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Pais perdoam homem que matou filho e falam sobre possível injustiça

Família mora no bairro Lamenha Grande e a mãe garantiu que vários detalhes sobre o crime não foram esclarecidos.

Os pais de Lincoln Martins, 20 anos, suspeito de assassinar a facadas outro jovem de 22 anos, perdoaram a atitude de Florisval Silva, que vingou o crime do filho. O casal Silvana Martins e Diniz de Lima acredita que o sentimento de vingança não deve permear as atitudes nesse momento e questiona sobre uma possível injustiça cometida contra o filho: “Ele não fez sozinho”, disse a mãe. Depois de ver que o filho João Pedro Bento da Silva, 22, tinha sido morto em uma festa, ao lado de casa, o pai Florisval comprou uma arma e atirou contra Lincoln, principal suspeito. O crime aconteceu em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba.

A família mora no bairro Lamenha Grande e a mãe garantiu que, até agora, vários detalhes sobre o crime não foram esclarecidos. “A gente não sabe direito o que aconteceu, estão jogando nas costas do meu filho, só que na verdade a gente não sabe direito porque tinham mais pessoas. Várias coisas dele sumiram, aliança, celular, corrente,tênis, brinco, tudo. Simplesmente, ninguém fala nada, não sabe de nada. A gente quer saber a verdade. Ele pode ter, sim, se envolvido nessa briga, mas sozinho não”, falou a camareira Silvana.

Segundo a mãe, além de mais três rapazes, havia outras duas garotas – que também teriam participado do crime contra João Pedro. “O próprio pai dele disse que quando chegou na casa viu mais pessoas, estavam todos lá. Como que agora é só meu filho que matou?”, questiona. “Mesmo assim, em momento nenhum pensamento em fazer justiça com as próprias mãos, de maneira nenhuma. Está doendo, mas vamos colocar na Justiça de Deus e na Justiça da terra. A mesma coisa que eu estou sentido, certamente é a mesma dor dele, como pai que perdeu um filho. Toda a família, aqui e lá”, afirma.

Já o pai de Lincoln garante que jamais teria tido a mesma reação de Florisval. “Eu entendo a dor de Florisval, mas a reação que ele teve, eu jamais teria porque tenho alicerces espirituais. Eu não teria nem coragem de ir sozinho a algum lugar onde eu encontraria o assassino do meu filho, é difícil essa situação. Agora o filho está morto, o Lincoln morto e ele na cadeia”, disse Diniz à Banda B, na manhã de hoje (8).

Para a família de Lincoln, é preciso investigação e respostas para o crime, “Eu sinto pelo filho dele, mas também sinto pelo meu. É muito triste, são duas famílias destruídas. Por que não chamaram a polícia quando ele fez isso com o rapaz? A versão do próprio pai é que todo mundo caiu em cima do menino para matar, cadê essas pessoas? Só quero saber a verdade”, completou.

Segundo Silvana, o filho serviu ao Exército Brasileiro, no 5º Batalhão Logístico, durante um ano. “Ele tinha saído do quartel há cerca de seis meses, estava mandando currículo e procurando serviço. Ele sempre foi tranquilo, um bom filho, não era de briga. Ele ficou um ano no Exército e saiu de lá com uma boa conduta, tenho papéis que comprovam isso”, garantiu.

Para finalizar, a mãe também diz que perdoa Florisval. “Eu perdoo ele, que isso não aconteça com mais ninguém porque a dor de perder um filho não tem explicação. Que Deus venha dar graça e força a ele, como tem dado a mim e para minha família”, finaliza.

Crime

Justiça com as próprias mãos. Foi o que o trabalhador Florisval Silva fez ao matar com um tiro na cabeça o assassino do filho de 22 anos, João Pedro Bento da Silva. Florisval foi preso na manhã de segunda-feira (6) e confessou o crime cometido no dia 1º de maio: “Primeiro ele riu na minha cara quando perguntei por que tinha matado meu filho. Daí, troquei meu carro por uma arma, dei mais um dinheiro, voltei e dei um tiro na cabeça dele. Sei que não podia fazer isso, mas estou com a alma lavada”, disse o pai, já na prisão.

Segundo a polícia, João Pedro foi morto a facadas por Lincoln Martins na madrugada do dia 1º de maio, após uma desavença em uma casa a poucos metros da casa do paí da vítima. O pai foi até o local do crime e confrontou Lincoln, que teria rido na cara dele. Transtornado, Florisval foi até Curitiba e trocou o carro por uma pistola 9 mm.

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