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Em defesa às mulheres vítimas de violência, Rede Sorella ganha apoio da campanha “Sinal Vermelho”

A cada seis minutos, uma mulher é vítima de violência no Paraná, segundo dados do IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), em 2020, a cada minuto, uma brasileira foi violentada dentro da própria casa. Os dados revelam que somente no ano passado, 48,8% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica. 

A campanha “Sinal Vermelho” é um pedido de socorro silencioso que vem ganhando cada vez mais força no estado. Marcando um “X” na mão ou em um pedaço de papel, mulheres em situação de violência doméstica ou familiar podem pedir ajuda em diversos estabelecimentos comerciais, condomínios e órgãos públicos. Ao visualizar o pedido de ajuda, a pessoa deve coletar o máximo de informações possíveis a respeito da vítima e ligar imediatamente para o 190.

Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar em Pontal do Paraná, também podem contar com o apoio da Rede Sorella. Um projeto sem fins lucrativos que desde 2019 oferece apoio jurídico e psicológico à população, a rede hoje conta com mais de 40 voluntários, entre médicas, advogadas psicólogas e enfermeiras, que oferecem todo o suporte às mulheres vítimas de violência. 

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

De acordo com dados oficiais, em Pontal do Paraná, apenas neste ano, a Patrulha Maria da Penha, que é uma equipe especializada no atendimento a vítimas de violência doméstica, já fez 246 atendimentos. As principais ocorrências são de violência física e psicológica, hoje são 102 mulheres com Medidas Protetivas Vigentes, sendo atendidas.

A Policial Civil e Secretária de Segurança de Pontal do Paraná, Any Messina, explica que, “A Lei do Sinal Vermelho veio para amparar as vítimas que não possuem condições de acionar a polícia, ao qual poderá através do sinal de “X” vermelho nas mãos demonstrar que está sofrendo agressões. Em muitos casos, essas mulheres sequer possuem telefones para que tenham contato com outras pessoas e o fato de, por exemplo, ir a uma farmácia e pedir ajuda através desse sinal, poderá fazer toda a diferença na vida dessa vítima”.

Além do medo de sofrer futuras retaliações por seus agressores, muitas mulheres não procuram ajuda por desconhecerem os canais de denúncia, ou até mesmo por viverem em um ciclo de dependência afetiva e financeira. Por estas razões, a mulher pode permanecer muito tempo em uma relação violenta e enfrentar dificuldades para procurar ajuda.

Any Messina, orienta que as vítimas ou qualquer testemunha de violência doméstica podem denunciar ligando no número de emergência da Polícia Militar, o 190 ou da Guarda Civil Municipal de Pontal do Paraná, pelo telefone (41) 3455 9630. A Policial Civil ressalta que existe ainda o 180, a Central de Atendimento à Mulher, um serviço criado para o combate à violência contra a mulher e oferece três tipos de atendimento: registros de denúncias, orientações para vítimas de violência e informações sobre leis e campanhas.

Não há como se prevenir de uma violência, mas é possível ficar atenta aos sinais que o agressor eventualmente possa dar, visto que a agressão física propriamente dita não é o início da violência doméstica e sim o último passo. São listados cinco tipos de violência que podem anteceder a agressão: A violência psicológica, patrimonial, moral, sexual e enfim a física. Perceber e repreender esses tipos de atitudes pode ajudar a evitar as agressões.

REDE SORELLA

A Rede Sorella, em Pontal do Paraná oferece todo o apoio que essas mulheres precisam, sendo encorajadas a denunciarem seus agressores e amparadas para se reerguerem após a denúncia, recebendo atendimento jurídico e psicológico. 

Daniele Couto, presidente da Rede Sorella em Pontal do Paraná, conta que a iniciativa nasceu com a ideia de proporcionar atendimento jurídico e psicológico à população do litoral paranaense. “Durante as minhas viagens ao exterior, eu observei que a forma de tratamento às mulheres, no que se refere às políticas públicas são muito diferentes. A ideia é proporcionar a essas mulheres meios eficazes de combate a violência”, destacou a presidente.

Atualmente, por conta da pandemia, os atendimentos estão sendo realizados apenas de forma remota. O primeiro contato deve ser realizado pela página da Rede Sorella no Facebook, ali é feita a interface com o profissional habilitado e credenciado para realizar esse suporte de forma voluntária.

A Policial Civil e Secretária de Segurança de Pontal do Paraná, Any Messina descreve a Rede Sorella como, “um sonho que saiu do papel em prol de atender humanamente, com respeito e carinho às mulheres vítimas de violência doméstica”.

Recentemente a Rede Sorella foi reconhecida pela Lei de Utilidade Pública, que após 1 ano de atividade, reconhece uma entidade que presta um serviço relevante à comunidade. “Já foi aprovado em Pontal, em Matinhos também já está para ser publicada, já foi aprovada na câmara”, comemora Daniele Couto.

Com o avanço na vacinação contra a covid-19 na região, e as atividades aos poucos sendo retomadas, Daniela já pensa nos próximos passos e sonha em poder ajudar cada vez mais mulheres. Há uma proposta para o Governo de Pontal do Paraná, em que se pretende, aliado à iniciativa privada, conseguir um espaço físico melhor para o projeto.

“É um sonho nosso, criar a Casa Sorella, um local em que pudéssemos instalar uma brinquedoteca, pagar uma psicóloga e uma advogada para ficar disponível para atendimento ‘full time’, é um sonho nosso ter uma estrutura capaz de atender essas mulheres”.

Para tornar-se voluntário da rede de proteção às mulheres, é preciso enviar uma solicitação por e-mail para: redesorellalitoral@gmail.com, após preencher um cadastro, a solicitação passará por análise e depois de aceita a pessoa passa fazer parte dos grupos de Whatsapp e canais de atendimento.  

*Por Karina Mancini/Paraná Praia

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