quinta-feira, maio 7, 2026

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Você sabia? O ser humano tem duas necessidades básicas: Amar e ser reconhecido

A humanidade vive um ciclo perigoso em sua história, com total inversão de valores”

Sobre o “Amor”… é exercitado através das relações no cotidiano. Em tempos de pandemia, um grande número de pessoas que estão em home office, ou vivem sozinhos (as), estão transitando pelo terreno da depressão. A evolução da doença vai depender de características de personalidade de cada um e habilidades desenvolvidas para lidar com situações de estresse. Nesse cenário, como exercitar o afeto? Muitos encontram atalhos, mesmo nos encontros online conseguem estreitar laços, sublimam os estados de dor canalizando suas energias para atividades físicas, culturais, trabalhos voluntários, religião etc.

Cabe ressaltar que estados depressivos não surgem do nada. Muitos têm os sintomas expostos agora, mas já estavam latentes. A pandemia só foi o gatilho. Na verdade, as pessoas com maior fragilidade psíquica, são as que mais resistem a procurar ajuda. Subestimam os sinais depressivos. Em seu entendimento, quem procura ajuda psicológica ou psiquiátrica “é louco”, em nossa cultura latina os homens com “H” sofrem mais, precisam corresponder às cobranças sociais e culturais. Depressão é uma doença e precisa ser tratada. Ter diagnóstico de depressão não desqualifica ninguém, se adote procurando ajuda.

E assim caminha a humanidade, com cada frustração, perda, falta de valorização, passam a viver no ”modo automático”, “no faz de conta”, encapsulando suas angústias mais profundas, concretizando abandonos. Não dão ouvidos à sua criança interna que pede socorro, que está assustada e presa no quarto escuro. O pedido pode estar vindo camuflado em um sintoma clínico, o corpo fala. Então de forma abrupta a disfunção química se instala, com quadros de ansiedade, transtornos alimentares, comprometimento do sono, perda da concentração, produtividade reduzida, medos irracionais, disfunção sexual, conflitos familiares, desorganização financeira, etc. com elevada produção de cortisol (hormônio do estresse). Pequenas feridas na alma, com curativos superficiais, mais dia menos dia provocam hemorragia. Quanto mais tempo se levar para procurar ajuda profissional, mais demorado será o processo de estabilização emocional.

O discurso de…não vou tomar drogas, remédios tarja preta é predominante. A ciência já comprova que a elevada produção de cortisol (hormônio do estresse), é uma bomba relógio em seu organismo, está produzindo uma droga altamente tóxica.

A pandemia trouxe à tona as vulnerabilidades individuais e de saúde pública no mundo todo. Não existem ações suficientes para contemplar o assustador e crescente número de dependências químicas; violência doméstica; abusos sexuais; assédio moral nas relações de trabalho; abandono e/ou exploração de idosos; automutilação entre os jovens; sintomas de angústia elevada que evolui para quadros de síndrome do pânico, dentre outras demandas. Ou seja, assim como se evidencia em muitas ações um olhar mais humanizado, com manifestações de solidariedade, nos levando a exercitar a empatia, nos deparamos com posições extremas de adoecimento mental, com componentes de perversidade e intolerância em todas as esferas, com manifestações exacerbadas e primitivas. 

Sobre “Ser Reconhecido”… diretamente relacionado a nossa capacidade produtiva. Seja no campo profissional como no de inteligência emocional. Considerando as mudanças inesperadas desencadeadas pela pandemia um dos fatores que mais adoeceram, principalmente as atividades educativas, foi assimilar a contento as tecnologias necessárias. A sobrecarga e inovações exigiram dos gestores de RH (Recursos Humanos) acolhimento em tempo integral. Muitos foram penalizados pela limitação, o desemprego foi e continua sendo um fantasma para quem não tem estabilidade trabalhista. O número de atestados médicos para afastamento por depressão está em patamar nunca antes visto.

Como ser reconhecido quando não há situação favorável em nenhum segmento.  Quantos têm o privilégio de ter família que exercita e valoriza os laços afetivos? Já se perguntou hoje como anda seu olhar para a humanidade?

Não precisa ir tão longe. Se não têm um olhar amoroso para os que estão ao seu redor, se não treina a empatia com parceiros de vida (família, trabalho, vizinhos, sua comunidade etc.), corre sério risco de desencadear nos mesmos a sensação de serem invisíveis, o que será um facilitador para comportamentos de risco e instalação de quadros de adoecimento. A falta de pertencimento é corrosiva.

 “o amor é terapêutico, não economize sua alma”, distribua gotas de afeto em seu trajeto. 

*Por Eidi Prieto Psicóloga
CRP 014/00168-9

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