Nem toda maternidade nasce do sangue. Algumas começam no gesto silencioso de abrir a porta de casa para quem mais precisa de proteção. Em Paranaguá, o Programa Família Acolhedora, desenvolvido pela prefeitura, vem construindo histórias marcadas por cuidado, acolhimento e recomeços para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, o serviço é previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na política pública de assistência social. A proposta oferece uma alternativa ao acolhimento institucional, permitindo que crianças afastadas judicialmente de suas famílias de origem possam viver temporariamente em lares preparados para recebê-las.
A assistente social e coordenadora do serviço, Valéria da Silva Gomes, explica que as famílias interessadas passam por um rigoroso processo de capacitação, entrevistas, análise documental e acompanhamento técnico antes de integrarem o programa.
“Um processo de capacitação e seleção para acolher crianças e adolescentes que necessitam de medida protetiva”, afirmou a assistente social.
Segundo ela, o diferencial do programa está justamente no vínculo comunitário e no acolhimento humanizado proporcionado pelas famílias cadastradas no município.
“No acolhimento familiar, são famílias da própria comunidade que recebem essas crianças temporariamente. Existe todo um acompanhamento técnico, visitas domiciliares, contato com a rede de saúde e assistência social. É um trabalho feito com responsabilidade, segurança e muito compromisso”, destacou.
Além do acolhimento, a Prefeitura de Paranaguá também tem investido em ações de valorização das famílias participantes do programa. No dia 21 de maio, o “A de Acolher” reuniu mães acolhedoras em um encontro marcado por emoção, reconhecimento e gratidão, em homenagem ao Dia Mundial do Acolhimento Familiar e ao Mês das Mães.
Antes da confraternização, as participantes acompanharam um vídeo especial com depoimentos e homenagens das crianças acolhidas, que expressaram, de forma simples e sincera, todo o carinho recebido dentro dos lares temporários. O encontro também contou com sorteio de brindes e um café da tarde preparado especialmente para celebrar mulheres que transformam afeto em proteção e cuidado.
“Esse é um momento de homenagearmos aquelas mulheres que doam um pouco de si, do seu amor, e aceitaram esse compromisso em acolher uma criança”, disse Valéria.
Entre essas histórias está a da comerciante Viviane Cardoso, mãe de dois filhos e participante do programa. Ela acolheu uma das crianças acompanhadas pelo serviço e descreve a experiência como um ato de amor consciente.
“Ser mãe acolhedora, ao mesmo tempo que é um desafio, é uma escolha. A gente aprende a amar sabendo que, em algum momento, aquela criança pode seguir outro caminho. Mas vale muito a pena. É gratificante ver uma criança convivendo com a família, aprendendo a amar, te abraçando, te chamando de mãe”, relatou.
Viviane conta que o vínculo criado permanece mesmo após o encerramento do acolhimento. “A gente se apega muito. É um amor muito grande. Mas eu entendo que ele precisa seguir para que outras crianças também possam ser ajudadas. Pretendo acolher novamente”, afirmou.
O Programa Família Acolhedora reforça o compromisso da Prefeitura de Paranaguá e da gestão do prefeito Adriano Ramos com a proteção da infância, a dignidade humana e o fortalecimento das políticas públicas de assistência social.
Mais do que oferecer abrigo temporário, a iniciativa garante às crianças a oportunidade de crescer em um ambiente de cuidado, afeto e segurança enquanto aguardam a reconstrução dos vínculos familiares ou encaminhamento definitivo.
Prefeitura de Paranaguá
