Brasil pede que mulheres atrasem a gravidez por medo de nova variante do coronavírus

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Trabalhadores médicos atendem pacientes no pronto-socorro do hospital Nossa Senhora da Conceição, que está superlotado por causa do surto de coronavírus, em Porto Alegre, Brasil, em 11 de março de 2021. REUTERS / Diego Vara

O Brasil pediu às mulheres na sexta-feira que atrasassem a gravidez até que o pior da pandemia passasse, dizendo que a variante do vírus que está devastando o país sul-americano parece afetar as gestantes mais do que as versões anteriores do coronavírus.

A recomendação vem no momento em que o Brasil continua a ser um dos epicentros globais da pandemia, com mais brasileiros morrendo do vírus a cada dia do que em qualquer outro lugar do mundo.

Os hospitais estão sofrendo com a pressão e os estoques de medicamentos necessários para intubar pacientes gravemente enfermos estão perigosamente baixos, com o Brasil se voltando para parceiros internacionais em busca de ajuda com suprimentos de emergência.

“Se for possível, adie a gravidez um pouco até um momento melhor”, disse Raphael Parente, funcionário do Ministério da Saúde, durante entrevista coletiva na sexta-feira.

Segundo ele, a recomendação se deve em parte ao estresse no sistema de saúde, mas também à variante brasileira mais facilmente transmissível conhecida como P.1.

“A experiência clínica dos especialistas mostra que essa nova variante atua de forma mais agressiva nas gestantes”, disse Parente.

Anteriormente, os casos de COVID-19 durante a gravidez concentravam-se no último trimestre e no nascimento, ao passo que ultimamente houve casos mais graves no segundo e ocasionalmente no primeiro trimestre, disse ele.

Parente não deu mais detalhes.

A variante P.1, descoberta pela primeira vez na cidade amazônica de Manaus, rapidamente se tornou dominante no Brasil. Acredita-se que seja o principal fator por trás de uma segunda onda massiva de infecções que elevou o número de mortes no país para mais de 350.000 – a segunda maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

O surto no Brasil está afetando cada vez mais os jovens, com dados hospitalares mostrando que, em março, mais da metade de todos os pacientes em terapia intensiva tinha 40 anos ou menos. 

O presidente Jair Bolsonaro se opôs aos bloqueios e realizou grandes eventos nos quais muitas vezes não usa máscara. Ele só recentemente adotou as vacinas como uma solução possível, mas a implementação da inoculação foi prejudicada por atrasos e metas perdidas para inocular as pessoas.

Esta semana, as vacinações foram interrompidas em várias cidades devido à falta de oferta da vacina, de acordo com a mídia local.

O aumento nos casos de COID-19 também deixou os hospitais com falta de sedativos necessários para pacientes que precisam de ventilação mecânica.

Um carregamento de emergência dos medicamentos chegou ao Brasil na noite de quinta-feira da China, enquanto as doações da Espanha devem chegar na próxima semana.

Rio de Janeiro e São Paulo deram o alarme sobre a escassez, com o secretário de saúde de São Paulo dizendo esta semana que a capacidade da cidade de cuidar de pacientes com COVID-19 gravemente enfermos está à beira do colapso.

Apesar da escassez de medicamentos e de 85% dos leitos de terapia intensiva ocupados, São Paulo anunciou nesta sexta-feira que começaria a reabrir lojas e restaurantes, dizendo que o número de novas internações caiu o suficiente para fazê-lo com segurança.

Reuters

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