A enfermeira intensivista Jobelena Stumpf, que atuou no Hospital Paranaguá por meio da cooperativa COOENF, tornou pública uma grave denúncia envolvendo atrasos salariais, descontos abusivos, más condições de trabalho e assédio moral. Em um desabafo emocionado divulgado nas redes sociais, ela relata que os profissionais contratados pela COOENF enfrentam atrasos frequentes nos pagamentos, o que tem causado sérios prejuízos à vida financeira dos trabalhadores da saúde. Segundo Jobelena, os descontos aplicados nos contracheques são elevados e sem explicações claras, especialmente em relação às contribuições ao INSS, que chegam ao teto. Questionamentos sobre os valores geram respostas evasivas e, muitas vezes, reações humilhantes por parte da gestão.
A profissional afirma que, ao cobrarem seus direitos, os trabalhadores são tratados como desorganizados financeiramente e ouvem comentários depreciativos em reuniões internas, onde se afirma que todos são facilmente substituíveis. Para ela, isso caracteriza manipulação emocional e assédio moral. A situação é agravada pelas condições estruturais da UTI do hospital, que segundo seu relato, não atende aos critérios mínimos de dimensionamento estabelecidos pelo Conselho Regional de Enfermagem (COREN). Isso acaba expondo os pacientes a riscos e sobrecarregando ainda mais os profissionais de saúde, que vêm adoecendo física e psicologicamente.
Ao mesmo tempo em que os funcionários enfrentam atrasos salariais, obras de grande porte seguem em andamento no hospital, como a construção de uma hemodinâmica que, até o momento, não entrou em funcionamento. Jobelena questiona a priorização desses investimentos, alegando que os recursos não estão chegando a quem realmente mantém o hospital funcionando: os profissionais da linha de frente. A enfermeira também denuncia que médicos estão enfrentando atrasos e cortes nos salários e que seu próprio pedido de desligamento não recebeu qualquer resposta por parte da cooperativa.
Ela afirma possuir fotos, vídeos e capturas de tela que comprovam as irregularidades e direcionou sua denúncia ao COREN-PR, ao Ministério Público e à imprensa local, incluindo a TVCI. Segundo ela, o objetivo é chamar a atenção das autoridades e da sociedade para o que descreve como um “câncer de irresponsabilidade e desrespeito”. Jobelena finaliza seu relato afirmando que vai buscar seus direitos e que sua exposição pública não é apenas por si mesma, mas em defesa dos colegas que ainda enfrentam essa realidade silenciosamente. Até o momento, o Hospital Paranaguá e a COOENF não se manifestaram oficialmente sobre o caso. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Redação
