O Paraná se tornou o primeiro estado brasileiro a oferecer gratuitamente, por meio da rede pública de saúde, um medicamento à base de canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC) para o tratamento de esclerose múltipla. A partir de setembro de 2023, pacientes com a doença autoimune, que afeta o sistema nervoso central e provoca espasticidade — caracterizada por rigidez muscular e dificuldade de movimentação — podem solicitar o medicamento Mevatyl nas unidades de saúde do estado.
O remédio, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em julho de 2022, foi o primeiro à base de Cannabis sativa liberado para uso no Brasil. Sua combinação de THC e CBD tem mostrado resultados positivos na redução da espasticidade, oferecendo alívio e melhoria na qualidade de vida dos pacientes. O neurologista Leonardo Valente de Camargo, especialista no tratamento da esclerose múltipla, ressalta que os benefícios vão além da redução dos espasmos musculares: “A medicação tem proporcionado mais conforto e autonomia, permitindo que os pacientes voltem a realizar atividades diárias com menos limitações.”
A distribuição do medicamento será feita pelas 22 Regionais de Saúde do estado e seguirá critérios estabelecidos pelo governo, que incluem avaliação médica e a apresentação de documentação comprobatória da doença. Além disso, os pacientes deverão seguir protocolos rígidos para assegurar o uso adequado do Mevatyl, garantindo a eficácia do tratamento.
A decisão do Paraná de incorporar esse medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS) marca um passo importante na inclusão de terapias inovadoras para doenças crônicas. Até então, o tratamento à base de Cannabis era restrito a iniciativas privadas e representava um alto custo para os pacientes. Com a gratuidade, o estado se posiciona na vanguarda do acesso à saúde no Brasil, oferecendo esperança a milhares de pessoas que enfrentam os desafios impostos pela esclerose múltipla.
João, um dos beneficiados pela medida, compartilha seu alívio: “Eu já tinha tentado várias terapias, mas o custo sempre foi uma barreira. Saber que agora posso contar com esse tratamento pelo SUS é um grande alívio para mim e minha família”.
Redação
