domingo, maio 31, 2026

InícioPolíciaDelegada solicita que arma que PM diz ser de rapaz morto em...

Delegada solicita que arma que PM diz ser de rapaz morto em perseguição, em Curitiba, seja periciada

Andrei Gustavo Orsini Francisquini foi morto por soldados na madrugada de 12 de maio, na Praça da Espanha.

A delegada Daniela Corrêa Antunes Andrade, da Polícia Civil, afirmou nesta quinta-feira (23) que solicitou que a arma que a Polícia Militar (PM) diz ser de Andrei Gustavo Orsini Francisquini seja periciada. O rapaz de 35 anos foi morto durante uma perseguição policial que terminou na Praça da Espanha, em Curitiba.

“A família do Andrei alega que seria praticamente impossível que ele tivesse uma arma, que ele era avesso a armas. A gente então solicitou a realização de perícia para ver se encontra digitais do Andrei no carregador, na munição, de manuseio dele, de uma arma que seria dele”, disse a delegada.

A PM afirmou ter encontrado, no carro de Andrei, uma pistola e que ele reagiu como se fosse atirar nos policiais. O caso aconteceu na madrugada de 12 de maio.

Perícia pode ser inconclusiva

Contudo, a delegada explicou que o resultado da perícia pode ser inconclusivo devido ao fato de a arma ter sido recolhida pelos policiais militares e desmuniciada, ou seja, teve a munição retirada. Ela ainda disse que esse é um procedimento normal nesse tipo de situação.

“No Boletim de Ocorrência, os policiais informam que a vítima ainda tinha sinais vitais então foi acionado o Siate [Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência] para socorro e recolhida a arma do colo dele para segurança de todos que estavam ali no momento. Essa arma foi desmuniciada pelos policiais militares e entregue ao perito assim. Então, ela foi manuseada, talvez fique mais difícil encontrar as impressões digitais”, afirmou a delegada.

De acordo com a delegada, no dia dos fatos, a arma foi levada ao Instituto de Criminalística. Agora, foi encaminhada ao Instituto de Identificação para a realização de uma perícia datiloscópica – que é um processo de identificação por meio das impressões digitais.

A Polícia Civil informou que a perícia na arma atribuída a Andrei levará cerca de uma semana.

Investigação da Polícia Civil

A delegada ainda disse que as armas dos policiais militares foram recolhidas pela própria PM e que solicitou o encaminhamento dessas armas para o Instituto de Criminalística, para a realização de perícia competente.

A Polícia Civil instaurou um inquérito, no dia seguinte à morte de Andrei, para investigar esse caso, que está sob o comando do 3º Distrito Policial (D.P).

“Nós já recebemos o laudo de exame de local, que foi realizado pelo perito que compareceu no momento em que o fato ocorreu. Temos já a oitiva de familiares da vítima e algumas testemunhas”, relatou a delegada.

Ela explicou que também está juntando imagens das câmeras de segurança dos locais por onde houve a perseguição, desde o primeiro momento até o último.

Além disso, a delegada disse que mais depoimentos devem ser colhidos e que aguarda todos os laudos solicitados ao Instituto Médico-Legal (IML), à Criminalística e ao Instituto de Identificação.

“Os soldados serão ouvidos ao final, depois que a gente tiver elementos de prova suficientes para poder fazer as perguntas coerentes”, afirmou a delegada.

PMs afastados

Os três PMs envolvidos na perseguição foram afastados das atividades para tratamento psicológico, conforme os advogados Cláudio Dalledone Junior e Eduardo Zanoncini Miléo, defensores dos soldados.

Os três seriam interrogados na quarta-feira (22) no Inquérito Policial Militar, instaurado para apurar o caso.

Porém, os policiais militares foram dispensados devido ao fato de “se encontrarem afastados dos serviços burocráticos e operacionais com a finalidade de acompanhamento médico-psicológico”.

Sobre a dispensa dos soldados, a PM informou que “houve uma inversão nos atos processuais devido a um policial militar estar doente”.

A PM afirmou que a dispensa não vai influenciar o andamento do inquérito e que os três policiais “serão ouvidos oportunamente”.

Rapaz que morreu em abordagem policial, em Curitiba, dirigia esse carro — Foto: Dayana Bueno/RPC

Rapaz que morreu em abordagem policial, em Curitiba, dirigia esse carro — Foto: Dayana Bueno/RPC

O que mostram as imagens

As imagens mostram quando um carro da PM tenta bloquear a saída do carro onde o empresário estava. Francisquini fugiu com o veículo em marcha ré. Ele atingiu a lateral de um carro que estava estacionado e também do carro dos policiais.

Segundo a família, o motorista agiu por medo, devido à quantidade de policiais.

A mãe de Andrei relatou que o filho pode ter fugido da abordagem policial por estar com a prestação do carro atrasada e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) vencido.

Andrei Gustavo Orsini Francisquini — Foto: Arquivo pessoal

Andrei Gustavo Orsini Francisquini — Foto: Arquivo pessoal

Na data da ocorrência, a PM disse que o carro de Andrei foi abordado na Avenida Vicente Machado. Conforme a polícia, Andrei não acatou a ordem de abordagem e acelerou o veículo de maneira brusca. Ainda conforme a nota da PM, os policiais iniciaram um acompanhamento tático.

O B.O. registrado pela PM sobre o caso, aponta que, na Praça da Espanha, o veículo foi cercado. A PM informou que o motorista reagiu como se fosse atirar. Ele foi baleado e morreu no local.

Ainda conforme o boletim, o carro foi atingido por 16 tiros, disparados por três policiais. No carro do empresário, segundo a polícia, uma pistola, que estava com o motorista, foi apreendida. A família de Andrei nega que ele estivesse com uma arma.

Outras imagens de câmeras de segurança mostram que, já na Avenida Vicente Machado, a equipe policial efetuou disparos contra o carro do empresário.

G1




ARTIGOS RELACIONADOS

MAIS POPULARES