Interrogatório começou por volta das 9h15 e terminou na tarde desta segunda-feira (17). Rapaz de 35 anos foi morto durante perseguição policial em 12 de maio.
Os três policiais militares envolvidos na perseguição que acabou com a morte de Andrei Francisquini na Praça da Espanha,em Curitiba, foram ouvidos nesta segunda-feira (17) na 2ª Companhia da Polícia Militar (PM). Essa foi a primeira vez que eles foram interrogados sobre o ocorrido.
O interrogatório começou por volta das 9h15 e terminou no início da tarde. Eles seriam interrogados no dia 22 de maio, porém, foram dispensados.
Na época, a defesa dos policiais alegou que a dispensa ocorreu devido ao fato de “se encontrarem afastados dos serviços burocráticos e operacionais com a finalidade de acompanhamento médico-psicológico”.
Além desse Inquérito Policial Militar apurando o caso, há a investigação da Polícia Civil, que está sob o comando da delegada Daniela Corrêa Antunes Andrade.
O que dizem os advogados
“Eu acredito que o caminho do arquivamento é a medida que se impõe, porque tudo indica: perícias, os depoimentos, o agir do Andrei. Recomendo o arquivamento do caso”, afirmou Cláudio Dalledone Junior, advogado dos PMs, nesta segunda-feira.
Por meio de nota, o advogado Paulo Cristo, que representa a família de Andrei, disse que é esperado que os policiais militares mantenham a mesma versão apresentada no Boletim de Ocorrência – que o rapaz portava arma de fogo e, por isso, houve a perseguição.
Na nota, o advogado afirmou esperar que a Corregedoria da PM “atue na maior imparcialidade”. * Leia, no fim da reportagem, a íntegra da nota enviada pelo advogado Paulo Cristo.
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Policiais são interrogados, nesta segunda-feira (17), na 2ª Companhia da PM — Foto: Helen Anacleto/RPC
A perseguição policial
A perseguição policial aconteceu na madrugada de 12 de maio. Andrei Gustavo Orsini Francisquini tinha 35 anos e estava sozinho no carro quando foi abordado pelos PMs, na Avenida Vicente Machado.
A perseguição terminou na Praça da Espanha, e o rapaz morreu antes da chegada do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). No dia, a PM informou que Andrei foi morto porque fugiu e portava uma arma. A família dele nega que ele estivesse armado.
Laudos da Polícia Científica
Um laudo da Polícia Científica do Paraná revelou que Andrei não estava sob o efeito de álcool nem de drogas quando morreu.
A partir desse laudo, os advogados dos PMs disseram que o exame “comprova que a ação dos policiais foi correta porque, não estando bêbado e nem sob efeito de drogas, Francisquini fugiu porque portava uma arma”.
A defesa de Andrei não se manifestou em relação a esse laudo.
Outro laudo da Polícia Científica analisou três pistolas e os carregadores dos policiais militares. De acordo com o laudo, é possível afirmar que os tiros foram disparados de, pelo menos, duas armas diferentes de policiais militares.
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Imagens de câmeras de segurança mostram o empresário Andrei Francisquini ao tentar fugir da abordagem de policiais militares — Foto: Reprodução/RPC
O que mostram as imagens
Imagens de câmeras de segurança mostram quando um carro da PM tenta bloquear a saída do carro onde o empresário estava. Andrei fugiu com o veículo em marcha ré. Ele atingiu a lateral de um carro que estava estacionado e também do carro dos policiais.
O vídeo mostra um policial saindo do carro e quase sendo atingido pelo carro de Andrei. A rua que aparece no vídeo é a Fernando Simas, onde Andrei foi morto.
Segundo a família, o motorista agiu por medo, devido à quantidade de policiais.
A mãe do empresário relatou que o filho pode ter fugido da abordagem policial por estar com a prestação do carro atrasada e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) vencido.
Na data da ocorrência, a PM disse que o carro de Andrei foi abordado na Avenida Vicente Machado. Conforme a polícia, Andrei não acatou a ordem de abordagem e acelerou o veículo de maneira brusca. Ainda de acordo com a nota da PM, os policiais iniciaram um acompanhamento tático.
O Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado pela PM sobre o caso, aponta que, na Praça da Espanha, o veículo foi cercado. A PM informou que o motorista reagiu como se fosse atirar. Ele foi baleado e morreu no local.
Ainda conforme o boletim, o carro foi atingido por 16 tiros, disparados por três policiais. No carro do empresário, segundo a polícia, uma pistola, que estava com o motorista, foi apreendida. A família de Andrei nega que ele estivesse com uma arma.
Outras imagens de câmeras de segurança mostram que, já na Avenida Vicente Machado, a equipe policial efetuou disparos contra o carro de Andrei. O vídeo contraria a informação repassada pela PM no dia do ocorrido.
Nessas imagens, é possível ver veículo de Andrei estava parado, quando foi cercado pelos PMs.
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Andrei Francisquini tinha 35 anos — Foto: Arquivo pessoal
Leia a íntegra da nota enviada pelo advogado da família de Andrei
“A família Francisquini já esperava que os policiais militares, ao serem ouvidos pela Corregedoria da Polícia Militar, manteriam a mesma versão dos fatos narrados no boletim de ocorrência de que Andrei Francisquini portava arma de fogo naquela ocasião e, por conta disso, iniciaram a perseguição que resultou na sua morte.
No entanto, este procedimento é meramente administrativo e poderá resultar ou não da demissão dos militares, caso o oficial que conduz as investigações entender que houve imperícia e negligência, além de abuso e excesso naquela operação, por certo a sanção administrativa será a da demissão dos policiais.
Por outro lado, o inquérito presidido pela Dra. Daniela do 3º Distrito, que tem realizado um excelente trabalho sendo imparcial e agindo com total responsabilidade, é de suma importância para revelar todo o ocorrido que resultou na morte de Andrei Francisquini. Neste Inquérito a perícia já descartou qualquer manuseio da arma pelo Andrei, revelou que os policiais deram 5 tiros contra o Andrei em plena Vicente Machado, fato omitido no BO. Agora resta descobrir como aquela arma foi parar na cena do crime e se os policiais militares agiram no estrito dever da profissão, se praticaram excesso ou cometeram um homicídio, alteraram as provas do crime para se beneficiarem.
Portanto, quanto ao procedimento conduzido pela Corregedoria da Polícia Militar, a família só espera que a instituição, Polícia Militar, seja preservada e, que, a Corregedoria atue na maior imparcialidade no que tange a aplicação das sanções previstas no caso em que resultou a morte de um trabalhador, registrado pelas câmeras localizadas em nossa cidade.
Dr. Paulo Cristo”
G1
