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Lula é reeleito presidente em virada histórica sobre Flávio Bolsonaro e conquista quarto mandato

Com 51,79% dos votos válidos, petista supera Flávio Bolsonaro no segundo turno, registra votação recorde e se torna o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto popular no Brasil.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após derrotar Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, no segundo turno das eleições de 2026. Segundo os resultados divulgados pelo UOL, Lula conquistou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, em uma disputa marcada pela polarização política e por uma virada eleitoral.

O resultado representa um marco na história política brasileira. Pela primeira vez, um candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter a desvantagem e vencer a eleição presidencial.

Com mais de 64,3 milhões de votos, Lula também superou seu próprio recorde de votação, registrado em 2022, quando recebeu aproximadamente 60 milhões de votos na disputa contra Jair Bolsonaro.

A eleição apresentou ainda índices de abstenção de 19,22% e de votos inválidos de 3,24%, apontados pela reportagem como os menores desde 2002. Aproximadamente 3 milhões de eleitores que não haviam comparecido às urnas no primeiro turno participaram da votação decisiva.

Virada no segundo turno

A vitória ocorreu após uma campanha de recuperação política e reorganização da estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores.

O desempenho abaixo das expectativas no primeiro turno provocou mudanças na coordenação da campanha e levou Lula a intensificar sua presença em eventos públicos, especialmente nas últimas semanas antes da votação.

A mobilização ganhou força com a participação de lideranças políticas, movimentos sociais e apoiadores, além de uma atuação expressiva nas plataformas digitais.

Um dos principais responsáveis pela mobilização virtual foi o deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal de WhatsApp denominado “Exército de Lula”, que reuniu aproximadamente 10,8 milhões de seguidores.

A iniciativa passou a organizar ações digitais e incentivar a participação de apoiadores em manifestações e atividades de campanha.

Na reta final, atos públicos reuniram multidões em diferentes cidades brasileiras, incluindo uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, que, segundo estimativas divulgadas pela própria campanha, contou com cerca de 2 milhões de participantes.

Quarta vitória presidencial

Com o resultado, Lula amplia sua trajetória eleitoral e conquista a Presidência da República pela quarta vez.

O petista venceu as eleições de 2002, 2006, 2022 e 2026, consolidando uma trajetória política que começou nas disputas presidenciais de 1989.

Ao concluir o novo mandato, em dezembro de 2030, terá acumulado 16 anos à frente do Executivo federal, aproximando-se dos 18 anos em que Getúlio Vargas governou o Brasil, em diferentes períodos e regimes políticos.

A eleição também representa a última disputa presidencial de Lula, conforme declaração atribuída ao próprio presidente. Pelas regras constitucionais, ele não poderá disputar uma nova reeleição consecutiva em 2030.

Polarização e desafios para o novo governo

A disputa contra Flávio Bolsonaro evidenciou a permanência da polarização política no país. A diferença entre os candidatos demonstra que o próximo mandato começará diante de um eleitorado dividido.

Durante a campanha, o candidato do PL explorou o desgaste político do Partido dos Trabalhadores e as denúncias de corrupção que marcaram governos anteriores.

Lula, por sua vez, apostou na mobilização popular e na recuperação do apoio de eleitores que não haviam comparecido às urnas na primeira etapa da eleição.

Após a vitória, o presidente também abordou a influência das plataformas digitais no processo eleitoral e defendeu a necessidade de regulamentação dessas ferramentas, argumentando que o país deve impedir interferências externas nas eleições brasileiras.

A reeleição garante a continuidade do governo petista até 2030, mas também impõe o desafio de ampliar o diálogo político, enfrentar as divisões eleitorais e construir condições de governabilidade para os próximos quatro anos.

A posse para o novo mandato está prevista para 5 de janeiro de 2027, conforme o calendário constitucional.

Redação

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