Aplicativo gerado por pesquisa brasileira monitora uma Rede Geodésica Digital

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Aplicativo produzido por grupo de pesquisa brasileiro, liderado por Alexandre Bernardino Lopes, implanta uma Rede Geodésica Digital (RGD) de livre acesso do Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP), litoral do Paraná. Esta rede busca definir os parâmetros geodésicos e avaliar a resiliência das comunidades do Complexo frente às adversidades climatológicas, tais como a elevação do nível do mar. Os primeiros marcos já foram instalados nos municípios de Guaraqueçaba e Pontal do Paraná.

Todo o trabalho de campo da Rede Geodésica do Litoral do Paraná (RGLP) é conduzido por uma equipe do Campus Avançado do Centro de Estudos do Mar da UFPR. A iniciativa é executada por pesquisadores do Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paraná (CEM-UFPR) e da (UNIPAMPA), no âmbito do projeto “Resiliência Socioecológica e Sustentabilidade do Complexo Estuarino de Paranaguá” apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sob coordenação de Maikon Di Domenico, Paulo Lana, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e André Cattani, bolsista de Desenvolvimento Tecnológico Industrial. O sistema computacional foi desenvolvido pelo LabSIM da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). 

Uma rede geodésica consiste numa série de pontos georreferenciados, estáveis e identificáveis. Redes geodésicas funcionam como um sistema de referência padronizado para diversas aplicações muito práticas. Elas são, por exemplo, essenciais para trabalhos de engenharia que envolvam o correto posicionamento de estruturas, levantamentos topográficos e geodésicos adequados, monitoramento confiável de inundações e de erosão em encostas, ou a realização de perfis de praia, para obras costeiras.

As redes geodésicas brasileiras são mantidas por diversos órgãos, principalmente o IBGE, que disponibiliza informações em seu site. Outras redes são mantidas por municípios e empresas. “Esse modelo, que disponibiliza os dados em páginas da internet ou na forma impressa, não permite a consulta e recuperação das informações em tempo real ou de forma fácil e prática”, explica Alexandre Bernardino Lopes, da UFPR.

Segundo o pesquisador, a implantação da Rede Geodésica do Litoral do Paraná (RGLP) supre uma grande lacuna na região, em especial nas ilhas e nas comunidades pesqueiras, que carecem deste tipo de referenciais. “Uma rede deste tipo vai possibilitar, por exemplo, trabalhos de monitoramento ambiental e de construção de cenários de subida do nível do mar e de inundação diante das mudanças climáticas projetadas”, completa.

A ferramenta permite o acesso e gerenciamento de um banco de dados, em uma página web por usuários cadastrados. Isto pode ser feito por meio de um aplicativo para consulta de vértices através de dispositivos móveis, como tablets e celulares. O aplicativo permite igualmente a consulta offline dos dados cadastrados na rede, ou seja, sem a necessidade do dispositivo estar conectado à internet. Foi também desenvolvida uma metodologia para identificar e consultar os vértices através de um QR-Code em placas fixadas em uma base de concreto em cada ponto da rede.Atualmente, o sistema está em fase final de testes, com o cadastramento de pontos geodésicos nas cidades de Ariquemes-RO, Itaqui-RS, Maçambara-RS e Natal-RN.

No litoral do Paraná, foram cadastrados nos balneários de Atami, Mirasol, Pontal do Sul e Shangri-lá, todos pertencentes ao município de Pontal do Paraná. No município de Guaraqueçaba, foram instalados nas comunidades do Almeida, Guapicum e Medeiros.

Assessoria


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