segunda-feira, maio 25, 2026

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Moçambique confirma primeiros casos de cólera após passagem de ciclone Idai

Cinco casos foram registrados no país, mas autoridades temem por pandemia. Ciclone afetou cerca de 3 milhões de pessoas em três países —1,5 milhão delas crianças — e deixou pelo menos 686 mortos. Unicef lançou apelo por ajuda humanitária nesta quarta (27).

Autoridades moçambicanas confirmaram, nesta quarta-feira (27), o registro de cinco casos de cólera após a passagem do ciclone Idai, no dia 14, que afetou cerca de 1,85 milhão de pessoas e deixou mais de 460 mortos no país. Além da doença, os moradores da região ainda enfrentam escassez de alimentos, água e outros itens essenciais.

O último balanço estima que 686 pessoas morreram em Zimbábue, Malauí e Moçambique, principais países atingidos pela tempestade tropical. Neste último, milhares de lares foram destruídos e pessoas foram deslocadas por uma área de 3 mil quilômetros quadrados — cerca de duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

“Haverá mais [casos], porque cólera é uma pandemia. Quando há um caso, podemos temer outros. Estamos pondo em marcha medidas preventivas para limitar o impacto”, disse o diretor nacional de Saúde, Ussein Isse, em entrevista coletiva em Beira, cidade que ficou 90% destruída pela passagem do ciclone.

O cólera se espalha pela contaminação de água ou comida por fezes. Surtos podem se desenvolver rapidamente durante crises humanitárias em que os sistemas de saneamento entram em colapso. A doença pode matar dentro de horas, caso não haja tratamento.

O Idai chegou a Moçambique no dia 14 de março com ventos de mais de 170 km/h, e foi seguido de fortes chuvas. Sua passagem danificou casas, provocou inundações e deixou destruída a cidade portuária de Beira, segunda maior do país. A situação ali está “em ebulição”, disse o chefe de uma operação de resgate da África do Sul no fim da semana passada.

Ajuda humanitária

A Unicef (sigla em inglês para Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas) lançou, também nesta quarta (27), um apelo para conseguir US$ 122 milhões (cerca de R$ 488 milhões) em ajuda humanitária destinada a Moçambique, Zimbábue e Malauí. Segundo a Unicef, são 3 milhões de pessoas afetadas nos três países — e cerca de metade são crianças.

Equipe médica carrega o corpo de uma criança de um ano que morreu em um centro de saúde que trata doenças trazidas pela água em Beira, Moçambique. — Foto: Reuters/Mike Hutchings

Equipe médica carrega o corpo de uma criança de um ano que morreu em um centro de saúde que trata doenças trazidas pela água em Beira, Moçambique. — Foto: Reuters/Mike Hutchings

De acordo com a organização, o ciclone é o pior desastre a atingir o sul da África em pelo menos duas décadas. A intenção é que a ajuda humanitária se estenda pelos próximos nove meses.

“A escala massiva da devastação causada pelo ciclone Idai está ficando mais clara a cada dia”, disse a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore, em visita à cidade de Beira na semana passada. “As vidas de milhões de crianças estão em risco, e nós precisamos urgentemente montar uma resposta humanitária nos três países.”

A situação nos lugares atingidos pelo ciclone deve ficar pior antes de melhorar, segundo a Unicef, à medida que mais áreas afetadas fiquem acessíveis por terra. A organização também registrou preocupação com a segurança de mulheres e crianças que estão em abrigos temporários e correndo risco de sofrer violência e abuso.

De acordo com a Unicef, mais de 869 mil pessoas foram afetadas no Malauí, incluindo 443 mil crianças e mais de 85 mil pessoas desabrigadas. No Zimbábue, foram mais de 270 mil pessoas afetadas — metade delas, crianças.

Pessoas preparam comida em região afetada por ciclone em Moçambique — Foto: Emma Rumney/Reuters

Pessoas preparam comida em região afetada por ciclone em Moçambique — Foto: Emma Rumney/Reuters

Crianças esperam para receber comida de um supermercado local em um centro de evacuação em Dondo, a cerca de 35km de Beira, nesta quarta (27). — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Crianças esperam para receber comida de um supermercado local em um centro de evacuação em Dondo, a cerca de 35km de Beira, nesta quarta (27). — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Nelson Vasco, morador de Beira, com a filha do lado de fora de casa. — Foto: Reuters/Mike Hutchings TPX Images of the Day

Nelson Vasco, morador de Beira, com a filha do lado de fora de casa. — Foto: Reuters/Mike Hutchings TPX Images of the Day

Mães esperam com os filhos para receber comida em frente a um centro distribuição em Dondo, a cerca de 35km de Beira, em Moçambique, nesta quarta (27). — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Mães esperam com os filhos para receber comida em frente a um centro distribuição em Dondo, a cerca de 35km de Beira, em Moçambique, nesta quarta (27). — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Criança ao lado de poças de água parada em Beira, Moçambique, nesta quarta-feira (27) — Foto: Mike Hutchings/Reuters

Criança ao lado de poças de água parada em Beira, Moçambique, nesta quarta-feira (27) — Foto: Mike Hutchings/Reuters

Menino recebe comida de um centro de distribuição de um supermercado em Dondo, a cerca de 35km de Beira, em Moçambique, nesta quarta (27). — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Menino recebe comida de um centro de distribuição de um supermercado em Dondo, a cerca de 35km de Beira, em Moçambique, nesta quarta (27). — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Pessoas esperam em fila por comida em um campo para desabrigados depois do ciclone Idai, na Beira, em Moçambique, nesta terça (26). — Foto: Reuters/Mike Hutchings

Pessoas esperam em fila por comida em um campo para desabrigados depois do ciclone Idai, na Beira, em Moçambique, nesta terça (26). — Foto: Reuters/Mike Hutchings

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