Brasileiro não leva a sério suicídio e depressão: por quê?

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Pesquisa nacional do IBOPE revela que o tabu em relação ao suicídio permanece mais forte entre jovens e homens

Além de saberem pouco sobre depressão, os jovens brasileiros sentem vergonha de falar do assunto e não acreditam na importância do tratamento, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE em diferentes regiões do Brasil.

A doença pode levar ao suicídio e, de acordo com o psiquiatra Celso Lopes de Souza, do Programa Semente, o primeiro erro com relação ao tema é justamente não falar sobre ele. “Já está mais do que comprovado que falar sobre o assunto não agrava a situação, muito pelo contrário, pode ajudar a tratar as pessoas”, afirma.

O suicídio é a segunda causa de morte que mais atinge os jovens de 15 a 29 anos no mundo, dizem dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E mais: só no Brasil, uma pessoa comete suicídio a cada 45 minutos. E as pesquisas mostram ainda que 9 a cada 19 pessoas que se matam tinham algum transtorno psiquiátrico.

Mas no levantamento do IBOPE, mais de 1 a cada 4 entrevistados do grupo de 18 a 24 anos (26%) acredita que a depressão é uma “doença da alma”. Além disso, apesar de saberem que há tratamento, esse mesmo grupo não acredita na sua eficácia.

Ver essa realidade, diz a diretor médica da empresa farmacêutica parceira do estudo, Pfizer Brasil, “é muito preocupante porque a doença representa um dos diagnósticos mais frequentes entre as pessoas que tiram a própria vida”.

Depressão é doença

Cerca de 29% desses jovem também não vêem a depressão como uma doença que pode ser tratada como as outras. Enquanto isso, entre os entrevistados com mais de 55 anos, a porcentagem tanto do reconhecimento da doença como da eficiência do tratamento caem em 11%.

Em São Paulo, os dados foram ainda mais gritantes: 26% dos internautas não acreditam ou duvidam da chance de tratar a depressão com sucesso. A situação é ainda mais preocupante entre os jovens de 13 a 17 anos.

23% (1 a cada 5) não acredita que existam sintomas físicos na depressão, porque ela seria apenas “um momento de tristeza”. Além disso, 34% deles não tomariam antidepressivos se fossem prescritos por médicos. A porcentagem entre 18 e 24 anos é de 23%.

Essa resistência tem a ver com o desconhecimento sobre os antidepressivos mais modernos. Mas “vale lembrar que estamos falando de uma doença de elevado potencial incapacitante, que pode ser associada a um desfecho trágico, que é o suicídio, mas que pode e deve ser trata”, explica Márjori.

Antidepressivos funcionam?

Mais de 60% dos entrevistados mais jovens, de 13 a 24 anos, não sabem e/ou duvidam sobre a eficácia dos novos antidepressivos. Além disso, 1 em cada 4 acha que eles podem “viciar o organismo” ou provocar o ganho de peso e diminuição da libido.

MinhaVida


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