sábado, junho 13, 2026

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Estudante de cursinho para pessoas de baixa renda passa em medicina no Vestibular 2023 da UFPR

A estudante Maria Eduarda Martins da Silva, de 19 anos, é uma das novas calouras de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O resultado foi divulgado pela instituição na sexta-feira (13) e foram aprovados 4.410 candidatos.

Ela garantiu a vaga com o apoio de um cursinho preparatório oferecido pela ONG Vai Cair na Prova para estudantes de baixa renda. Com nota 833,478, Maria Eduarda ficou em 4º lugar na cota destinada a estudantes de escola pública com renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo per capita.

A estudante conta que após ver o resultado não acreditou que tinha passado. Ela consultou o número de inscrição para ter certeza.

A mãe dela, a diarista Vanda Martins da Silva, de 45 anos, contou emocionada sobre a conquista da filha. Maria Eduarda é a primeira da família materna a ingressar no ensino superior.

Vanda não concluiu o ensino fundamental, mas contou que a realização dela está em ver Maria Eduarda realizando o sonho de cursar medicina. O “coração de mãe” já sabia do resultado.

Para realizar o sonho Maria Eduarda participou de quatro edições do Enem. Além disso, ela estudava por conta em casa. Ela sentia, no entanto, que para passar no vestibular da UFPR precisava de um preparo melhor.

A estudante passou a pesquisar cursos preparatórios, mas ao ver os valores, pensou que jamais conseguiria ingressar em um. Foi quando ela decidiu mandar uma mensagem em um grupo de uma rede social perguntando sobre oportunidades gratuitas em Curitiba.

Através de outra jovem que havia sido aprovada em outra edição do certame da UFPR, ela conheceu o projeto da ONG Vai Cair na Prova no início do ano passado.

Após passar no cursinho, a rotina ficou mais corrida. Isso porque para ajudar nas contas de casa, ela oferecia aulas particulares de matemática.

“Passei no cursinho aí ficou mais complicado, acordava cedo para estudar alguma coisa porque eu tinha que aprontar meu irmão para ir para a escola, fazer almoço. Ia para o cursinho, passava a tarde lá e estudava até tarde da noite. No final de semana eu dava aula particular, a domicílio”, explicou a jovem.

Após meses de estudo, ela passou em engenharia mecânica na UFPR, em 2022. Ela conta que optou na época por outra área porque medicina era mais concorrida e também porque o “coração fica dividido” entre os dois cursos.

“Meu coração é dividido entre as duas, gosto muito das duas. Quis garantir a minha vaga em engenharia porque pensei que não conseguiria medicina. […] Garanti e, bom, pensei ‘é a última vez que vou tentar medicina’. Era o que eu tinha na cabeça”, explicou.

Na última sexta-feira (13), no entanto, ela foi surpreendida pela aprovação em medicina e neste ano ingressará no curso.

No que depender da mãe Vanda, apoio da família não irá faltar para ela conquistar o diploma.

G1

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