Andrei Gustavo Orsini Francisquini, de 35 anos, morreu em um suposto confronto na madrugada de domingo (12)
A defesa da família do jornalista e publicitário Andrei Gustavo Orsini Francisquini, que morreu durante uma abordagem na Praça da Espanha, em Curitiba, nega que ele estava armado ou que tomou qualquer atitude que justificasse a ação da Polícia Militar (PM). O rapaz, de 35 anos, foi atingido por vários tiros em um suposto confronto policial na madrugada deste domingo (12).
Segundo o advogado da família do jornalista, Paulo Cristo, existem inconsistências entre o que está no Boletim de Ocorrência (B.O.) e o que de fato pode ter ocorrido. “O B.O. diz que o Andrei fugiu do local e houve perseguição. Agora nós vamos atrás das imagens de câmeras de segurança da redondeza, que devem mostrar se isso aconteceu ou não”, disse ele em entrevista.
Além disso, um dos principais argumentos da defesa dá conta de que a arma apreendida no local não pertencia ao jornalista. “Eles falam que o Andrei entrou em confronto com a polícia, só que ele nunca gostou e nunca teve arma. Esse foi um dos pontos que mais chamou a atenção da família. Se ele de fato portava a arma e disparou contra a PM para ser atingido por 16 tiros, as imagens vão revelar também”, completou.
“Tiros de todos os lados”
De acordo com o advogado, Andrei havia acabado de sair de um jantar com a mãe, no sábado (11) à noite, horas antes de ser morto. “Ele estava com ela ali na Avenida Água Verde e, perto das 23h, saiu em direção à Brigadeiro Franco, onde a deixou em casa. Em seguida, seguiu para a sua residência, na esquina da Vicente Machado com a Visconde do Rio Branco. Foi depois de tudo isso que a situação ocorreu, quando ele voltou para a rua”, explicou.
Cristo defende que o jornalista foi executado sem ter nenhuma reação à abordagem. “A polícia diz que deu um tiro no pneu para parar o veículo em que o Andrei estava. Se eles pararam o carro, não tinham por que executar o condutor. Fora que os vidros estavam fechados e tinham insulfilm, então não era possível visualizar uma arma ali”.
O advogado afirmou que os tiros deixados no automóvel sugerem que os policiais atiraram de todos os lados do carro. “Eles vieram pela lateral direita e pela frente. Um disparo atingiu as costas do rapaz, que provavelmente foi o tiro que o matou, o que leva a crer que havia PMs também atrás do veículo. Eles atiraram de todos os lados”, finalizou.
O automóvel foi apreendido e recolhido ao pátio do 3º Distrito Policial de Curitiba. O caso é investigado pela Corregedoria da PM. Já a Polícia Civil informou que, se for verificado que a competência não é exclusiva da Justiça Militar, irá instaurar inquérito para apurar a ocorrência.
O que diz a PM
Leia abaixo a nota da PM na íntegra sobre o que aconteceu na Praça da Espanha:
Conforme registro em Boletim de Ocorrência, em patrulhamento pela Avenida Vicente Machado uma equipe policial viu um homem manuseando arma de fogo dentro de um veículo corsa branco e tentou abordá-lo, mas o motorista não acatou a ordem de abordagem, e arrancou com o veículo de maneira brusca. A equipe policial iniciou, então, um acompanhamento tático. Na fuga o carro colidiu com um veículo Voyage e continuou fugindo.
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