Resultados do Saeb e Ideb 2025 apontam evolução simultânea nas redes municipais que integram o Arranjo de Desenvolvimento da Educação (ADE) Litoral Paranaense
Após uma década, os sete municípios do litoral do Paraná voltaram a registrar avanço simultâneo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná apresentaram evolução no indicador entre 2023 e 2025, com crescimento médio de 6,58% — o maior avanço conjunto desde o ciclo 2013-2015.
Os resultados são alcançados durante um período de trabalho colaborativo entre as redes municipais que, desde 2022, integram o Arranjo de Desenvolvimento da Educação (ADE) Litoral Paranaense. O modelo, previsto no artigo 211 da Constituição Federal, promove a cooperação horizontal entre municípios vizinhos, com troca de experiências, formação continuada, compartilhamento de soluções e definição conjunta de prioridades, sem interferir na autonomia de cada rede municipal.
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Matinhos registrou, em 2025, a maior nota no Ideb entre os sete municípios, com 6,5 pontos, seguido de Pontal do Paraná (6,4), Guaratuba (6,3), Morretes (6,1), Antonina (5,8), Paranaguá (5,8) e Guaraqueçaba (5,2).
O avanço regional acompanha o desempenho do estado: o Paraná atingiu, em 2025, o melhor Ideb de sua história em todas as etapas, com 7,0 nos Anos Iniciais, 5,9 nos Anos Finais do Ensino Fundamental e 5,1 no Ensino Médio.
Além da evolução do Ideb, os dados ainda mostram avanço na aprendizagem nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Entre 2023 e 2025, a proficiência média dos sete municípios avançou 5,01% em Matemática e 3,96% em Língua Portuguesa.
Resultados acima dos municípios comparáveis
A evolução da aprendizagem ganha ainda mais relevância quando comparada às de municípios com características socioeconômicas e territoriais semelhantes. Na análise, foram selecionados 46 municípios de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul como referência, a partir de critérios como receita corrente líquida per capita e percentual da população inscrita no CadÚnico.
Entre 2023 e 2025, a proficiência média dos municípios do ADE cresceu 4,0% em Língua Portuguesa, contra 2,2% nos municípios comparáveis. Em Matemática, o avanço foi de 5,0%, contra 2,8% entre os pares.
Nos municípios do ADE Litoral Paranaense, a evolução foi de 4,0% em Língua Portuguesa e 5,0% em Matemática, contra 2,6% em Língua Portuguesa e 3,6% em Matemática no conjunto dos municípios litorâneos utilizados como referência.
“O que estamos vendo no litoral do Paraná é fruto de um trabalho conjunto: dirigentes municipais que decidiram trocar experiências, alinhar prioridades e aprender uns com os outros. Isso não substitui o esforço de cada rede, mas potencializa resultados que seriam muito mais difíceis de alcançar isoladamente”, afirma Kátia Ferreira, coordenadora de Responsabilidade Social do Instituto Positivo.
Morretes se destaca pela evolução
Entre os resultados, Morretes apresenta uma das trajetórias de maior destaque. O Ideb do município passou de 5,4, em 2023, para 6,1, em 2025, o melhor resultado desde o início da série histórica, em 2005, com crescimento em todas as escolas da rede, sem exceção. Também houve crescimento nas proficiências: 5,9% em Língua Portuguesa e 4,7% em Matemática, as maiores marcas da série histórica.
Para Adriana Assumpção, secretária municipal de Educação de Morretes, a participação no ADE permitiu comparar práticas, conhecer experiências que deram certo, discutir dificuldades comuns e, principalmente, pensar em soluções coletivamente. “Eu acredito que ninguém transforma a educação sozinho. O resultado que Morretes alcançou, especialmente no Ideb, não é fruto de uma ação isolada, mas de um processo construído ao longo do tempo. E o ADE Litoral teve um papel muito importante nesse processo, pois a convivência com os outros municípios nos permitiu olhar com mais atenção para os resultados das avaliações, para as aprendizagens que precisavam ser fortalecidas e para o papel da gestão e da coordenação pedagógica nesse acompanhamento”, revela Adriana.
A partir do “Avança Litoral”, projeto coletivo do ADE voltado ao fortalecimento das práticas pedagógicas nas sete redes, a Secretaria Municipal de Educação de Morretes criou sua própria versão do programa, o “Avança Morretes – Coordenadores em Ação”, direcionado à formação continuada de coordenadores pedagógicos e ao acompanhamento mais próximo do trabalho das escolas, movimento que a rede aponta como parte do caminho para o salto no Ideb 2025.
Pontal do Paraná é outro exemplo de como o Arranjo tem se sustentado ao longo do tempo. O município terminou o ciclo 2025 com a segunda melhor nota da região nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (6,4).
Trabalho conjunto entre municípios
O ADE Litoral Paranaense foi estruturado a partir de um processo de seleção realizado pelo Instituto Positivo em 2021. Durante quase um ano, foram analisados mais de 8 mil dados e indicadores dos 399 municípios do Paraná, com o objetivo de identificar territórios com características e desafios comuns.
Na segunda fase, qualitativa, técnicos do Instituto visitaram as regiões mais bem colocadas e entrevistaram Dirigentes Municipais de Educação para entender a dinâmica local e o nível de colaboração já existente entre os municípios — um fator considerado decisivo para sustentar um programa de longo prazo. Ao final do processo, a Associação dos Municípios do Litoral do Paraná (Amlipa) foi escolhida para receber apoio técnico do Instituto Positivo por um período mínimo de três anos.
Desde 2022, os sete municípios trabalham em dois pilares: o fortalecimento de trocas de experiências e elevação da proficiência dos estudantes. Entre as prioridades estão as áreas de Língua Portuguesa e Matemática, com ações voltadas à aprendizagem e ao acompanhamento dos indicadores educacionais.
De acordo com o Censo Escolar de 2023, as redes municipais de Educação Infantil e Ensino Fundamental que compõem o ADE Litoral Paranaense somam mais de 32 mil matrículas em 191 escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
“Cada vez mais municípios brasileiros, sobretudo os de menor porte, estão percebendo que cooperação não é perda de autonomia, é ganho de capacidade. O papel do Instituto Positivo é justamente apoiar essa construção coletiva, sem tirar dos gestores locais o protagonismo das decisões”, destaca Kátia.
Assessoria
