“Eu desci do carro com a barra de ferro na mão e já dei uma na cabeça dela”, diz ex-marido

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Alisson Ferraz Barbosa, de 29 anos, que foi preso em flagrante na noite de domingo (5) e autuado pela Polícia Civil pelo crime de feminicídio que vitimou a jovem Elza Ribeiro Micharski, 22, em São Mateus do Sul, contou em depoimento ao delegado como espancou e atropelou a ex-mulher até a morte. O depoimento foi prestado logo após o crime.

No vídeo da oitiva, gravado às 22h42 de domingo, ele disse que “ainda não sabia se ela [Elza] estava morta”, mas, por outro lado, relatou com riqueza de detalhes quantos golpes desferiu contra a cabeça da vítima e também que “passou sobre ela com o carro, engatou a ré e passou de novo sobre o corpo”.

Ele começou o depoimento dizendo o nome completo, idade, disse que é lavador de carros, morou em São Mateus do Sul a vida toda, que não tem filhos e que foi casado com a vítima por quase sete anos. O homem também relatou ao delegado que o casal havia se separado em setembro de 2018, mas, segundo ele, separava e voltava, e que “a separação mesmo teria ocorrido em fevereiro deste ano”.

Respondendo aos questionamentos do delegado, Alisson disse que sabia que Elza havia registrado pelo menos três boletins de ocorrência contra ele e que ela tinha medida protetiva contra ele. “Duzentos metros eu não podia chegar perto dela”, disse.

No decorrer da oitiva, ele relatou que após a separação ficou na casa em que o casal morava e que a vítima foi morar com a mãe dela. “Mas, a gente ia e voltava”, insistiu.

A partir daí o delegado o questionou sobre o que aconteceu entre eles por volta de 19 horas de domingo. Alisson admitiu que tomou cerveja, mas afirmou que não estava embriagado quando tudo aconteceu. “Eu tentei reatar, mas ela passava com outro cara na minha frente e eu não aguentei”, afirmou. “Ela tava no esqueminha (SIC)”, acrescentou.

O delegado voltou a perguntar como tudo aconteceu, e ele então, sem nenhuma alteração contou:

“Eu tenho um Celta de cor preta, eu passei pela Praça do Olho e vi ela com um cara do lado. Eu passei de carro, fiz o balão na praça e estacionei o carro, fiquei parado, olhando”, relatou. “Aí, esse cara chegou mais perto dela… eu acelerei o carro, parei no meio da rua, o rapaz que estava com ela correu e eu desci com a barra de ferro na mão e eu já dei uma na cabeça dela e ela caiu… dei mais umas duas ou três (com a barra de ferro na cabeça dela) … montei no carro e passei por cima, não sei se passei na cabeça dela… dei ré e passei por cima de novo e fui embora… não sei se está viva, se tá morta”, contou.

Mesmo afirmando não saber se Elza estava viva ou morta, o homem contou que depois disso, foi “pro meio do mato”. “Fui lá pro Faxinal (Faxinal dos Ilhéus, no interior de São Mateus do Sul)”.

O delegado perguntou então, se no fim do depoimento, Alisson estava sob efeito de álcool e ele disse que não. “Não, não estou bêbado, nem estava bêbado antes, estava com um sentimento ruim…”.

O delegado perguntou se ele toma algum medicamento controlado ou se faz tratamento psiquiátrico. “Não, era pra tomar, mas eu não quis… eles iam marcar, mas não marcaram… eu não tenho condição de pagar um tratamento, é caro”

O delegado então perguntou se o suspeito está arrependido do que fez, se está abalado e a resposta é: “Agora no momento a gente fica meio perdido”.

Colaboração Polícia Civil/Stiven Souza/Rede Massa

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