PM nega que protegeu advogado em briga com família ganhadora da Mega-Sena

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Major da PM afirmou também que, no momento da confusão, não houve registro de queixa de injúria racial

major Alci José Kerber, do 23º Batalhão da Polícia Militar (PM), negou que a corporação tenha protegido o advogado e ex-PM que se envolveu, na última quinta-feira (18), em uma briga com a família ganhadora da Mega-Sena do ano de 2010. Ele disse também que Solene Tomaz Rosa, mãe dos jovens presos na confusão, não prestou queixa da injúria racial que afirma ter sofrido por parte do rapaz.

“A PM atende todas as pessoas igualmente. No momento da ocorrência, não houve nenhum relato de injúria racial. Esse tipo de crime depende da representação da parte ofendida. A partir de agora, com o registro de Boletim de Ocorrência, o caso deve ser apurado pela Polícia Civil”, disse o major em entrevista à Banda B.

De acordo com ele, o caso aconteceu na Cidade Industrial de Curitiba por volta da meia-noite, quando os policiais foram acionados para uma situação de perturbação de sossego. “O síndico denunciou o barulho alto que vinha de uma festa no salão do condomínio. A equipe foi até o local e conversou com a família que organizou o evento. Eles reduziram o som e estava tudo sob controle até que decidiram ligar para o apartamento de um dos vizinhos, o acusando de ter chamado a polícia”, completou.

Segundo o major, o morador, que é advogado e ex-PM, se irritou e foi até o salão de festas para tirar satisfações. “Ele relatou que estava sendo perturbado pelo interfone. Eles começaram então a trocar insultos, o que gerou violência, e inúmeras pessoas passaram a agredir esse homem. Por isso, foi necessário o apoio de outras viaturas para dar sequência ao atendimento”.

Na ocasião, o advogado reconheceu dois rapazes, filhos de Solene, como seus agressores. A dupla foi encaminhada ao 11º Distrito Policial, enquanto a vítima foi socorrida ao Hospital do Trabalhador. “Naquele momento houve apenas essa identificação relacionada às agressões, que a PM registrou. As denúncias posteriores feitas pela família poderão ser investigadas pela Polícia Civil”, finalizou o major.

Versão da família

Do outro lado da história, os ganhadores da Mega-Sena alegam que sofreram preconceito racial e presenciaram protecionismo por parte da Polícia Militar. Segundo eles, o advogado não admite morar próximo a uma família negra, que não trabalha.

“Macacos, encardidos, negrinhos sujos, favelados. Todos esses xingamentos foram ditos na frente de todos esses policiais e nada foi feito contra ele. Meus filhos não têm razão por terem agredido esse cidadão preconceituoso, mas toda essa injúria racial que sofremos não foi dita em lugar algum”, comentou Solene, que disse ter desmaiado após ser agredida pelo advogado.

Antes do prêmio

Antes de embolsar a quantia milionária de R$ 47 milhões, a rotina da família era praticamente igual a de muitos trabalhadores. Solene era confeiteira e o marido exercia a profissão de padeiro, por anos a fio. “Conheci meu marido no ônibus porque saíamos no mesmo horário, às 4h da manhã. Trabalhei vinte anos como confeiteira e até hoje nós dois temos um ótimo relacionamento com nossos ex-patrões. Trabalhamos a vida toda”, concluiu.

BandaB

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