Moradora de Pontal do Paraná sonha em representar internacionalmente o Brasil no fisiculturismo feminino

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Marina Maria Kamarowski Nascimento, tem 38 anos, nasceu na capital paranaense, cresceu no litoral do estado e há 15 anos vive em Pontal do Paraná, onde além de exercer a sua profissão como advogada, também empreende e se dedica ao fisiculturismo.

A atleta conta que iniciou na musculação ainda bem jovem e aos 16 anos já sonhava em ter um corpo musculoso, o que não era comum na época. “Pouco se falava em atletas fisiculturistas mulheres e em campeonatos, o acesso à informação sobre esse universo do fisiculturismo feminino ainda era limitado, e nas academias pelas quais passei não havia gente ligada ao esporte”, relembra Marina que além da musculação dedicou-se também a outros esportes como Muay Thai, Boxe e Surf.

Marina carrega também o legado das artes marciais, e do surf em sua história. “Fui Presidente fundadora da Associação de Surf da Praia de Leste, realizando etapas importantes do Circuito Paranaense de Surf durante a minha gestão, dentre elas o Eco Festival de Surf ASPL 2009, evento que entrou para a história do referido esporte no município”, destacou a atleta. 

A trajetória oficial com o fisiculturismo começou em 2015, com o cenário já aquecido no país, a atleta começou a guardar dinheiro para estrear profissionalmente e correr todo um circuito de competições, o objetivo era chegar no Arnold South América, um importante circuito da época.

“Passei dois anos fazendo uma poupança extra para poder estrear, graças a Deus obtive vitórias importantes e cheguei lá, voltando para casa com um troféu Top 4 na mão, foi meu palco mais concorrido, tinha muita atleta boa, em grande número”, relembra.

A história de Marina com os esportes se assemelha a de muitos atletas brasileiros, que precisam usar suas economias e investir seus próprios recursos para custear as despesas e não são raras as vezes que acabam desistindo por não encontrar patrocinadores.

 A atleta conta que logo após o Arnold 2018, o dinheiro guardado para as preparações e viagens havia acabado e ela continuava sem um patrocinador que custeasse as principais despesas com o esporte. “Tinha meus valiosos apoiadores, porém jamais consegui patrocínio, mas eu estava completamente apaixonada pelas competições, e mais do que isso, pelos processos tão desafiadores de preparação”, disse Marina.

A atleta então seguiu competindo na esperança de abrir algumas portas para a tão sonhada profissionalização, e em 2019 foi campeã overall do evento Sardinha Classic em Santa Catarina, o maior show do esporte no país.

“Sem dúvida foi a minha conquista mais marcante. Imaginem minha emoção ao me tornar Campeã Overall do evento? Foi demais viver aquilo! Aí me empolguei, e acabei também indo para a segunda edição do Olympia Brazil, lá conquistando o segundo lugar na categoria, na luta pelo Pro Card”, explicou Marina.

Atualmente, a atleta segue sua jornada como representante do fisiculturismo feminino, na clássica modalidade Figure, é Bicampeã Paranaense, colecionando diversos títulos relevantes. Em 2020 Marina fez sua última tentativa de profissionalização, porém novamente dependia da primeira colocação para a obtenção do Pro Card, e acabou ficando em segundo lugar.

Depois de tantos anos de dedicação, diversos títulos e campeonatos e sem conseguir um patrocinador, a atleta decidiu dar uma pausa e focar em sua carreira como advogada, assumindo o núcleo de Assistência Jurídica Municipal de Pontal do Paraná.

Além de assumir o novo cargo, Marina segue com a carreira particular de advogada e toca seu negócio de marmitas, ela é proprietária da Marmitaria Porto Muscle que produz refeições personalizadas, para atletas e pessoas que buscam uma alimentação equilibrada.

“No momento, estou completamente focada em minha carreira, e penso que realmente o trabalho rentável sempre deve ser nossa prioridade, inclusive dependemos dele para custear nosso esporte, que é nosso estilo de vida”.

O próximo projeto é ser mãe, uma mamãe atleta, “jamais deixarei o bodybuilding, serei uma mamãe praticante dedicada a musculação, pretendo mostrar às mulheres que é possível, sim, seguir na prática do esporte durante a gestação, e manter um físico facilmente, recuperável, depois do parto, com exercícios e alimentação adequada”, afirmou.

A atleta garante que não pretende se afastar dos esportes e que tem planos de voltar aos palcos no futuro, “apesar de atleta Master que sou, retornarei aos palcos sim, até mesmo porque minha modalidade é composta de mulheres mais maduras no esporte, geralmente acima dos 35 anos de idade”.

Marina segue sonhando em um dia poder representar o Brasil como Figure num grande evento profissional internacional e, assim, realmente conseguir deixar o meu nome escrito na história do fisiculturismo feminino internacional.

*Karina Mancini/Redação

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