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Banco de Olhos de Maringá suspende captação de córneas por falta de produto que conserva os tecidos

Segundo a instituição, Estado tem enviado conservantes suficientes para dez captações, mas banco coleta até 25 córneas por mês. Em seis dias, cinco doações foram perdidas por causa do desabastecimento.

O Banco de Olhos de Maringá, no norte do Paraná, suspendeu a captação de córneas para transplante por falta do produto químico que conserva os tecidos coletados, segundo a direção do hospital.

A suspensão foi anunciada no dia 18 de setembro, quando os conservantes acabaram no banco, e nesta terça-feira (24) completa seis dias.

De acordo com o Banco de Olhos, o produto se esgotou porque a Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa) tem enviado menos frascos do que o necessário.

“Não temos como manter, porque o conservante é o que vai manter o tecido das córneas viável até o receptor, que é o paciente que está esperando para ser transplantado”, afirmou a coordenadora do Banco de Olhos, Kerla Santos.

O banco realiza a captação de 20 a 25 córneas por mês, mas segundo a direção o Estado envia frascos do produto suficientes para realizar de seis a dez captações. O que falta acaba sendo bancado pela própria instituição.

Produto é capaz de conservar tecidos oculares por até 14 dias — Foto: Reprodução/RPC

Produto é capaz de conservar tecidos oculares por até 14 dias — Foto: Reprodução/RPC

Segundo Kerla Santos, cinco córneas deixaram de ser coletadas desde que a suspensão foi anunciada.

“A gente perdeu umas cinco doações, em média, dez córneas, mas infelizmente não temos de onde tirar os recursos financeiros enquanto o estado não puder nos ajudar”, afirmou.

Cada doação atende até quatro pessoas. A fila de espera por doações de córneas no Paraná é de 280 pessoas.

O produto químico é capaz de conservas os tecidos oculares doados por até 14 dias.

O que diz o Governo do Estado

A Secretaria de Saúde afirmou que a situação já está resolvida e que está realizando adequações no processo licitatório do conservante para tecidos oculares para garantir a continuidade do serviço.

A Sesa informou que a realidade do fornecimento do material “atualmente onera substancialmente o erário, por conta de valores que atendem tão somente os interesses de fornecedores, mas que estão em desacordo com aquilo que é praticado e balizado pela tabela do Sistema Único de Saúde”.

A secretaria afirmou que não há justificativa para a interrupção dos serviços “ainda mais tratando-se de um assunto de tamanha importância e sensível aos paranaenses” e que “o interesse público está acima de qualquer obstáculo que eventualmente tenha ocorrido”.

Segundo a Sesa, o Paraná é o líder em transplante de órgãos no país.

G1PR

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