O crime que chocou o Litoral e teve repercussão nacional aconteceu na madrugada de 23 de fevereiro deste ano. Nesta sexta-feira (27), passados pouco mais de quatro meses do estupro a uma jovem, ocorrido em um posto de combustíveis desativado, em Paranaguá, e registrado pelas câmeras de segurança do local, o réu Nathan de Siqueira Menezes, de 20 anos, foi condenado a 6 anos de prisão em regime fechado e a pagar R$ 5 mil de indenização à vítima.
O pedreiro, que chegou a ficar foragido e só se entregou à polícia no dia 26 de março, estava preso preventivamente, desde então. A advogada que atua como assistente de acusação da vítima, Thaise Mattar Assad, informou ao JB Litoral que irá recorrer da decisão, para que a pena seja aumentada.
“Vamos recorrer pra aumentar a pena ea indenização. A pena de estupro é de 6 a 10 anos. O juiz fixou em 6 anos porque considerou o fato dele ter confessado. A confissão gera uma atenuante na pena, isso é regulado pela lei, e o juiz tinha dado 6 anos e 6 meses, mas deixou em 6 anos em razão da confissão”, detalhou.
Processo rápido e que serve de exemplo
Ainda de acordo com a assistente de acusação, a condenação e a manutenção da prisão é um exemplo importante no combate à violência contra a mulher, além de o processo ter transcorrido com celeridade na Justiça.
“Foi muito célere. O caso chocou a população do Litoral e mobilizou o Brasil. É um caso que impressiona pela quantidade de provas e pela frieza e violência do réư’, completou Thaise Mattar Assad, em conversa com o JB Litoral.
Relembre o caso
A vítima relatou à polícia que conhecia o autor do crime apenas de vista por terem frequentado a mesma academia e por terem se cruzado no mesmo ponto de ônibus. Ela também contou que naquela noite de 22 de fevereiro eles chegaram a se beijar em uma festa próximo ao local do estupro. Horas depois, já na madrugada de do dia 23 de fevereiro, quando ela esperava o transporte para voltar para casa com uma amiga, ele a ouviu dizer que precisava ir ao banheiro.
Foi naquele momento, segundo a vítima contou, em depoimento à polícia, que Nathan se aproximou e se ofereceu para levá-la a um banheiro em um posto de combustíveis. Ela aceitou, mas não sabia que o local estava desativado. Foi ali que o crime aconteceu e foi registrado por câmeras de segurança.

Nas imagens divulgadas em todo o país, a jovem aparece sendo forçada a entrar no estabelecimento. Ela tenta se agarrar a uma parede, até que Nathan a arrasta para dentro. Com vítima e autor dentro do posto de combustíveis, a violência continua sendo registrada por áudio, no qual é possível ouvir, por pelo menos 11 vezes, a jovem dizendo que não quer.
Incentivada pela amiga, que soube do crime logo após a vítima conseguir fugir do posto, o caso foi registrado na delegacia horas depois.
Pedidos negados
Após ter a identidade descoberta pela Polícia Civil, Nathan teve a prisão pedida pela delegacia, mas ela foi negada duas vezes. Só no terceiro pedido, este encaminhado pelo Ministério Público, ο Tribunal de Justiça concedeu a prisão cautelar.
A partir de então, em 17 de março, com o suspeito já considerado foragido, a polícia divulgou a foto de Nathan de Siqueira Menezes.
Ele se entregou na delegacia de Paranaguá em 26 de março, quando foi preso.
Por Flávia Barros / JB Litoral Foto: Redes sociais
