
No dia 11 de março de 2020 a Prefeitura de Curitiba confirmava o primeiro caso de covid-19 de um morador da capital. Um ano depois, com erros e acertos, a principal certeza por parte da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é que agora é o momento de se isolar e estar com medo, como foi no início da pandemia, já que a situação é dramática devido à falta de leitos e aumento de casos. O vírus já deixou, até esta quarta-feira, 3.116 pessoas mortas pela doença em Curitiba, com 151.838 casos confirmados.
Em entrevista, nesta quinta-feira, a superintende de Gestão da SMS, Flavia Quadros, fez um balanço sobre um ano de pandemia e afirmou que, neste período de tempo, muito se aprendeu com o vírus. “Nos preparamos desde janeiro de 2020, quando soubemos sobre o que acontecia na China. Reunimos as equipes e falamos do cenário que poderia acontecer por aqui e em fevereiro demos continuidade, já esperando o que viria pela frente”, iniciou.
Segundo ela, o primeiro caso confirmado em Curitiba gerou pânico na cidade. “Com o primeiro caso a gente teve um pânico, quando houve o período de maior isolamento, com a educação parando até de forma precoce, porque não tínhamos a transmissão comunitária ainda. Isso com certeza fez um achatamento da curva, jogando pra junho e julho nosso pico. O que a gente percebe hoje é que agora seria o momento de fazer aquilo”, pontuou.

Momento de isolamento total, como em março do ano passado, deveria ser agora (Foto: SMCS)
A superintendente da SMS reiterou que neste momento qualquer medida restritiva não é seguida à risca pela população, o que tem cooperado para o aumento de casos. “Agora é que a gente deveria ter medo, parar, se isolar e sentir pânico, porque estamos em um pico muito maior que julho e dezembro do ano passado. Nós estávamos em um lockdown no estado na semana passada, mas mesmo com o regramento muitas pessoas não respeitaram. A sociedade está cansada, com problemas econômicos e não queremos que elas parem de trabalhar. A gente já sabe como é um ambiente controlado, então o que a gente pede é que acha um respeito nestes aspectos”, afirmou.
Fakes News
Um ano depois do primeiro caso algumas certezas se têm, como por exemplo o uso de máscara e distanciamento social serem as principais formas de evitar o contágio. Flavia Quadros lamenta ter que ainda reforçar a importância disso. “A gente vê hoje pessoas sem máscara, sem distanciamento e sem álcool gel, um anos depois. Essas questões são mais prioritárias que passar uma tranca e falar para ninguém sair, até porque muitos não respeitam isso. Todos estamos cansados, profissionais de saúde, empresários, mãe de alunos, mas é o momento mais critico e pedimos força para a população”, pontuou.
O recado é para não se acreditar em fakes news. “As fakes news nos atrapalharam muito, porque vem curas milagrosas e tudo mais. Essa descrença da evidência cientifica, principalmente do Governo Federal, incomoda demais, porque fragiliza os técnicos e profissionais de saúde. Nós trabalhamos com a ciência e quando se tem uma falta de comando com relação a isso, você cria toda uma confusão na cabeça da população. Vocês faz tudo na evidência cientifica e é questionada, tem que ficar provando o contrário toda hora, é um desgaste desnecessário que temos que ter e que atrapalha”, reclamou.
Jovens
Como já relatado por muitos profissionais de saúde, a superintende lamentou o aumento de jovens internados e morrendo pela covid-19. “Nas próximas duas semanas vamos enfrentar o aumento de casos e essa nova cepa agora atinge mais o jovem. É notável um aumento de internamento de pessoas de 30 a 55 anos, que antes não estavam internando e morrendo, mas agora estão. Nós precisamos fazer esse alerta, de que ninguém está imune a um agravamento do quadro”, relatou.

Jovens circulam mais, inclusive nos ônibus, têm sido infectados e estão morrendo nesta nova onda de covid (Foto: SCMS)
As mortes crescem pela falta de leitos, que garantem um atendimento melhor ao paciente, justamente no período em que mais se aprendeu sobre a doença. “Durante todo esse período falou-se de medicamento, tratamento, posição de paciente, então a gente evoluiu muito, com erros e acertos em todo o mundo, por ela ser uma doença nova. Mas é preciso conseguir dar essa assistência”, pontuou, lembrando que isso tudo não faz a diferença quando você tem um sistema de saúde colapsado.
E a vida normal?
Dez em cada dez curitibanos se perguntam, mas quando vamos voltar a normalidade? Poder abraçar, voltar a janeiro de 2020? Para Flávia Quadros, ainda há um longo caminho pela frente. “A gente precisa de vacina e essa é a saída. Estamos recebendo ainda em uma quantidade muito pequena. Se a gente tivesse mais, estava vacinando todo mundo. A vacinação é um grande desafio para a gente. Nosso prefeito está fazendo de tudo para adquirir a vacina e dar agilidade, precisamos disso para se ver livre do vírus. Agora, o que temos que fazer é nos proteger e manter o distanciamento social”, concluiu.

Vacinação é a esperança em Curitiba (Foto: SMCS)
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