19 unidades do Meu Campinho geram entretenimento em Maringá

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Geraldo Bubniak
Meu Campinho em Maringa. O espaço tem um campo de futebol de grama sintética, playground com piso emborrachado e com iluminação, bicicletários, bebedouro, mesas de jogos, floreiras e lixeiras - 04/08/2020 - Foto: Geraldo Bubniak/AEN

A cidade de Maringá, no Noroeste do Paraná, já conta com 19 unidades do projeto Meu Campinho, criado pelo Governo do Estado e executado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e de Obras Públicas. Eles ocupam áreas de cerca de 1,5 mil metros quadrados e contam com campo de futebol em grama sintética, playground com piso emborrachado, iluminação em LED, bicicletário, floreiras, bancos de repouso e lixeiras.

Os campos de futebol têm grama sintética, alambrado, rede de cobertura em polietileno, estacas em concreto armado e traves com redes. Podem ser usados gratuitamente pela comunidade nos dias úteis e aos finais de semana. A especificidade em Maringá é o Parque de Cordas instalado nas unidades. Ele é uma espécie de pirâmide com cabos entrelaçados e permite escaladas das crianças entre 5 a 12 anos, o que ajuda, inclusive, no desenvolvimento das noções de equilíbrio dos usuários.

O investimento foi liberado por meio do Sistema de Financiamento aos Municípios (SFM), linha de crédito operacionalizada pelo Paranacidade e Fomento Paraná. Eles custaram, em média, entre R$ 470 mil e R$ 500 mil (cada), e foram construídos entre 2019 e 2020 – os últimos foram finalizados em fevereiro. Esses espaços estão inseridos no contexto do Objetivo 11 de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU): tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

“Esse tipo de estrutura esportiva é fundamental para o desenvolvimento das nossas crianças. Com esses espaços elas ficam menos tempo nas ruas ou na frente do computador, passam a praticar esportes e ter uma vida mais saudável. O Meu Campinho também é um ponto de encontro das famílias”, destaca o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

“Trouxemos esse projeto da Alemanha, país que implementou diversos campinhos para incentivar a ocupação dos espaços urbanos e o esporte. As crianças paranaenses estão jogando em campos de padrão europeu. Esse projeto não distingue classe econômica e social. É um espaço aberto de diversão e aprendizado”, acrescenta.

Segundo João Carlos Ortega, secretário de Desenvolvimento Urbano e de Obras Públicas, essas unidades esportivas ajudam as cidades a se tornarem um pouco mais vibrantes. “É um projeto que ajuda a externalizar o ambiente familiar, integra mães, pais, filhos, vizinhos, moradores de outros bairros. Instalamos essas estruturas similares em Maringá para deixar um legado para a população”, destaca.

Segundo ele, usando uma parábola esportiva, o objetivo primordial é “escantear” o celular e a rotina pesada. “São espaços para atividades do contraturno escolar, para projetos sociais, para aproveitamento dos espaços urbanos. Há inúmeras possibilidades e todas elas partem de uma estrutura adequada para as pessoas”, afirma Ortega.

José Edmir Miro Gaspar Falkemback, representante do Paranacidade em Maringá, explica que a aproximação entre Estado e prefeitura começou em 2019. “As unidades foram instaladas em locais estratégicos no município. São 17 formando um cinturão nos bairros da cidade e mais dois nos distritos de Iguatemi e Floriano, mais afastados do centro. Estão em uso há algum tempo e a resposta que temos da sociedade é a melhor possível. Eles se transformaram em ponto de encontro da população para prática esportiva”, completa. “Proporcionamos acesso universal a espaços públicos seguros e verdes”.

INCLUSÃO E SEGURANÇA – O Meu Campinho do Jardim Tabaetê mexeu com o dia a dia de Francisco Fernandes de Moura, aposentado de 80 anos. Uma das suas missões durante a obra, que durou de três a quatro meses, foi emprestar a própria garagem para guardar as ferramentas dos pedreiros. Ele mora há três anos na casa de esquina que fica exatamente na frente da estrutura.

Francisco conta que a transformação do espaço ajudou a sanar o aspecto de abandono do local. Antes havia apenas mato fechado perto do Córrego Moscados, agora o ambiente conta, inclusive, com uma cerca de separação. “A criançada brinca bastante nesse espaço, e tem que deixar brincar. Eles ocupam o campinho mais no fim da tarde e principalmente aos finais de semana. Ficou bom, ficou bem bonito”, diz o morador.

Rui Andrade, 52, também vizinho do Jardim Tabaetê, comemora o Meu Campinho na localidade. “Melhorou muito o bairro. Era um fundo de vale abandonado e nunca ninguém fez nada com esse espaço. A meninada não tinha nada para diversão aqui. Hoje em dia é usado pelo pessoal do bairro e dos bairros vizinhos, usam todo dia, tem treinamento, escolinha de futebol, gincanas”, afirma. “Todo final de semana é bem usado. Minha mãe mora há 40 anos aqui e sempre foi um ponto perdido, conheço bem o local. Agora tem parque, aparelhos para exercício, banco para se sentar e conversar”.

O professor de Educação Física Charles Zeniel, 31, afirma que o Meu Campinho é fundamental para estimular a prática esportiva e a responsabilidade social com a coisa pública entre as crianças. “Temos interação social entre as crianças, adolescentes e adultos. Ainda mais que a criançada quer ficar muito no computador hoje em dia, os índices de obesidade são maiores que antigamente. Sem falar que o esporte ajuda a criança a arriscar mais”, destaca. “A estrutura é o primeiro passo de um trabalho mais amplo. Temos que ter a prática. O Jardim Tabaetê adorou o campinho. É uma ótima ocupação”.

O educador Adilson Bertoldi, 37, tem como rotina levar os dois filhos ainda pequenos para brincar no parque do Meu Campinho do Jardim Cidade Monções, ao lado da Reserva Florestal da Rua Diogo Martins Esteves. Essa unidade é frequentada por moradores de Higienópolis, Itália I, Itália II e Santa Rosa.

“Normalmente os bairros não têm esses espaços e tínhamos que nos deslocar para poder usar um ambiente assim. Agora ficou bem mais próximo e meus filhos adoram. Além de frequentar aqui, frequentamos outros bairros porque há outros modelos de parque, alguns com escorregador ou outros aparelhos, e eles pedem isso”, afirma Bertoldi. “A gente tenta tirar os filhos de casa para não ficarem no celular, no videogame. E o pessoal também joga bola aqui, a procura é muito grande. Junta times dos bairros, fazem campeonatos, é uma ação capaz de integrar a comunidade”.

Rosimari Fonseca Santos, 52, mãe de Adilson e avó das duas crianças, corrobora essa impressão de melhora na qualidade de vida. “É um contato com sol, natureza. Eles sempre querem ir ao parquinho, no escorregador, na ‘teia de aranha’”, afirma. “São poucos lugares para distrair, exercitar, com segurança completa. O Meu Campinho é muito positivo por conta da estrutura, os brinquedos não são de qualquer material. É um projeto extraordinário para os bairros”.

Paulo Romero, 33, é professor de futebol e dá aulas para a garotada nas unidades da cidade. Ele afirma que esses espaços são iniciativas fundamentais para fomentar o esporte com acesso gratuito. “A prática esportiva ajuda a tirar a ociosidade. E a população usa muito os Meus Campinhos. Várias vezes eu cheguei para treinar em um deles e não consegui usar, tem que esperar fila ou procurar algum outro disponível. É bom ver a sociedade se mobilizando nesse sentido”, destaca.

Vladimir Chaplaski, 32, mora no distrito de Iguatemi, distante quase 30 quilômetros da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, no Centro de Maringá. O distrito fica em uma antiga área de cultivo de café e o Meu Campinho fica perto de uma horta comunitária e de uma reserva de floresta intocada. “Esperamos que normalize a questão da pandemia nos próximos meses para as crianças poderem usar sem nenhuma restrição. Principalmente para tirar elas da TV e colocar em prática um pouco do que a gente fazia quando era criança”, diz.

APOIO A MARINGÁ – Além das unidades do Meu Campinho, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e de Obras Públicas está investindo R$ 10 milhões em pavimentação urbana a fundo perdido em Maringá. Os recursos vão financiar 48,9 mil metros quadrados de revitalização, uma área com cerca de 32 mil habitantes. Entre ruas, avenidas e praças são 23 intervenções completas, com paisagismo, sinalização e acessibilidade.

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Veja a localização dos Meus Campinhos de Maringá

– Jardim Veredas / Jardim Santa Rosa

Rua Basilio Zequim, 601 x Rua Marfim.

– Jardim Tabaetê

Rua Pioneira Maria Freire Lorencete x Rua Tabaetê.

– Praça Elídio Neto Laranjeiro / Jardim Novo Oasis

Rua Rio Manso x Rua Cuba x Rua Rio Encantado.

– Conj. Hab. Del Plata / Residencial Aeroporto

Rua Baía Blanca x Rua Lázaro Bento x Rua Bariloche.

– Jardim Cidade Monções

Av. Joaquim Duarte Moleirinho x Rua Marino Paulichi.

– Praça Pioneiro Júlio Ribeiro Vilella

Conj. H. Itatiaia / Conj. Res. Parigot de Souza.

Av. Osíres Stenghel Guimarães x Av. Dona Sophia Rasgulaeff.

– Praça Pioneiro Bento de Freitas da Silva / Jardim Novo Oasis

Av. Guaiapó x Av. Dona Sophia Rasgulaeff.

– Residencial Iguatemi / Distrito de Iguatemi

Rua 33160 x Rua 33152.

– Jardim Licce

Rua Mieko Imai da Silva x Rua Pio. Hermínio Zenaro Manin.

– Parque das Grevíleas

Rua Pioneiro Nereu Mazzer (Próx. Rua Tucuruí).

– Conj. Hab. José Israel Factori / Distrito de Floriano

Av. Antonio Santiago Gualda x Rua José Teixeira Neto x Rua Luiz Fatori.

– Conj. Hab. Guaiapó / Conj. Hab. Requião

Rua Libertador San Martin x Rua Antônio Alves Munhoz x Rua Jorge Luiz F. Totti.

– Jardim Piatã / Vila Morangueira

Av. Tuiuti x Rua Rio Samambaia.

– Jardim Santa Clara

Rua Foz do Areia x Rua Malvino Gardin.

– Parque Residencial Quebec

Av. São Judas Tadeu x R. Palmital.

– Parque Residencial Andreia / Parque Hortência II

R. Prof. Antônio Primo Milani x R. Amadeu Boggio Merlo x R. Pioneiro Ivio Domingos Crestani.

– Pç. Odwaldo Pereira / Conj. Residencial Cidade Alta

R. Pioneiro Ovídio Campana x Rua José Carlos Pedroso x Rua Noel Rosa.

– Jardim Everest

R. José Antônio Rodrigues x R. Antônio Nunes de Souza.

– Jardim Aurora

Rua Garça x Rua Pioneiro Frederico Hofferer.

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Paraná tem 134 novos Meus Campinhos desde 2019

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, foram implementados, liberados ou estão em obras 134 unidades do projeto Meu Campinho no Paraná. São R$ 33,9 milhões de investimento a fundo perdido e R$ 10,8 milhões pelo Sistema de Financiamento aos Municípios (SFM). Entre esses, 56 estão concluídos, 42 em execução, 23 autorizados para licitação e três liberados para homologação. Os demais estão contratados ou em cronograma.

Os contratos foram feitos com 91 municípios de 19 associações de todas as regiões. Estão em execução, por exemplo, 42 unidades em Alto Paraíso, Arapongas, Borrazópolis, Cafeara, Califórnia, Cambé, Campina Grande do Sul, Campo Magro, Catanduvas, Chopinzinho, Conselheiro Mairinck, Coronel Domingos Soares, Esperança Nova, Guarapuava, Ivaiporã, Jardim Alegre, Kaloré, Miraselva, Nova América da Colina, Palmeira, Palmital, Pinhão, Piraquara, Pitanga, Prudentópolis, Quitandinha, Rancho Alegre, Rio Azul, Rio Branco do Ivaí e Salto do Itararé.

As próximas construções serão em Boa Esperança do Iguaçu, Borrazópolis, Campina da Lagoa, Campo do Tenente, Cândido de Abreu, Cruzmaltina, Fazenda Rio Grande, Guarapuava, Indianópolis, Iretama, Mandaguaçu, Nova Esperança do Sudoeste, Pérola, Piraquara, Reserva do Iguaçu, Rolândia, Tamboara, Terra Boa, Terra Rica, Tijucas do Sul, União da Vitória e Uraí. São 28 ações envolvendo contratos autorizados, homologados e contratados.

Já foram entregues os Meus Campinhos de Almirante Tamandaré, Ângulo, Arapongas, Bom Sucesso, Cambira, Cruzeiro do Oeste, Curiúva, Enéas Marques, Faxinal, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Ibaiti, Icaraíma, Inácio Martins, Itaperuçu, Jandaia do Sul, Lapa, Laranjeiras do Sul, Lupionópolis, Maringá, Marmeleiro, Marumbi, Novo Itacolomi, Ortigueira, Pinhão, Reserva, Ribeirão do Pinhal, Rolândia, Rosário do Ivaí, Santa Cruz do Monte Castelo, Santo Antônio do Paraíso, Tapejara, Terra Boa e Toledo.

Governo do Estado

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