A administração municipal de Matinhos, liderada pelo prefeito José Carlos do Espírito Santo, o Zé da Ecler, (PSDB), tem enfrentado uma onda de críticas após adotar medidas drásticas para conter despesas, em meio ao fim do mandato.
Sem conquistar a reeleição, o prefeito suspendeu inúmeros pagamentos, comprometendo serviços essenciais, como o funcionamento de unidades de pronto atendimento, transporte escolar e o pagamento de horas extras a servidores municipais.
“Acontece que dos servidores, ninguém recebeu hora extra. Na saúde, ninguém recebeu diária. Não está tendo escolar à tarde porque eles não estão pagando hora extra para o motorista. Não está indo ônibus para Curitiba levar o pessoal doente, porque eles não estão pagando diária. Está um caos”, desabafou uma servidora, que preferiu não se identificar.
Outra funcionária, que também não quis se identificar, relatou que não recebe valores referentes às horas extras desde setembro. “A gente pergunta, um fica jogando para o outro: o RH joga para o secretário e o secretário joga para o RH”, afirmou.
Em um vídeo publicado nas redes sociais no dia 29 de novembro, a motorista de ônibus escolar Paula Adriana da Silva confirmou a ausência do pagamento dos acréscimos salariais. “O pagamento caiu ontem e, para a surpresa de todos os servidores, eles não receberam as horas extras”, declarou.
Segundo Paula, a justificativa da prefeitura foi atribuída a um suposto erro bancário. “Esse povo acha que a gente está na pré-história?”, ironizou. Ela ainda denunciou que um colega, que já não havia recebido horas extras no mês anterior, foi coagido a continuar trabalhando sem garantia de pagamento. “Ele foi colocado contra a parede que era para ele fazer, caso contrário ia sobrar pra ele”, contou.
Exonerações em massa Além da suspensão de pagamentos, a prefeitura exonerou pelo menos 43 cargos comissionados em novembro, incluindo chefes de divisão e departamento. Dois secretários também foram dispensados: o secretário municipal de Urbanismo e Planejamento Urbano, Mauricio Piazzetta, no dia 1° de novembro, e a secretária municipal de Saúde, Ana Lúcia Pires, no dia 10. Outras exonerações incluíram Fernanda de Bona, diretora de assistência à saúde; Everton Cordeio, chefe da divisão de limpeza pública; e Andrey Souza, chefe da divisão de recursos humanos. Colapso financeiro Durante seu discurso de diplomação, na terça-feira (10), o prefeito eleito de Matinhos, Eduardo Dalmora (PL), classificou a situação do município como um verdadeiro caos e pediu o apoio dos vereadores eleitos. “Vamos ter que reconstruir Matinhos”, afirmou. Dalmora expressou preocupação com a possibilidade dos servidores municipais ficarem sem pagamento no fim do ano. “Estou rezando para que os funcionários públicos consigam receber no fim do mês agora. Os 345 comissionados que tem hoje neste município, o que é um absurdo, uma grande parte provavelmente não vai receber”, explicou. Ele também denunciou a falta de colaboração para o processo de transição entre gestões. “Não conseguimos fazer a transição, porque se escondem e se negam. Pelo que já levantamos, vamos pegar com R$ 20, R$ 25, 30 milhões negativos sem pagar”, comentou. “Indústria da locação” Dalmora também acusou a gestão atual de fazer uso excessivo de equipamentos alugados. “Ambulâncias alugadas, as câmeras de monitoramento alugadas, a impressora alugada. As lâmpadas são alugadas, R$ 700 mil por mês. Onde que o município paga R$ 700 mil por mês de locação. É uma indústria da locação, um descaso”, criticou. Na área da saúde, o prefeito eleito destacou as dificuldades enfrentadas pela população. “A farmácia básica não existe. A consulta no posto de saúde demora pelo menos 60 dias”, concluiu.
JB Litoral
