Este texto tem por intuito trazer dados oficiais e promover uma reflexão sobre a existência do outro lado da moeda acerca da Violência doméstica, além de alertar para as consequências nocivas nos filhos que participam do contexto violento dos pais.
Segundo o site Correio Brasiliense, “Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (4/3), mostrou que, em 2019, 30,4% dos homicídios contra mulheres ocorreram dentro de casa, a proporção para os homens foi de 11,2%.”
Essa porcentagem aparenta que o número de mulheres assassinadas é maior do que o de homens, pois 30,4 é maior do que 11,2, mas será?
Vejamos, de acordo com os dados mais recentes do Portal Atlas da Violência, gerido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com a colaboração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2019 morreram 41.692 homens e 3.737 mulheres. Em conformidade com os números totais de homicídios, 30,4% de 3.737 (mulheres) resulta em 1.136 mulheres que morreram; 11,2% de 41.692 (homens) resulta em 4.669 homens que morreram vítimas de violência doméstica.
Assim, o número de homens vítimas de morte em casa é maior do que o número de mulheres.
Vale esclarecer que esses dados dizem respeito a morte, porém, existem outros aspectos da violência não fatal, como psicológica e sexual. Creio que estes dados sejam de mais difícil acesso, pois são mais ocultos, sobretudo, em relação aos homens, pois nem sempre chegam a ser notificados, seja por vergonha ou medo de serem ridicularizados. Segundo o Dr. Yves Zamataro, o preconceito instalado no país faz com que a violência doméstica contra homens seja pouco debatido.
Para não me alongar, diante dos dados em questão, é possivel observar que a violência não é de autoria apenas dos homens. Citada pela psicóloga e Mestre Simone Alvim, Erin Pizzey (trabalhadora social inglesa), sempre afirmou: homens e mulheres se agridem na mesma proporção.
Diante dos fatos, acima relatados, o fator mais negativo e prejudicial de todo este contexto violento é que, sendo praticado diante do filhos, perpetua a violência e afeta consideravelmente a vida psicológica e emocional dos filhos. Conforme estudos da epigenética, a permanência num ambiente estressante provoca um processo de metilação do DNA, gerando mais propensão a depressão e ao suicídio. Desta forma, os filhos submetidos a violência familiar têm sua saúde psíquica comprometida.
Fonte:
https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/filtros-series/1/homicidios
https://agencia.fapesp.br/pioneiro-da-epigenetica-fala-sobre-relacao-entre-ambiente-e-genoma/16965/
Carlos Colect
Psicanalista/ Filósofo
