Um dos últimos ourives do litoral paranaense, Almeida Prata se destaca pela exclusividade de suas peças

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Uma profissão que está se perdendo com o tempo. Sonho de ourives é ensinar ofício para arte não acabar. Foto: Paraná Praia

Quando deu os primeiros passos na direção da oficina do seu Ildo, Willian Joel Almeida Santos (Almeida Prata) só tinha 10 anos de idade. Foi há quase 25 anos. Hoje, ele ocupa uma profissão quase extinta. Ourives é o artesão que manipula o ouro e a prata, desmancha o metal, constrói novas peças, recupera joias. É um inventor de peças valiosas e únicas, propriamente dito, um artista que transforma metal bruto em objetos de arte. Profissional da ourivesaria, a arte de criar ornamentos, a partir de metais preciosos, ouro ou prata.

Curioso é ver o ouro ou a prata no estado sólido se transformar em líquido pelas mãos do ourives. Willian, por exemplo, usa uma peça de madeira (cedro) como base, por ser uma madeira resistente ao fogo, um maçarico movido a gás, alicate, e muita paciência para alcançar a transformação e a perfeição. Muitas das vezes o trabalho é feito na frente do freguês.

Em meio a uma parafernália de ferramentas, máquinas e outros instrumentos, cada um com uma função, nas mãos do ourives, foi Willian Almeida quem a reportagem encontrou em plena atividade em sua oficina. Em Pontal do Paraná, ele é o único profissional ainda em atividade.

Willian Almeida falou sobre o início do seu aprendizado e das lembranças dessa época, quando teve que aprender o ofício obrigado pela sua mãe, dona Isabet Prestes Almeida.

“São muitas lembranças, meu pai faleceu quando eu tinha dez anos de idade, minha mãe ficou sozinha com três filhos pra criar, e ela então decidiu encaminhar cada filho para o trabalho, pra aprender uma função, sendo assim minha mãe me levou para um amigo da igreja que era ourives, me lembro como se fosse hoje do primeiro dia na oficina do seu Ildo, minha mãe disse pra ele que não precisava pagar nada apenas dar a oportunidade para eu aprender um ofício, e assim foi, seu Ildo era um bom homem mas tinha seu jeito peculiar e me dizia, não vou te ensinar nada, não tenho tempo, senta, presta atenção e aprende, e foi assim que tudo começou”, completou.

E foi assim que Willian aprendeu o ofício, nunca teve salário na sua primeira oficina, mas relata que o que recebeu de conhecimento não tem preço.

“Sou muito agradecido ao seu Ildo, tenho uma profissão muito nobre e foi ele, do seu jeitinho rústico, que me ensinou, me repassou um dom, vinte e cinco anos que estou no ramo e hoje posso dizer que carrego uma bagagem grande nessa área”, destacou o ourives.

Depois que saiu da sua primeira experiência na oficina do amigo e professor, trabalhou em uma oficina de joias com uma equipe de quatro ourives, e depois disso montou a sua própria e também uma loja no município de Guarapuava, foram catorze anos com a loja, após terminar a sociedade decidiu residir no litoral do Paraná.

O artesão explicou ainda que a profissão está se perdendo com o tempo e com a industrialização do setor que hoje fabrica grande quantidade de peças em poucas horas.

“Com toda certeza é uma profissão que está ficando cada vez mais rara, devido a produção em massa de peças, o que não tem o mesmo significado para os clientes do que uma peça feita a mão, eu demoro um dia ou dois para fazer determinada peça e isso valoriza o trabalho de um artesão, aqui no litoral que eu saiba sou o único profissional. As pessoas ficam encantadas com as peças fabricadas artesanalmente, exclusivas e com muito carinho e dedicação”, afirmou.

Willian Almeida falou a reportagem do Paraná Praia sobre o processo de construção. “O processo inicia pegando o metal, que é a prata ou ouro, fazendo a fundição com oxigênio e gás, derretendo, transformando em barra e da barra vamos para o laminador, depois pra banca de madeira e daí começa todo o processo manual, montagem, corte, até o processo de solda, limar, lixar e o polimento final”, disse ele.

O ourives finalizou dizendo que atualmente sua pasta de clientes fixos é muito boa, com pessoas de Matinhos, Paranaguá, que procuram o trabalho pois dão valor ao trabalho exclusivo e artesanal.

“Temos muitos clientes graças a Deus, e todos que passam por aqui uma hora voltam ou trazem amigos, porque tem muita diferença você usar uma peça artesanal, com certeza tem muito mais valor. Quero agora me aperfeiçoar, fazer cursos, montar uma outra loja aqui no litoral com uma produção maior também. Meu grande sonho é ter uma escola de ourives pra ensinar a profissão que é tão nobre, garantindo assim o futuro de outras pessoas, ajudando jovens que assim como eu tiverem interesse nesse ramo”, finalizou.

Para entrar em contato com o ourives Willian Almeida, mais conhecido como Almeida Prata, pode ser pelo Whatsapp: 41-9767-8449; pelo Facebook: https://www.facebook.com/almeida.prata.35 ou pelo https://www.instagram.com/almeidaprata925/

Veja mais trabalhos aqui:

Saiba mais

A profissão de ourives ainda é bastante comum ao redor do mundo, porém não possui o mesmo glamour que outrora. Durante a Idade Média, por exemplo, os ourives eram considerados profissionais de enorme prestígio entre a realeza.

A arte da ourivesaria pode ser considerada uma das profissões mais antigas do mundo. Alguns registros mostram que há 2.500 a.C. (cerca de 4.500 anos atrás) já se fabricavam joias e outros ornamentos feitos artesanalmente com ouro.

Os egípcios antigos eram mestres na produção de ornamentos feitos com ouro, objetos que possuem uma riqueza enorme de detalhes e que são considerados valiosas relíquias nos dias de hoje.

Paraná Praia

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