domingo, abril 26, 2026

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Corpo de Juliana Marins é encontrado após quatro dias de buscas no vulcão Rinjani, na Indonésia

A brasileira Juliana Marins, de 26 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (24), após quatro dias de buscas no Parque Nacional do Monte Rinjani, na Ilha de Lombok, Indonésia. A jovem, natural de Niterói (RJ), havia caído de um penhasco durante uma trilha no vulcão ainda ativo, que atrai milhares de turistas em busca de aventura.

A informação foi confirmada pela família em uma nota emocionada. “Hoje, a equipe de resgate conseguiu chegar até o local onde Juliana Marins estava. Com imensa tristeza, informamos que ela não resistiu. Seguimos muito gratos por todas as orações, mensagens de carinho e apoio que temos recebido”, diz o comunicado.

Juliana estava fazendo um mochilão pela Ásia desde fevereiro e já havia visitado Filipinas, Vietnã e Tailândia. Formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela também trabalhava como dançarina de pole dance.

O acidente e a denúncia de abandono

A queda aconteceu na madrugada de sábado (21), no horário local — ainda sexta-feira (20) no Brasil — enquanto Juliana fazia a trilha do Monte Rinjani acompanhada de seis turistas e dois guias. Segundo relatos, a jovem estava cansada e pediu para parar. A família afirma que o guia responsável seguiu em frente, deixando-a sozinha na trilha.

“Ela ficou muito cansada e pediu para parar um pouco. Eles seguiram em frente, e o guia não ficou com ela”, relatou Mariana, irmã de Juliana, em entrevista ao Fantástico. Ainda segundo a família, Juliana teria entrado em desespero, sem saber para onde ir, e acabou caindo em um penhasco.

O guia Ali Musthofa, de 20 anos, confirmou em entrevista que aconselhou Juliana a descansar, mas afirmou que a aguardaria alguns metros à frente. De acordo com ele, ao perceber que ela não aparecia, voltou ao último ponto de descanso e a procurou, mas não a encontrou. Momentos depois, avistou a luz de uma lanterna e ouviu a voz da jovem pedindo socorro no barranco.

Buscas, informações desencontradas e críticas

Imagens feitas por drone no sábado mostraram Juliana caída, a cerca de 200 metros da trilha, ainda consciente. Essas imagens, divulgadas pelo mundo, deram início a uma intensa mobilização pelo resgate da jovem.

Porém, a família enfrentou momentos de angústia e desinformação. No domingo, circulou a informação de que ela havia recebido água, comida e agasalho. Vídeos teriam mostrado o suposto resgate. Mais tarde, soube-se que as imagens eram falsas e que, na verdade, os socorristas ainda não tinham conseguido chegar até ela.

Em ligação divulgada pelo Fantástico, o embaixador do Brasil na Indonésia admitiu ter repassado informações incorretas, baseadas em relatos imprecisos de autoridades locais.

O resgate foi dificultado pelas condições adversas do terreno e do clima. As equipes de salvamento precisaram descer uma encosta íngreme equivalente à altura do Corcovado, no Rio de Janeiro, e só conseguiram avançar ao montar um acampamento avançado próximo ao local da queda.

Nesta terça-feira, Juliana foi encontrada cerca de 650 metros abaixo da trilha, sem vida.

Monte Rinjani: aventura e riscos

Com 3.721 metros de altitude, o Monte Rinjani é um dos vulcões mais altos da Indonésia e segue ativo. A trilha que leva ao cume exige preparo físico, resistência e o acompanhamento de guias experientes. O local, considerado de difícil acesso, é conhecido tanto pela beleza natural quanto pelos riscos, como o ar rarefeito, terrenos instáveis e mudanças bruscas de clima.

A morte de Juliana reacende o debate sobre as condições de segurança nas trilhas de aventura na Indonésia e sobre a responsabilidade dos guias turísticos. A família agora cobra explicações oficiais e reforça o pedido por justiça.

Redação

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