Casal queria um irmãozinho pro Davi e agora espera quíntuplos no Paraná

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Se para a maioria dos casais já é uma felicidade enorme receber a notícia de um filho a caminho, imagine então cinco chegando! Quem está vivendo essa história é o casal Anieli Kurtel, 24 anos, e Luís Fernando Araújo, 33. E ao que tudo indica, deverá ser a primeira gestação de quíntuplos bem sucedida da história do Paraná. O casal, morador de Chopinzinho, no oeste do Paraná, precisou vir à Grande Curitiba para o acompanhamento médico, de tão rara que é a gestação de quíntuplos.

GRAVIDA QUINTUPLO - CAMPO LARGO - PARANA - 01/08/19 - Casal gravidos de quintuplo pode ser a primeira gestao bem sucedida. FOTO: Felipe Rosa / Tribuna do Parana - AGP

Casal ‘gravidos’ de quíntuplo pode ser a primeira gestão bem sucedida. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Parana

Anieli já é mãe do Davi Lucas, que hoje tem seis anos. Como ele pedia muito um irmão e o casal também falava em ter um bebê, ela decidiu parar com o anticoncepcional e, dois meses depois, sentiu cólicas muito fortes. Mesmo pensando que fosse a menstruação descendo, ela fez um exame de sangue (Beta HCG), no mês de março, que deu negativo para gestação. Mas a menstruação atrasou e Anieli fez novo exame, que desta vez deu positivo.

Porém a ultrassonografia, feita em seguida, não mostrava nenhum bebê. Havia o receio do médico de que fosse uma gravidez ectópica (quando o feto cresce nas trompas) ou gravidez molar (uma espécie de cisto no útero, que provoca os mesmos sintomas de gestação). O médico prescreveu então um remédio para fazer a menstruação de Anieli descer. Mas ela não tomou, por ainda acreditar que estivesse grávida.

Para confirmar a suspeita, a jovem fez mais um Beta. “Na verdade eu fiz uns três Betas naquela semana, e cada um deles dava níveis de hormônios cada vez mais altos, confirmando gestação”, contou ela. O casal acabou procurando mais dois médicos para se aconselhar, até que um deles os mandou para uma nova ultrassonografia. Foi aí que a vida do casal virou de ponta cabeça.

São cinco!

Os dois estavam tão nervosos no dia do exame que esqueceram as janelas de casa abertas. Luís voltou para fechá-las, pois começava a chover. Enquanto isso, Anieli foi chamada para o exame e já se espantou com a cara do médico, olhando fascinado a tela. “Ele disse que era um menino. Mas eu olhei pra tela e vi mais que um saquinho. Ele contou cinco bebês e disse que ia verificar se todos estavam bem”, diz Anieli. Bem nessa hora, Luís chegou e abriu a porta.

“Quando ele disse ‘Entre papai’, eu já fiquei feliz, pois só dele me chamar de pai eu vi que a Ani estava grávida mesmo”, disse ele, sem saber ainda que eram cinco, pois Anieli ficou propositalmente quieta. Então, o médico contou os bebês de novo e ainda disse que, para sorte do casal, todos estavam muito saudáveis. “Cada bebê que o médico mostrava o Luís ficava mais feliz. No quarto ele ficou mudo. No quinto ele perguntou: Mas será que é possível isso?”, ri Anieli, que disse que ouvir os cinco corações batendo juntos foi emocionante demais. “Parecia uma bateria de escola de samba”.

Tomados de felicidade, os dois saíram do exame telefonando para os familiares. “Eles entendiam que a Ani estava grávida de cinco meses. Aí a gente dizia: não, não são cinco meses, são cinco bebês”, diverte-se o casal.

Anieli foi acompanhada pelos médicos de sua cidade até a 22ª semana de gestação, quando os profissionais acharam melhor que ela viesse para Curitiba. “Os bebês vão ter que ir pra UTI quando nascerem, até terminarem de se desenvolver. Só que a UTI neonatal lá de Chopinzinho tem apenas 10 leitos. Os médicos ficaram preocupados que desse alguma lotação no hospital no dia do parto e não houvesse vaga pros cinco, aí teria que ficar um em cada hospital. Então decidimos em conjunto vir pra um lugar com mais estrutura”, contou Luís.

400 Km

Assim, Anieli foi direcionada pelo SUS para o Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, onde chegou no dia 22 de julho. Ela teve que ser trazida de avião, disponibilizado pelo SUS, pois não tinha condições de seguir 400 quilômetros (cinco horas e meia) de estrada. O risco de um parto prematuro no chacoalho do carro era grande, pois apesar dela estar com 23 semanas agora (aproximadamente seis meses), seu útero já alcançou o tamanho de 40 semanas, ou seja, extremo final de gestação.

E já no primeiro exame no hospital do Rocio, a surpresa: não eram quatro meninos e uma menina, como apontou o exame anterior. São três meninos e duas meninas. E o casal já tem os cinco nomes e sabe exatamente onde cada um está na barriga, pois nesta fase, já não mudam mais de posição.

E assim, já com todos os órgãos comprimidos e sem espaço (pulmão, estômago, etc.), a jovem vai mantendo a gestação. “Meu objetivo é chegar pelo menos até 28 semanas. Depois disso, vou manter o quanto conseguir, pois cada dia na minha barriga são três dias a menos de UTI”, diz a mamãe, que já não consegue mais deitar de barriga pra cima, dormir, ou achar um jeito confortável para sentar.

Ajuda bem-vinda

Com poucas condições financeiras, casal precisa de ajuda para sustentar a 'tropa'. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

Com poucas condições financeiras, casal precisa de ajuda para sustentar a ‘tropa’. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

Anieli Kurtel trabalhava como auxiliar de mercado. Seu esposo, Luís Fernando Araújo, é vendedor. Ela foi dispensada do trabalho e hoje vive com o auxílio do INSS, de pouco mais de mil reais. E Luís conseguiu uma licença temporária da empresa que trabalha, porém não remunerada, e por enquanto está sem renda.

“Eles entenderam a minha necessidade e me deram a licença, para poder acompanhar a Ani, pois ela não poderia ficar sozinha aqui em Curitiba. Pelo menos tenho meu emprego garantido depois que os bebês nascerem e a gente conseguir voltar pra casa. E vou precisar, pois são cinco agora. Já temos o Davi”, diz o vendedor, que está preocupado que, no futuro, precisará alugar uma casa maior, para quando as crianças começarem a crescer.

“Estou tentando não pensar em nada disso agora. Eu me desliguei de vários assuntos, estou deixando o Luís cuidar de tudo, até do meu telefone, pra eu ficar tranquila, focar nos bebês, não ficar ansiosa ou preocupada nesse momento. Apesar da gente estar aqui, nossa casa continua lá em Chopinzinho. Independente se está fechada ou não, continuamos pagando o aluguel, a água, a luz, o telefone, a internet. Sorte que o meu auxílio do INSS está ajudando a manter essas contas. Sei que teremos mesmo que pensar numa casa maior. Mas nesse momento prefiro não pensar nisto”, diz a mamãe, que já sofre muito com saudades do filho mais velho, Davi Lucas.

“Nossa, foi uma mistura de felicidade e de preocupação quando descobrimos quíntuplos. Eu e a Ani sempre trabalhamos. E também não reclamamos em momento nenhum de ter sido presenteados com cinco bebês. Mas me bate um desespero às vezes, preocupação se vou conseguir manter cinco crianças. A gente já sabia da possibilidade de uma gestação múltipla, porque na família da Ani tem gêmeos. Mas nunca imaginamos cinco”, contou Luís, preocupado com o futuro.

Custos

Anieli e Luís estão hospedados numa pousada, quase em frente ao Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo. Por sorte, a diária, de R$ 60, está sendo custeada pela prefeitura local. “Quando chegamos, a primeira noite ficamos num abrigo da prefeitura. Mas lá era movimentado o tempo todo, entra e sai de gente, um banheiro coletivo para quase 200 pessoas. Na minha situação eu não ia conseguir ficar lá, pois havia muita gente doente e eu preciso manter a minha imunidade. Aí conversamos com o pessoal e a prefeitura nos conseguiu essa pousada”, diz ela. Por sorte, o local fica perto do hospital e o casal não precisa gastar com transporte. O único gasto que estão tendo é com alimentação, almoço e jantar principalmente.

Campanha

Comovidos e emocionados com a história dos quíntuplos, os moradores de Chopinzinho e cidades próximas começaram a fazer uma campanha para ajudar o casal. “Fizemos uma Vakinha online, o pessoal está engajado na campanha”, diz a mamãe.

Pelas contas do casal, serão necessárias aproximadamente 1.300 fraldas por mês. Sem contar lenços umedecidos, pomadas, produtos de higiene, leite, roupas, móveis e outros itens necessários. E mais as contas da casa que deverão aumentar, como água, luz e gás. O casal não sabe exatamente quanto tudo isso vai dar em dinheiro. Mas fizeram uma Vakinha de R$ 40 mil, que acreditam que vai ajudar por um tempo.

Enquanto os bebês estiverem internados na UTI neonatal (pelo menos dois meses depois que nascerem), também precisarão de fraldas tamanho RN (recém nascido) e produtos de higiene, que não são fornecidos pelo SUS e têm que ser comprados pelos pais. Portanto, quem quiser ajudar também com fraldas, pomadas e sabonetes (mas tem que ser produtos próprios para recém nascidos, pela fragilidade dos bebês), doações são muito bem-vindas.

Como ajudar?

Vakinha online pode ser encontrada no site (O número de identificação da Vakinha é o 567080).
Fraldas, pomadas, produtos de higiene
Podem ser entregues na sede da Tribuna*
Avenida Victor Ferreira do Amaral, 306 bairro Tarumã Curitiba
Edifício Aroeira Office Park
Informações: 3321-8578 / 8579
*Pede-se não levar diretamente ao casal, pois não há espaço na pousada e a gestante necessita de repouso

Tribuna PR

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