domingo, maio 3, 2026

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Anquiloglossia: Como q língua presa pode mudar o rumo da Amamentação e da Vida do Bebê?

Por Aressa Henrique
A amamentação é um momento mágico, repleto de benefícios nutricionais e emocionais para a díade mãe-bebê. No entanto, para algumas famílias, essa jornada pode ser marcada por desafios significativos e dor. Um desses obstáculos, muitas vezes subdiagnosticado, é a anquiloglossia, popularmente conhecida como “língua presa” ou “freio lingual curto”.

Este freio (ou frênulo) é uma pequena membrana que conecta a parte inferior da língua ao assoalho da boca. Em casos de anquiloglossia, ele é mais curto, espesso e/ou está inserido mais à frente do que o normal, restringindo os movimentos essenciais da língua. Essa condição, que afeta cerca de 4 a 10% dos recém-nascidos, possui implicações que vão muito além da dificuldade em colocar a língua para fora.
Para que a amamentação seja eficaz, o bebê precisa realizar uma série de movimentos coordenados da língua: elevação, protrusão (colocar para fora), lateralização e, crucialmente, a criação de uma onda peristáltica para extrair o leite do seio. A língua deve ser capaz de envolver o mamilo e parte da aréola, mantendo o vácuo de sucção.

Na anquiloglossia, a restrição da mobilidade lingual compromete diretamente essa biomecânica:
Dificuldade de Pegada: O bebê não consegue protruir a língua o suficiente para estabilizar a pegada e proteger o mamilo da fricção.

Sucção Ineficaz: A língua não realiza a ordenha adequada, resultando em um esforço excessivo do bebê para extrair pouco leite. O bebê pode apresentar estalos (“cliques”) durante a mamada e parecer agitado ou frustrado.

Dor Materna e Lesões: A mãe frequentemente sente dor intensa, pois o bebê tende a mordiscar o mamilo para compensar a sucção ineficaz, podendo causar fissuras, machucados e, em casos mais graves, mastite.

Baixo Ganho de Peso: O baixo volume de leite transferido para o bebê pode levar à perda de peso ou ganho de peso insuficiente (hipogalactia funcional do bebê), o que, por sua vez, pode levar a uma complementação desnecessária com fórmula e ao desmame precoce.

Baixa Produção de Leite: O esvaziamento incompleto das mamas sinaliza ao corpo da mãe que menos leite é necessário, diminuindo a produção (Lei da Oferta e Demanda).

Alerta: A dor na amamentação não é normal. Se a mamãe sente dor persistente, é fundamental investigar a anquiloglossia.

Consequências para a Vida do Bebê
O freio lingual curto não é apenas um problema de amamentação; ele pode gerar uma cascata de desafios no desenvolvimento e na saúde do bebê:
Desenvolvimento da Fala: A mobilidade lingual é essencial para a articulação de diversos fonemas (sons da fala), especialmente o /l/, /r/, e os sons que exigem elevação da ponta da língua. Crianças com anquiloglossia não tratada podem apresentar dificuldades na fala, dislalias (trocas ou omissões de sons) e até timing de fala alterado.

Desenvolvimento Motor-Oral: A restrição pode afetar a introdução alimentar, causando engasgos ou dificuldade na mastigação e deglutição de alimentos sólidos.

Saúde Bucal: A língua atua como um “detergente” natural, removendo resíduos alimentares dos dentes e mucosas. A mobilidade limitada dificulta essa autolimpeza, podendo aumentar o risco de cáries e acúmulo de placa.

Mecânica Respiratória e Postura: O posicionamento incorreto da língua (baixa) pode impactar o desenvolvimento do palato, levando a um formato mais ogival (“céu da boca” mais estreito). Isso, por sua vez, pode levar à respiração oral (pela boca) e à má oclusão dentária, com potencial impacto na postura da cabeça e do corpo.

Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico de anquiloglossia deve ser realizado por um profissional de saúde qualificado (pediatra, consultor de amamentação, fonoaudiólogo, ou odontopediatra), preferencialmente por meio de protocolos padronizados, como o Teste da Linguinha (obrigatório em algumas maternidades brasileiras. O Teste da Linguinha (nome oficial: Protocolo de Avaliação do Frênulo Lingual em Bebês) é um exame padronizado e rápido realizado por fonoaudiólogos e, em algumas regiões, por outros profissionais de saúde, para diagnosticar a anquiloglossia em recém-nascidos. No Brasil, ele é obrigatório por lei em todas as maternidades.

Objetivo e Protocolo
O objetivo principal é identificar as alterações no frênulo lingual que possam restringir os movimentos da língua, impactando a amamentação.
O protocolo mais utilizado e difundido no Brasil é baseado nos estudos da Dra. Roberta Martinelli e Dra. Irene Marchesan, e envolve três etapas de avaliação:
Caso necessário é realizado a Frenotomia no bebê. A Frenotomia (ou “pique no freio”) é um procedimento cirúrgico simples e rápido, com o objetivo de liberar a língua, restaurando sua mobilidade. É considerada a primeira linha de tratamento para a anquiloglossia sintomática em bebês. Em recém-nascidos, o procedimento é extremamente rápido e minimamente invasivo, geralmente realizado em consultório ou ambulatório por um profissional treinado (pediatra, otorrinolaringologista, odontopediatra ou cirurgião pediátrico).

A frenotomia é considerada segura, com baixíssimos riscos quando realizada por um profissional qualificado, e tem demonstrado ser altamente eficaz em melhorar a amamentação de forma imediata.
O tratamento padrão, quando a anquiloglossia está causando sintomas (dificuldade de amamentação, dor materna), é a frenotomia (ou pique no freio), um procedimento cirúrgico simples e rápido, realizado com tesoura cirúrgica ou laser. Em recém-nascidos, é um procedimento ambulatorial minimamente invasivo.
O sucesso da intervenção, contudo, depende de um acompanhamento multidisciplinar, que inclui:

Frenotomia: A liberação cirúrgica do freio.

Fonoaudiologia: Terapia de estimulação e exercícios para reeducar a função da língua e garantir que o bebê aprenda a usar a nova mobilidade.
Consultoria de Amamentação: Otimização da pega e da posição imediatamente após o procedimento para aproveitar o momento de maior plasticidade.
A anquiloglossia é uma condição tratável que, quando identificada e abordada precocemente, pode salvar a jornada da amamentação e garantir o pleno desenvolvimento motor-oral e de fala do bebê. A conscientização e a busca por um diagnóstico especializado são o primeiro passo para transformar a frustração em satisfação e sucesso.

Sobre a autora
Aressa Henrique é consultora especializada em amamentação, com 15 anos de experiência na área materno-infantil. Pós-graduada em Aleitamento Materno e com abordagem humanizada, oferece atendimentos personalizados voltados à amamentação, desmame, laserterapia, taping e furinho humanizado. Já acompanhou mais de mil famílias em suas jornadas, transformando desafios em experiências de amor e confiança.
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