Coordenadora da Campanha pelo Direito à Educação tacha como “absurdo” o corte de verbas baixo justificativa “ideológica”
Antes mesmo de se tornar presidente da República, Jair Bolsonaro já explicitava sua posição contrária às disciplinas das ciências humanas que promovem a elaboração de senso crítico dentro das escolas e universidades.
Recentemente, o político do PSL anunciou que Abraham Weintraub, ministro da Educação, pretende “descentralizar” o investimento nas faculdades de filosofia e sociologia do país, para “focar em áreas que gerem retorno imediato, como: veterinária, engenharia e medicina”.
A declaração foi amplamente criticada por especialistas, associações acadêmicas, professores e estudantes. Abaixo-assinados que circulam na internet e nas redes sociais que repudiam o posicionamento do governo já contam com milhares de assinaturas.
Após a ampla repercussão negativa, o Ministério da Educação recuou da decisão de punir com bloqueio de recursos especificamente as universidades que, em sua visão, promovem “balbúrdia”. O contingenciamento será estendido a todas as universidades federais e incidirá sobre a verba prevista para o segundo semestre.
Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Andressa Pellanda, coordenadora executiva da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, comenta as políticas adotadas pelo governo Bolsonaro para a área.
“É absolutamente inconstitucional e um total absurdo um corte de verbas para as universidades por conta de uma questão que ele determina como ideológica, como ‘balbúrdia’”, afirma Pellanda.
Ela acrescenta que os posicionamentos adotados por Weintraub – que atacam os cursos de filosofia e sociologia – violam o artigo 207 da Constituição, que assegura que as universidades têm autonomia didático-científica, administrativa, de gestão financeira e patrimonial. “É uma medida autoritária que fere a autonomia das universidades”, destaca.
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