O Instituto é uma organização não governamental de caráter socioambiental que atua no resgate cultural e na preservação dos ecossistemas do litoral paranaense. A palavra “Guaju” na linguagem do povo caiçara significa “mutirão”, e essa é a ideia do Instituto, reunir um mutirão de pessoas em prol dos mesmos objetivos.
No mesmo ano de início do projeto, em um dos acompanhamentos quinzenais, os pesquisadores Fabiano Cecílio da SIlva e Marcos Wasilewski coordenados pelo então pesquisador do Museu de história natural de Curitiba, professor Pedro Scherer Netto, registraram a ocorrência da ave Guará Eudocimus ruber junto à baía de Guaratuba, um grande marco para a região que comemorou o retorno de seu símbolo que permaneceu extinta do local por mais de 80 anos.

Passados 12 anos do registro do primeiro exemplar, as saídas continuaram ao longo dos anos e hoje existem registros de aproximadamente 4.000 aves num só avistamento. O projeto atualmente tem um viés mais científico, o monitoramento da espécie é realizado pelo professor Edgar Fernandes, que assumiu o projeto em 2018 com o apoio da UFPR Setor Litoral, sob orientação da Prof.ª Dra. Juliana Quadros e apoio do Conselho da APA de Guaratuba.
Edgar Fernandes é mestrando do Programa de Desenvolvimento Territorial Sustentável da UFPR Setor Litoral e realiza sua pesquisa com os Guarás na Baía de Guaratuba.

“No momento, estou responsável pela coordenação deste projeto, que continua realizando incursões quinzenais ao interior da baía de Guaratuba no intuito de acompanhar o desenvolvimento das aves na região, no que tange a hábitos alimentares, áreas de repouso e reprodução. Alguns registros interessantes foram realizados durante o desenvolvimento do projeto, com destaque para o Guará com variação leucística, até então o único registro fotográfico e de vídeo sobre essa variação para E. ruber adulto no Brasil”, explica o professor.
Edgar Fernandes conta ainda que de maneira prática, o projeto teve como fruto a elaboração do livreto intitulado “Guará: é preciso conhecê-lo para preservá-lo”, que no próximo terá 10 mil exemplares sendo distribuídos para todas as escolas estaduais do município de Guaratuba, servindo de instrumento de Educação e Conscientização Ambiental voltado aos estudantes do litoral paranaense.
“O livreto tem sido empregado como ferramenta fundamental que nos auxilia nos trabalhos, palestras e atividades socioambientais onde o Guará Eudocimus ruber é empregado como espécie-bandeira voltada à preservação da natureza. O projeto tem gerado informações técnicas da ocorrência na baía de Guaratuba –PR”, explica Edgar.

O professor conta que desde muito jovem teve contato com a natureza e por morar próximo a áreas de Manguezal e Mata Atlântica, sempre foi instigado pelo conhecimento sobre as questões ambientais, a observação de aves surgiu como uma grande forma de conhecer as belezas da região.

“Nos últimos 5 anos tendo me dedicado de forma voluntária a passarinhar e registrar nossas aves, além de me proporcionar bem-estar este contato próximo a natureza, meus registros acabam contribuindo diretamente para o processo de Educação e Conscientização Ambiental que o Instituto Guaju tem realizado em nossa cidade, onde crianças, jovens e adultos podem conhecer espécies ímpares e corriqueiras de nossa região”, finaliza Edgar.
*Karina Mancini
