Curitiba deve ganhar regulamentação e proibir patinetes nas calçadas

81

Nova moda em Curitiba, os patinetes elétricos, que fazem sucesso na cidade desde a chegada de serviços de compartilhamento como a Yellow e a Grin, estão na mira da Prefeitura. Nas próximas semanas ou até mesmo dias, o Executivo municipal deve regulamentar o uso do modal, proibindo a circulação de patinetes em calçadas e também criando áreas específicas para estacionamento.

Durante o dia de ontem, inclusive, representantes do Ippuc, da Urbs, da Agência Curitiba e da Superintendência de Trânsito (Setran) estiveram reunidos na sede do Instituto, no Juvevê, e já trataram de detalhes da regulamentação, inclusive assinando alguns documentos. De acordo com Rosangela Battistella, superintendente de trânsito, a expectativa é que até a próxima semana a proposta de regulamentação já esteja nas mãos do prefeito Rafael Greca, pronto para ser assinado e decretado.

“Curitiba não foi diferente das outras cidades. Primeiro eles entram sem pedir licença e depois é que as cidades estão tentando regulamentar, até porque temos de observar qual o uso das pessoas, a aceitação do público. Estamos conversando para poder verificar e fazer uma regulamentação e a expectativa é que até a próxima semana tenhamos algo em mãos para mostrar ao prefeito”, conta Battistella.

Segundo ela, as discussões sobre a regulamentação estão bem adiantadas e o Executivo enxerga que o novo modal caiu no gosto da população, principalmente para se percorrer pequenas distâncias. Alguns acidentes já teriam sido registrados, mas nada com gravidade. Por outro lado, ela explica que fica complicado ter o patinete na calçada, disputando espaço com o pedestre e muitas vezes bloqueando o caminho.

“A tendência é essa (proibir a circulação em calçadas). As capitais todas estão fazendo isso, até pela lei da mobilidade. O pedestre sempre tem que ter prioridade e se mantém um modal desse na calçada, pode prejudicar muito pedestre. Não batemos o martelo ainda, vai depender de conversar com o próprio gabinete (do prefeito).”

Outra medida adiantada por ela é com relação ao estacionamento: a ideia é criar locais específicos para que tanto os patinetes quanto as bicicletas sejam estacionadas até o uso por alguma outra pessoa. “A ideia é que tenha locais para estacionamento, para não deixar em cima da calçada. Na área central pensamos em reservas vagas do Estar, algo assim, enquanto nos bairros (o cliente) pode pegar numa farmácia, deixar numa próxima, até porque temos muitas farmácias espalhadas pela cidade”, explica a superintendente de trânsito.

Empresas estão ‘satisfeitas’ e vão ampliar atuação
Procuradas, as empresas Yellow e Grin, que oferecem as patinetes elétricas por meio de serviço de compartilhamento, apontaram que estão participando das discussões sobre a regulamentação do modal, inclusive apresentando insumos sobre a atividade para a Prefeitura. No caso de acidentes, inclusive, explicaram que o usuário pode contatar a empresa pela área de consumidores, além de explicar que tanto a Grin quanto a Yellow possuem seguro que cobre casos de acidentes.

Sobre a proibição de circulação das patinetes em calçadas, as empresas disseram entender que esses espaços “não são apropriados por não terem condições suficientes para a circulação segura dos patinetes. Também entendemos que esse é um debate que deve ser realizado pela sociedade civil organizada, poder público e empresas do segmento”.

Por fim, questionadas sobre o número de usuários e o crescimento do serviço em Curitiba, as empresas disseram não abrir os dados por questões estratégicas. Entretanto, destacaram estar “satisfeitas” com a operação na cidade e que “a intenção é aumentar a área de atuação em breve.”

Superintendência de Trânsito recomenda ‘cautela’ aos usuários na Capital
Enquanto não há uma regulamentação vigente, a recomendação da Setran aos usuários de patinetes elétricos é de ‘cautela’. “Andar devagar, principalmente sob calçada, dando preferência aos pedestres, e tomar cuidado nas vias, principalmente em cruzamentos, observando sempre os cruzamentos com faixas exclusivas e não andando nas canaletas. Temos visto mauitos patinetes por ali e é perigoso”, alerta Rosangela Battistella.

Acidentes, por enquanto, foram poucos. De acordo com o Batalhão de Política de Trânsito (BPTran), desde o início do ano foi atendida apenas uma ocorrência envolvendo esse modal, com uma pessoa ferida (ferimentos leves). Por outro lado, as reclamações são mais comuns na Central 156, aponta a superintendente de trânsito.

“Recebemos muita reclamação no 156, principalmente com relação ao local em que eles largam, atrapalhando os pedestres. Já tivemos reclamação de velocidade, que dirigem em velocidade alta. Das bicicletas não temos muita reclamação, a maioria é por largar no passeio. Agora os patinetes temos tido mais reclamação por causa da velocidade, falta de cuidado”, conta Battistella.

Além disso, outra recomendação é para o uso de equipamentos de segurança, muito pouco usado pelos usuários de patinetes elétricos. O principal seria o uso de capacete, para prevenir traumas na cabeça numa eventual queda.

Bem Paraná

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.