O número de mortes em rodovias federais no Rio de Janeiro pode subir se o presidente da República Jair Bolsonaro retirar — conforme promessa eleitoral — os radares que controlam velocidade.
A avaliação é de especialistas ouvidos pelo jornal O Globo. Em 2008, 492 pessoas morreram em acidentes nas estradas que cortam o estado. No ano passado, foram 276, 44% a menos, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O presidente afirmou que “as lombadas eletrônicas não serão renovadas quando perderem a sua validade” e que “é quase impossível você viajar sem receber uma multa”.
Especialistas afirmam que alguns radares precisam ser reavaliados e que, ao tirar esses equipamentos, outras formas de proteger quem passa pela estrada devem ser adotadas. “Do contrário as mortes vão aumentar”, disse Alexandre Rojas, do Departamento de Trânsito da Uerj.
O Rio de Janeiro tem, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, 113 pontos de fiscalização eletrônica em rodovias controladas por concessionárias. Há mais 21 radares em estradas federais não privatizadas.
O número de multas aplicadas por esses radares subiu de 416 mil, em 2017, para 626 mil, no ano passado. A arrecadação com o pagamento de multas cresceu de R$ 60 milhões para R$ 86 milhões.
Ao criticar nas redes sociais a instalação de novos radares nas rodovias do país, Bolsonaro sugeriu que as empresas que exploram os pedágios nas estradas têm interesse na manutenção desses equipamentos.
No twitter, Bolsonaro, que está em Israel, postou que suspendeu a instalação de oito mil novos radares nas rodovias federais. Segundo ele, ao renovar as concessões, o governo vai revisar “todos os contratos de radares, verificando a real necessidade de sua existência para que não sobrem dúvidas do enriquecimento de poucos em detrimento da paz do motorista”.
“Por que queremos acabar com isso? É a indústria da multa, é para meter a mão no seu bolso, nada além disso”, falou o presidente.
