Prefeitura de Pontal do Paraná recebe R$ 3 milhões e vereadora cobra transparência dos gastos, mas pedido é derrubado pela Câmara

0
815
Maioria dos vereadores rejeitou a solicitação que pedia a transparência dos gastos. Foto/arquivo Câmara de Pontal do Paraná

por Luiza Rampelotti

Assim como em Paranaguá, em Pontal do Paraná a Câmara Municipal também rejeitou um pedido de informação que fiscalizaria a utilização dos valores recebidos pelo Município, por meio da União e Estado, para o combate à pandemia do coronavírus (Covid-19). A solicitação feita pela vereadora Rosiane Rosa Borges (MDB), conhecida como Nega, foi derrubada na sessão de terça-feira (07) pelo voto da maioria dos parlamentares.

Protocolado na Câmara desde o dia 30 de junho, o Pedido de Informação nº 02/2020 teve o apoio dos vereadores Sinedir da Rosa Cardozo (PSC), o Sene, e Patricia Millo Marcomini (MDB), e tinha a intenção de questionar o prefeito Fabiano Alves Maciel, o Binho, se a prefeitura aderiu ao Programa do Governo Federal de Enfrentamento ao Coronavírus (Lei Complementar nº 173/2020) e, se sim, qual o valor destinado ao município.

Além disso, ela solicitava informações a respeito do total de valores recebidos, tanto do Estado do Paraná, quanto da União ou de outros órgãos/entidades, para o enfrentamento ao coronavírus, bem como a destinação dos recursos, com a apresentação de planejamento ou documentos que comprovem a utilização do montante ou no que se pretende destinar. A vereadora também questionou de como se dará a publicidade desses gastos.

Fora isso, Nega perguntou em relação à estimativa de impacto nas despesas com gastos com pessoal do município, uma vez que, segundo ela, o artigo 8º da Lei Complementar nº 173/2020 proíbe, até 31 de dezembro de 2021, que os municípios que aderiram ao Programa do Governo Federal concedam aumento, reajuste ou adequação a servidores públicos; criem cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa; admitam ou contratem pessoal; realizem concurso público; criem auxílios, vantagens, bônus, abonos ou benefícios em favor dos servidores e etc.

Secretária de Saúde fala a respeito dos R$ 3 milhões

Com cinco votos contrários ao Pedido de Informação e três favoráveis, a solicitação foi derrubada. A justificativa para a rejeição foi de que no dia anterior, segunda-feira (06), a secretária municipal de Saúde, Patrícia Pinheiro da Silva, enviou um ofício em que respondia aos questionamentos.

O Ofício nº 967/2020 informa “como serão utilizados os recursos provenientes do Governo Federal”. De acordo com ela, Pontal do Paraná recebeu quase R$ 3 milhões (R$ 2.972.060,94), por meio do programa federativo, que serão usados no Pronto Atendimento 24 horas e nas Unidades Básicas de Saúde.

O detalhamento da destinação do recurso mostra que, desse valor, R$ 378.860,94 será destinado às Obrigações Patronais; R$ 1.762.320 milhão aos Vencimentos e Vantagens (pessoal civil); R$ 276.960 mil para aquisição de Materiais de Consumo; R$ 276.960 mil para obter Outros Serviços de Terceiros e R$ 276.960 mil para adquirir Equipamentos e Material Permanente.

Os Vencimentos e obrigações vão ser utilizados para pagar salários dos profissionais que estão na linha de frente do combate à Covid-19; Material de Consumo para aquisição de medicamentos (vitamina C, ivermectina, azitromicina e zinco) e EPIs; Outros Serviços de Terceiros para pagamento de laboratórios (exames de hemograma e PCL) e exames de imagem (tomografia e raio-x); Equipamentos e Material Permanente para respiradores, macas, suporte de soro e compra de contêineres que serão utilizados para atendimento aos pacientes com suspeita”, explica Patrícia.

Vereadora diz que recurso não era necessário

Para a vereadora Nega, o pedido de informação não foi respondido em sua totalidade. “Os vereadores da base disseram que tinham as informações, mas só foi lida a destinação dos três milhões de reais, porém, as demais informações não vieram e então mantive o pedido, que foi rejeitado”, diz.

Vereadora Nêga Borges (MDB) de Pontal do Paraná. Foto: Reproduçao

Segundo ela, não era necessário que o Executivo aderisse ao programa federal, uma vez que o município tem um orçamento de R$ 160 milhões.

Esse dinheiro, quando o governo Federal mandou, os municípios teriam que informar se iriam ou não pegar. Em uma conversa inicial com o prefeito Binho, ele disse que não pegaria, mas em uma sessão descobri que foi pego e que já havia recebido a primeira parcela. Só que a gente sabia que se pegasse esse dinheiro, seria necessário congelar o salário do servidor, e temos um orçamento grande hoje, não era necessário. Mas ele simplesmente pegou os R$ 3 milhões e, hoje, alega que se não tivesse participado poderia prejudicar todas as prefeituras do Paraná. Mas a lei não diz isso”, explica.

Agora, a vereadora questiona a respeito do planejamento de investimento do valor. “Pegar um dinheiro sem planejamento é a mesma coisa que jogar no lixo. Não temos hospital, nem hospital de campanha, nem testes suficientes para a população e nem para os servidores, então por que pegar? Fiz o pedido porque gostaria de saber onde será investido esse recurso, pois com o orçamento que temos, aceitar mais esse valor, é sinal de que tem que ter um planejamento muito bom”, conclui Nega.

JB Litoral

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.