Segundo projeto de monitoramento, apenas quatro de cada dez dos animais recuperados são devolvidos à natureza.
O litoral do Paraná recebe, historicamente, animais marinhos migratórios durante o inverno. No entanto, neste ano, há uma maior diversidade de espécies, segundo Camila Domit, responsável pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fica em Pontal do Paraná.
De acordo com a pesquisadora, na última semana chegaram vários pinguins-de-Magalhães. Também já foram registradas, desde o início da estação, a visita algumas espécies de lobo-marinho, baleias jubarte, franca e minke, além de diferentes espécies de golfinhos. Entre os animais não tão comuns no litoral do estado, estão albatrozes, petréis e outras aves oceânicas.
Domit explica que muitos animais que chegam às praias do estado são levados pela força dos ventos, alguns vêm para se alimentar ou para reproduzir e outros porque as áreas mais ao sul estão com temperaturas muito baixas.
Algumas espécies, como os lobos-marinhos, costumam parar nas praias do estado para descansar. No entanto, quando os animais de qualquer espécie estão debilitados, sem condições de nadar e se alimentar, eles são resgatados.
Entre maio e agosto deste ano, já foram resgatados 670 animais no litoral paranaense. Só no período de 1º de julho a 18 de agosto, foram mais de 400.
Para Domit, essa maior concentração nos últimos dois meses mostra que o inverno neste ano atrasou. Com isso, a expectativa é receber animais migratórios até outubro.
A especialista explica que apenas 10% desses animais resgatados estavam vivos, índice que fica dentro da média histórica.
De cada dez animais resgatados com vida, apenas quatro costumam ser devolvidos para a natureza. Todos são levados para o recém-inaugurado Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde de Fauna Marinha (CReD), onde ficam por, no máximo, 60 dias.
“O ideal é que eles não fiquem muito tempo em cativeiro”, explica Domit.
De acordo com a pesquisadora, é preciso recuperar e soltar os animais dentro do período de migração, pois eles dependem das correntes marítimas para se deslocar e não podem perder o hábito de procurar por alimentos.
Na última quinta-feira (22), duas tartarugas-verdes juvenis, que foram resgatadas neste ano, foram devolvidas à natureza após passarem pela reabilitação.
Projeto de Monitoramento de Praias
A equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no estado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR como uma condicionante do Ibama à Petrobras, monitora as praias diariamente em busca de animais encalhados e atende chamados para ocorrências envolvendo a fauna marinha, que inclui lobos-marinhos, golfinhos, baleias, tartarugas, aves oceânicas e costeiras.
Domit esclarece que os animais que chegam mortos passam por uma avaliação e trazem informações importantes sobre as espécies, como alimentação, tipo de mortalidade, contaminação química, entre outros dados importantes.
Quem registrar mamíferos, tartarugas e aves marinhas encalhados no Paraná, pode avisar o projeto ou o Centro de Estudos do Mar pelos telefones 0800-642-3341 e (41) 3511-8671.
G1
