Gaeco cumpre 17 mandados de busca e apreensão em 12 cidades do estado pela Operação Quadro Negro

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Ação faz parte da segunda etapa da 6ª fase da operação. Segundo Ministério Público, 40 empresários são investigados.

O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpre 17 mandados de busca e apreensão, na manhã desta quinta-feira (8), contra empresários investigados por envolvimento em irregularidades em obras de reforma e construção de escolas estaduais do Paraná, entre 2011 e 2015.

A ação faz parte da segunda etapa da 6ª fase da Operação Quadro Negro iniciada nesta quarta-feira (7), quando 32 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Nesta quinta-feira, os alvos são cumpridos em 12 cidades diferentes do interior do estado: Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Pitanga, Cascavel, Ponta Grossa, Paranavaí, Itaipulância, Pato Branco, Tomazina, Umuarama e Realeza.

Os alvos são empreiteiros que participaram e venceram licitações, e são suspeitos de pagar propina a agentes públicos em troca de vantagens em contratos. A investigação aponta irregularidades em cerca de 50 obras em escolas estaduais.

Ao todo, somando as duas etapas desta fase da Quadro Negro, 40 empresários são investigados.

Primeira etapa

As buscas da primeira etapa da 6ª fase da operação, realizada desta quarta-feira, foram feitas nas residências de 29 empresários, na casa de dois ex-servidores públicos e nas sedes de quatro empresas.

Os mandados foram cumpridos em Curitiba, Cascavel, Castro e Campo Largo. Foram apreendidos celulares, computadores e documentos. Na casa de um dos alvos, foram apreendidos 6,6 mil dólares.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro cidades do estado no primeiro dia de ações do Gaeco — Foto: Reprodução/RPC

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro cidades do estado no primeiro dia de ações do Gaeco — Foto: Reprodução/RPC

A ação não teve mandados de prisão em aberto, mas quatro pessoas foram presas ao longo das ações: uma por desacato a autoridade, uma por posse de munição e outras duas por porte ilegal de armas.

Esquema

Esta fase da Operação Quadro Negro foi baseada na delação premiada feita pelo ex-diretor da Secretaria de Educação do Paraná Maurício Fanini.

De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o esquema era chefiado pelo então governador Beto Richa (PSDB) e desviou pelo menos R$ 20 milhões.

Segundo os promotores, um núcleo de operadores ligados a Richa recebia para favorecer empresas contratadas pelo governo. De acordo com a denúncia, em contrapartida, as empresas eram pagas por obras que mal saíram do papel.

Na delação premiada, Fanini afirmou que parte do dinheiro desviado das escolas foi para uso pessoal do ex-governador.

Ao todo, sete processos criminais integram a operação. Beto Richa é réu em três deles, pelos crimes de corrupção passiva, obter vantagem e prorrogação indevida em contrato de licitação, obstrução de justiça e organização criminosa. Ninguém foi condenado.

O que dizem os citados

A Secretaria da Educação do Paraná (Seed) informou que foi a primeira a investigar os indícios de disparidades em medições de obras de escolas. “Foi aberta auditoria interna para apuração da situação e os dados foram então encaminhados à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas, para que cada órgão tomasse as providências cabíveis”, informou a Seed.

De acordo com a secretaria, a atual gestão retomou 80% das obras de escolas envolvidas na Quadro Negro e “se cercou de todos os cuidados necessários atendendo ao programa de Integridade e Compliance do implantado neste governo”.

Segundo o governo, o programa visa a adoção de um conjunto de medidas, mecanismos e procedimentos internos para a prevenção, detecção e remediação de práticas que podem configurar irregularidades e desvios éticos e de conduta.

A secretaria informou que as ações envolvem todos os servidores, colaboradores e agentes públicos estaduais, além de fornecedores e terceiros que se relacionam com o estado.

G1

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