Esse é o maior grupo de pinguins soltos este ano pela equipe do LEC-UFPR,
via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS)
Um grupo de doze Pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus)
reabilitados retornaram ao mar na última quarta-feira (6). Trata-se do segundo
grupo de pinguins soltos em 2023 no Paraná, mas o maior agregado de
animais reabilitados e soltos juntos pela equipe @lecufpr via PMP-BS,
estruturado pela Petrobras para condicionante ambiental. A soltura foi feita na
praia de Pontal do Sul, no município de Pontal do Paraná, após cerca de dois
meses de reabilitação no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de
Saúde de Fauna Marinha (CReD), do Laboratório de Ecologia e Conservação
(LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
MIGRAÇÃO
Os Pinguins-de-Magalhães vivem em diferentes regiões da Argentina e Chile,
incluindo a região do Estreito de Magalhães, na Patagônia. Durante o inverno,
deixam suas colônias reprodutivas e nadam cerca de 4 mil km até o litoral
brasileiro, em busca de alimento. No final da primavera, essas aves marinhas
regressam ao extremo sul, em geral com bastante reserva energética para
novas fases do ciclo de vida.
No entanto, o deslocamento, principalmente para os juvenis, consome muita
energia, fazendo com que alguns fiquem debilitados e encalhem nas praias da
região. Os animais mais jovens têm menor reserva energética e, além disso,
são menos experientes para competir por alimento e enfrentar os desafios
desta jornada.
REABILITAÇÃO
Os Pinguins-de-Magalhães soltos foram resgatados nas praias do litoral
paranaense, por meio das atividades diárias de monitoramento e do
acionamento da comunidade. A maioria apresentava quadro de desnutrição e
saúde debilitada, com presença de parasitas no sistema respiratório e marcas
de emalhe em redes de pesca.
Ao chegar ao CReD, os pinguins passam por um processo de isolamento, a fim
de evitar a transmissão de potenciais doenças entre aves em reabilitação.
Durante esse período, a equipe faz exames clínicos, estabilização,
vermifugação e administração de medicamentos. Os animais também recebem
soro e alimentação com papa de peixe, até que voltem a se alimentar com
peixe inteiro. Já estáveis e sem parasitas, eles são encaminhados para os
recintos de reabilitação, onde interagem uns com os outros. A soltura é
realizada apenas quando os pinguins formam um grupo e estão saudáveis,
com exames dentro do padrão para a espécie.
SOLTURA
Como os pinguins são animais gregários, a soltura é sempre feita em grupos, a
fim de ter maior possibilidade de sucesso. A proteção e busca por alimento
durante a jornada tem menor risco quando executados em agregações, e esta
estratégia fortalece o grupo na volta para a natureza.
Para o veterinário do LEC/UFPR, responsável técnico via PMP-BS/UFPR,
Fábio Henrique de Lima, a soltura é a consolidação do trabalho realizado em
prol da conservação: “É um momento em que a gente consegue envolver a
sociedade e sensibilizar as pessoas da importância de conservação desses
animais, não só para o ecossistema, mas para a manutenção da qualidade do
ecossistema, inclusive para a vida humana. Estes momentos nos permitem
renovar a esperança, expor a necessidade de manutenção de nosso trabalho e
mostrar para as pessoas que, se cuidarmos do planeta, podemos ter uma
perspectiva muito melhor em termos de saúde.”
SOBRE O PMP-BS
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma
atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento
ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de
petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.
Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de
produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos
marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário
aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.
O projeto é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em
15 trechos. O LEC/UFPR monitora o Trecho 6 (Paraná), compreendido entre os
municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba.
Ao encontrar animais marinhos debilitados ou mortos nas praias paranaenses é
possível acionar a equipe do PMP-BS/Laboratório de Ecologia e Conservação
(LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR pelo 0800 642 33 41 ou
pelo whatsapp (41) 9 92138746.
