O taekwondo faz em Tóquio sua estreia no programa dos Jogos e o primeiro campeão paralímpico da história é o brasileiro Nathan Torquato, de 20 anos. O atleta da Praia Grande venceu as quatro lutas que teve pela frente para conquistar o título. Na final, Mohamed Elzayat, do Egito, entrou para o combate, mas logo desistiu porque ele não teve condições de continuar. Na semifinal, ele sofreu um golpe irregular no rosto do russo Danii Sidorov, teve que ser retirado de maca do tatame, foi para o hospital e tentou voltar para lutar, mas não conseguiu.
A vitória por desistência na final não tira o brilho da conquista de Nathan Torquato, que fez uma campanha irretocável até chegar na decisão. O brasileiro estreou no torneio nas oitavas de final contra Parfait Hakizimana, do time de refugiados, e venceu com facilidade por 27 a 4. Nas quartas de final, o adversário foi o japonês Mitsuya Tanaka e o atleta da Baixada Santista deu um verdadeiro show. Ele dominou completamente os três períodos da luta para vencer por 58 a 24.

Na semifinal, Nathan Torquato teve pela frente o italiano Antonino Bossolo, sensação da competição até então por ter eliminado nas quartas de final o cabeça-de-chave número 1, Bolor Ganbat, da Mongólia, campeão mundial em 2014, 2015, 2017 e 2019, por 40 a 28.
Além de ter tirado o favorito da competição, Antonino Bossolo tem em seu currículo o vice-campeonato mundial de 2015 e o terceiro lugar de 2014. Seis anos mais velho do que o brasileiro, o italiano tinha a seu favor o fato de ser mais experiente, com quatro participações em Mundiais, enquanto Nathan Torquato só disputou duas vezes e não passou de um nono lugar tanto em 2017 quanto em 2019.
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Mas o campeão dos Jogos Parapan-americanos Lima-2019 não quis nem saber da diferença de currículo entre ele e o italiano. Nathan Torquato terminou na frente o primeiro período ao fazer 6 a 4. No segundo, no entanto, Antonino Bossolo viu o brasileiro disparar e chegar a 24 a 13.
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No último e decisivo round, Antonio Bossolo marcou oito pontos seguidos no começo do período e diminuiu a diferença para 24 a 21. Nathan Torquato não se abalou e voltou a abrir, chegando a 31 a 23. O italiano fez de tudo para reagir no final, mas o brasileiro soube controlar a luta até fechar com a vitória por 37 a 34.

Na outra semifinal, o russo Daniil Sidorov, atual vice-campeão mundial, era o favorito disparado contra o egípcio Mohamed Elzayat e estava mostrando isso no tatame. Ele vencia por 24 a 8 quando acertou um chute no rosto do adversário. O golpe, que vale de três a cinco pontos no taekwondo olímpico, é considerado irregular no paralímpico porque os competidores são amputados de braço ou possuem deficiência nos membros superiores e, por isso, não conseguem se defender.
Quando um chute no rosto acontece, normalmente que o desferiu é punido com a perda de um ponto. Mas o que aconteceu na semifinal foi que Elzayat foi a nocaute e não teve mais condições de seguir na luta. Quando isso ocorre, o outro lutador é desclassificado. Foi o que aconteceu com Sidorov, que foi considerado o perdedor da luta, enquanto o egípcio saiu de maca e foi encaminhado para o hospital.
Com muita garra, Elzayat entrou para lutar, mas o combate durou pouco mais de um minuto. A arbitragem logo paralisou o duelo contra Nathan Torquato para que o egípcio pudesse ser atendido. A exemplo do que aconteceu na semifinal, o atleta africano deixou o local de competição de maca.
Olímpiadas CPB
