Chefe do Ibama em Paranaguá é exonerado após reforçar a fiscalização no porto e pedir melhores condições de trabalho

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Chefe do Ibama em Paranaguá foi exonerado após reforçar a fiscalização no porto e pedir melhores condições de trabalho — Foto: Reprodução/RPC

O chefe do Ibama em Paranaguá, no litoral do Paraná, foi exonerado dias depois de emitir um relatório em que apontou ter reforçado a fiscalização no porto da cidade e de pedir melhores condições de trabalho.

A exoneração de Antônio Fabrício Vieira ocorreu na segunda-feira (19), em um documento assinado pelo superintendente do Ibama no Paraná.

A justificativa foi a necessidade de readequação da estrutura do órgão no estado.

Em um relatório, enviado no começo de abril, o então chefe do Ibama em Paranaguá informou que, no ano passado, foram vistoriadas 100% das cargas de madeira nativa a serem exportadas pelo Porto de Paranaguá.

Segundo o relatório, as cargas correspondem a um volume avaliado em R$ 301 milhões e que rendeu 792 processos.

Antônio Viera lembrou que, apesar do grande volume de demandas, a unidade conta com apenas três servidores e argumentou que precisaria de pelo menos cinco analistas ambientais para dar conta dos processos represados.

O ex-chefe do Ibama na unidade também denunciou as más condições da sede administrativa do órgão em Paranaguá.

Antônio Vieira, ex-chefe do Ibama em Paranaguá, divulgou relatório pedindo melhores condições de trabalho — Foto: Reprodução/RPC

Antônio Vieira, ex-chefe do Ibama em Paranaguá, divulgou relatório pedindo melhores condições de trabalho — Foto: Reprodução/RPC

Segundo Antônio Fabrício Vieira, o prédio, interditado pela Defesa Civil por falta de conservação e de risco para as pessoas, precisa de reforma imediata.

O ex-chefe do Ibama em Paranaguá é servidor de carreira há 26 anos e assumiu a chefia do órgão na cidade, em março de 2020. A exoneração dele , logo após a divulgação do relatório de fiscalização, surpreendeu entidades ligadas ao meio ambiente, que criticaram a decisão.

A presidência do Ibama informou que não há nenhuma relação entre a decisão de substituição e qualquer operação do órgão.

Antônio Fabrício Vieira não quis se manifestar.

Terminal de contêineres do Porto de Paranaguá — Foto: Reprodução/RPC

Terminal de contêineres do Porto de Paranaguá — Foto: Reprodução/RPC

Ambientalistas criticaram a decisão

André Petick Dias, diretor-executivo da ONG Justiça e Conservação, disse que a mudança na chefia do Ibama de Paranaguá mostra que há interferência política no setor e que isso deve prejudicar ainda mais a imagem do Brasil no exterior.

“A gente observa cada vez mais o desmonte das políticas de estado acontecendo no Paraná e no Brasil. Isso nos acende uma luz vermelha muito forte, porque a gente sabe que este tipo de atitude condena o patrimônio público natural que ainda resta”, disse.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) lamentou a saída “inesperada” de Antônio Fabrício Vieira. Segundo os procuradores, no período em que esteve no cargo, o então chefe realizou importantes esforços em favor da proteção ambiental do litoral.

José Álvaro Carneiro, que foi superintendente do Ibama no Paraná entre 2008 e 2010, disse que, na época, o órgão também não tinha uma estrutura ideal mas que o atual desmonte compromete a fiscalização.

Segundo o ex-superintendente, isso abre caminho para exportação de madeiras extraídas de forma ilegal, principalmente na Amazônia.

“Na medida em que Paranaguá está completamente ‘ao Deus dará’, qualquer mercadoria pode entrar ou sair, porque não há filtro. A exoneração é um tijolinho a mais na desestruturação do Ibama, como um todo, e quem perde com isso é o povo do Paraná e o povo brasileiro”, destacou.

G1PR

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