Médica é afastada do SUS acusada de cobrar até R$ 9 mil de pacientes para furar fila de atendimentos, no Paraná

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Esquema é investigado pela Operação Mustela; médica de Campina Grande do Sul e outros agentes públicos foram denunciados por cobrar vantagens, se aproveitando das funções.

A Justiça afastou uma médica ortopedista das atividades do Sistema Único de Saúde (SUS), em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Ela é acusada de cobrar até R$ 9 mil por paciente, para furar a fila de atendimentos no Hospital Angelina Caron.

O caso foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), pela Operação Mustela, que investiga um esquema de cobranças indevidas por parte de médicos e agentes públicos para priorizar procedimentos na rede pública.

Ainda segundo a denúncia, uma ex-servidora comissionada da Prefeitura de Francisco Beltrão e um ex-assessor comissionado da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) utilizavam das posições políticas para favorecer os pacientes que pagavam pelos procedimentos, na fila do SUS.

A denúncia foi aceita pela Justiça na quinta-feira (10). Além do afastamento da médica, o juiz Ernani Mendes Silva Filho determinou que os dois agentes públicos sejam proibidos de manter contato com vítimas e testemunhas do processo.

Os três foram denunciados pelo crime de concussão, que trata de exigir vantagem em razão da função que exerce.

A médica Karen Yurimi Kume, conforme a decisão, “cobrava pelos procedimentos cirúrgicos e consultas que, em tese, eram custeados pelo SUS, valendo-se, para tanto, de sua função dentro de hospital como médica. Além disso, prometia favorecer o paciente ao dar prioridade de atendimento na fila do SUS”.

Como funcionava o esquema

O esquema apurado pela Operação Mustela começou a ser investigado em 2017. Segundo o Ministério Público, no esquema, pacientes que esperavam por cirurgias, procuravam políticos e assessores que tinham contatos com médicos de várias especialidades.

Ainda conforme as investigações, os médicos davam prioridade para os pacientes indicados, mas cobravam pelos procedimentos que deveriam ser feitos de graça, pelo Sistema Único de Saúde.

Os procedimentos cobrados ilegalmente, de acordo com as investigações, eram feitos nos hospitais São Lucas e do Rocio, em Campo Largo, também na Região de Curitiba, e no Hospital Angelina Caron.

As cobranças indevidas, no esquema para furar a fila do SUS no Paraná, ultrapassaram R$ 100 mil, segundo o MP-PR.

Cobranças indevidas em esquema para furar fila do SUS no Paraná ultrapassaram R$ 100 mil, diz MP — Foto: Reprodução/RPC

Cobranças indevidas em esquema para furar fila do SUS no Paraná ultrapassaram R$ 100 mil, diz MP — Foto: Reprodução/RPC

Outro lado

A médica e os outros dois acusados não têm advogados constituídos no processo.

A determinação suspendeu somente os atendimentos da médica pelo SUS. Conforme o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Karen continua com cadastro ativo para exercer as atividades médicas na rede particular.

O Hospital Angelina Caron informou que ainda não foi notificado formalmente, mas que, após consulta ao processo, suspendeu os atendimentos realizados pela médica, de acordo com a decisão judicial.

O hospital informou ainda que tomará as providências necessárias para o cumprimento da decisão e ressaltou que atua dentro dos princípios da ética e do absoluto respeito ao ordenamento legal.

G1

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