Neurologista vê possibilidade de tratar autismo antes do diagnóstico: ‘quase uma prevenção’

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Cofundador do TEAbraço em Ribeirão Preto, Carlos Gadia fala da importância dos sinais de alerta e explica mudança na concepção do transtorno, além de criticar falta de profissionais qualificados no Brasil.

Autismo não é doença. É uma síndrome de origem genética que afeta, em diferentes níveis, a cognição, o comportamento e a interação e que é mais comum do que se imaginava, com a prevalência em uma a cada 59 crianças em países como Estados Unidos e Coreia do Sul, segundo o neurologista Carlos Gadia, um dos maiores especialistas do mundo no assunto.

O médico cofundador da Semana Internacional do Autismo (TEAbraço), e que encerra a quarta edição do evento neste sábado (6) em Ribeirão Preto (SP), esclarece as principais mudanças na concepção do transtorno do espectro do autismo (TEA), desafios como a falta de profissionais capacitados nos hospitais e escolas e expectativas em torno das inovações médicas voltadas ao diagnóstico e ao tratamento.

“A ideia é identificar esses sinais de alerta muito precocemente e começar já com o tratamento antes que o diagnóstico de autismo seja feito. Seria quase uma prevenção ao autismo. É nesse caminho que a gente quer entrar: em direção à identificação tão precoce que a gente vai poder prevenir o desenvolvimento do autismo”, diz.

Nascido e formado em medicina em Porto Alegre (RS), foi nos Estados Unidos que o neurologista ficou conhecido como um dos principais nomes no tratamento de autistas. Diretor associado do Miami Children’s Hospital Dan Marino Center, o neurologista estima ter tratado mais de 9,1 mil crianças em 20 anos de uma carreira que seguiu por acaso e influência do pediatra Roberto Tuchman, considerado um dos maiores pesquisadores do autismo no mundo.

Hoje, além dos atendimentos nos EUA, onde também é professor em diferentes universidades, Gadia atua junto a organizações não governamentais e na realização de eventos como o TEAbraço, tendo em mente que o esclarecimento é o melhor caminho para lidar com a síndrome, que atinge em torno de 2 milhões de crianças no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Crianças em um dos espaços da Semana Internacional do Autismo, em Ribeirão Preto (SP)  — Foto: Simone Meirelles

Crianças em um dos espaços da Semana Internacional do Autismo, em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Simone Meirelles

O neurologista ressalta que uma sociedade cada vez mais conectada às mídias digitais tem tornado a rotina de uma pessoa com autismo muito melhor do que em relação a décadas passadas.

O especialista também enxerga, aos pacientes que chegam à fase adulta como funcionais e independentes, uma mercado de trabalho aberto ao que ele denomina de “ilhas de excepcionalidade”, ou seja, capacidades acima da média em conhecimentos como matemática e física em que, geralmente, autistas se destacam em relação aos demais.

“Existe uma série de coisas que são habilidades especiais que fazem com que elas sejam por exemplo muito interessantes do ponto de vista de trabalho em indústrias de computação que precisam estabelecer programas novos de alta sofisticação”, afirma.

G1

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