A entrevista de hoje é com Rosiane Rosa Borges, 43 anos e natural de Ivaiporã / PR. Conhecida como Nega, ela conta que abriu mão, momentaneamente, de trabalhar como Técnica de Enfermagem para se dedicar integralmente ao trabalho de vereadora e que começou sua carreira política como muitas mulheres: pela necessidade da presença feminina nos partidos políticos.
Inicialmente, também como muitas mulheres, rejeitou a ideia de um cargo político. Após a primeira campanha, que rendeu 139 votos e poucas visitas durante o período eleitoral, Nega passou a acreditar que poderia fazer diferença na política.
E lá se vão dois mandatos, muitas conquistas como vereadora e agora segue com um novo desafio: o de ser a primeira mulher a presidir a Câmara Municipal de Pontal do Paraná. Confira a entrevista na íntegra e conheça um pouco mais sobre uma mulher forte e determinada em fazer a diferença.
Qual o motivo que a levou entrar para a política?
No início me candidatei pelo mesmo motivo que a maioria das mulheres: falta da presença feminina nos partidos políticos. Na primeira eleição praticamente não me envolvi, fiz apenas 139 votos. Mas todo aquele processo acaba deixando uma interrogação, um desafio na cabeça. Eu trabalhava na área da saúde, como Técnica de Enfermagem aqui no município, e sempre tínhamos muitas demandas que encaminhávamos para os políticos que acabavam sem retorno. Na segunda eleição decidi me candidatar, fiz campanha e fui eleita, na época pelo PRTB, com o maior número de votos. Me apaixonei pela política, sou a vereadora que mais tem projetos na casa e hoje estudo para me aperfeiçoar cada vez mais.

Como é assumir a Presidência da Câmara no seu segundo mandato, em um universo político ainda pouco explorado pelas mulheres?
Durante o meu mandato de vereadora, eu abri mão de trabalhar na saúde para me dedicar exclusivamente ao trabalho de vereadora. Eu nunca havia pensado em assumir a Casa, nem de longe tinha essa pretensão. Agora acabei achando que era o momento e aceitei o desafio. Enquanto vereadora você vai pra rua, falar com o povo, entender a demanda, apresentar projetos. Na presidência, além dessa função temos que cuidar da Casa. Hoje somos seis vereadores reeleitos e o restante novos, que estão sendo bem parceiros. Nos primeiros meses procuramos dar estrutura para os vereadores, compramos os equipamentos que sempre prometeram e nunca cumpriram. Nesse período confesso que estou percebendo o peso que o cargo tem, a responsabilidade, a pressão.
Esse meio ainda tem raízes machistas?
Tem. Passamos a ser o foco não somente por ser presidente da casa, mas também por ser mulher. Confesso que tem sido pra mim uma experiência única.
Política em tempos de pandemia: o que mudou?
Complicou muito o nosso trabalho, porque tem sido um período em que as pessoas estão precisando e ao mesmo tempo ficou difícil fazer o verdadeiro trabalho de vereador, que é o corpo a corpo. Temos trabalhado muito por WhatsApp, recebendo ligações. Dificultou também as sessões presenciais da Câmara, que são importantes para que a população tenha voz, traga as demandas e veja o que estamos fazendo.
Dizem que a “política muda o ser humano”. O que mudou na Nega depois que entrou para a política?
Eu continuo sendo a mesma pessoa, mas mudei algumas atitudes, em especial o meu temperamento explosivo. Meu mandato anterior como vereadora e agora como presidente me mostraram que tem coisas, por exemplo, que eu preciso conduzir de maneira diferente para conseguir dar continuidade. Temos uma equipe técnica boa, que nos auxilia. É difícil, porque além de ser vereadora eu tenho um grupo para cuidar, tenho responsabilidades grandes e qualquer erro o meu “CPF” já era.
Quais são os seus principais projetos aprovados pela Câmara e que beneficiam os pontalenses?
Um dos projetos que tenho orgulho foi também o primeiro a ser aprovado, que foi o fim do voto secreto na Câmara Municipal; e agora recentemente aprovado foi o reconhecimento das atividades físicas como essenciais no município de Pontal do Paraná. É a garantia do funcionamento dos estabelecimentos que fornecem a atividade, mesmo em situações de pandemia ou calamidade pública. É também de minha autoria a Lei que determina a instalação de brinquedos adaptados nos parques infantis de Pontal do Paraná, oferecendo acessibilidade a comunidade.

O auxílio transporte para jovens estudantes se deslocarem de Pontal do Paraná a Matinhos, Paranaguá ou Guaratuba foi o projeto que mais me marcou ao ser aprovado. Ele auxilia os jovens a cursarem ensino superior ou curso técnico não ofertados em Pontal do Paraná. Tiveram outros como o projeto do autista, a licença maternidade de 6 meses, biombos nos bancos, a liberação de recursos para compra de câmeras GoPro para a Guarda Municipal, e o de autoria junto com a vereadora Elinete, que autoriza a criação do Programa Remédio em Casa.
Futuro: o que a mulher, vereadora e Presidente da Câmara espera para Pontal do Paraná nos próximos anos?
Até agora algo que sempre quis está se concretizando, que é o trabalho conjunto do Legislativo e Executivo. Penso que daqui para frente temos que continuar fazendo o nosso papel, criando projetos, nossa equipe é bem diversificada e ajuda muito em ideias, e assim vamos fazendo a nossa parte, ajudando o prefeito a desenvolver a cidade. Se tudo o que está planejado sair vamos ter uma cidade maravilhosa, eu acredito no Rudão e vejo que ele veio para fazer a diferença.
*Carla Nagibe
