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Foram 242: Boate Kiss, tragédia completa 10 anos

Na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, um domingo, a história de Santa Maria mudaria para sempre. Um incêndio atingiu a boate Kiss, no centro da cidade, deixando 242 mortos, 636 sobreviventes e marcas que permanecem presentes na memória da comunidade até hoje.

Cartaz afixado na fachada da boate Kiss, em Santa Maria, 10 anos após incêndio — Foto: Jonas Campos/RBS TV

Cronologia da noite

0h00: público começa a chegar na boate, que recebia a festa “Agromerados”, organizada por alunos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

1h00: grupo Pimenta e seus Comparsas se apresenta no palco da casa noturna. Show dura pouco mais de uma hora.

2h10: banda Gurizada Fandangueira inicia sua apresentação.

2h30: durante a música “Amor de chocolate”, do cantor Naldo, a banda utilizou dispositivos pirotécnicos como efeito visual. As fagulhas atingem a espuma acústica que revestia o teto da boate, que pega fogo. A fumaça se espalha pela casa noturna.

Pânico

Assim que perceberam o início do incêndio, centenas de pessoas ficaram desesperadas e começaram a correr em busca de uma saída para a rua. Testemunhas afirmaram, na época, que seguranças da boate tentaram impedir a saída dos clientes, mas que logo perceberam a fumaça e liberaram a passagem.

A saída da boate foi dificultada por uma grade colocada perto da porta para organizar a fila de entrada. As pessoas derrubaram grade e porta, o que fez muita gente cair no chão e acabar pisoteada, dizem sobreviventes.

Segundo bombeiros que fizeram o primeiro atendimento da ocorrência, muitas vítimas tentaram escapar pelo banheiro do estabelecimento e acabaram morrendo. Testemunhas também disseram que o ambiente era bastante escuro e que a falta de sinalização fez com que eles pensassem que ali era uma saída.

Sapatos deixados no meio do caminho por frequentadores da boate Kiss — Foto: Reprodução/RBS TV

Resgate

Várias testemunhas afirmaram que o Corpo de Bombeiros chegou ao local da tragédia rapidamente, entre três e cinco minutos depois do chamado. Muitas pessoas que conseguiram sair da boate ainda ajudaram a socorrer as vítimas.

Sobreviventes e populares quebraram as paredes da boate para facilitar a saída de pessoas e o resgate de corpos. No lado de fora, ambulâncias, viaturas policiais e até táxis transportavam feridos para hospitais do município.

Populares quebram paredes da boate Kiss para ajudar no resgate — Foto: Reprodução/RBS TV

Atendimento aos feridosAo menos seis hospitais e casas de saúde da região receberam vítimas do incêndio. Voluntários auxiliaram o trabalho na cidade. O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, que tem unidade especializada em queimaduras, também recebeu feridos.

Reconhecimento de corpos

O domingo foi marcado pelo reconhecimento de corpos por parte de familiares das vítimas. Durante a manhã, filas foram formadas na entrada do Centro Desportivo Municipal, aberto no início da tarde. Depois de liberar o acesso em duplas, a polícia começou a formar grupos maiores para fazer o reconhecimento de maneira mais rápida.

Familiares e amigos em frente ao ginásio do Centro Desportivo Municipal aguardando a identificação das vítimas — Foto: Ronald Mendes/Agência RBS

Luto

Autoridades, como o então prefeito da cidade, Cezar Schirmer, e o governador do RS na época, Tarso Genro, acompanharam o atendimento aos sobreviventes e parentes de vítimas. A então presidente Dilma Rousseff cancelou uma agenda no Chile e viajou para Santa Maria ao lado de ministros.

O município decretou luto oficial de 30 dias, enquanto o governo federal estabeleceu luto de três dias em todo o país.

Dilma conversa com parentes de vítimas de incêncio em Santa Maria — Foto: AFP/Presidência

Velório coletivo

Uma das imagens mais marcantes daquele dia foi o velório coletivo de vítimas em um ginásio de Santa Maria. Logo após o reconhecimento por parte dos familiares, os corpos foram organizados em filas dentro de caixões e colocados em um dos salões do do Centro Municipal de Desportos.

Centenas de voluntários, entre profissionais da área da saúde e muitos anônimos, ampararam familiares no momento de despedida.

Velório de vítimas de incêndio no Centro Desportivo Municipal de Santa Maria — Foto: AFP

Enterros

No dia seguinte, a segunda-feira, 28 de janeiro, foram realizados os primeiros sepultamentos de vítimas. Os cemitérios Ecumênico e Parque Jardim Santa Rita de Cássia foram preparados durante a madrugada para receber as cerimônias.

Também houve enterros de mortos em outras cidades do estado. Cidade universitária e sede de quartéis, Santa Maria recebia jovens de diversas localidades, muitos deles vítimas do incêndio.

Enterro de vítimas do incêndio causa comoção em Santa Maria — Foto: Vinícius Costa/Futura Press

Foto: AFP

Texto: Gustavo Chagas, g1 RS

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