e furinho humanizado. Já acompanhou mais de mil famílias em suas jornadas, transformando desafios em experiências de amor e confiança.
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