“Apesar de conhecê-lo há questão de um ano e pouco, apenas, foi basicamente um amor à primeira vista. Na questão econômica, obviamente. Não sou homofóbico, não”. Foi assim que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, falou de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, diante de uma plateia repleta de investidores e empresários americanos, na segunda-feira, em Washington.
Na véspera do esperado aperto de mãos com o presidente Donald Trump na Casa Branca, Jair Bolsonaro usou parte de sua primeira fala pública em visita oficial aos Estados Unidos para demonstrar sua confiança em Guedes perante a nata do mercado reunida na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, um prédio neoclássico construído em 1922, a poucos passos da Casa Branca.
Guedes ocupara o púlpito antes do presidente e falou pelo triplo do tempo – quase 35 minutos. Entre elogios rasgados a Bolsonaro, despertou risos e aplausos quando disse que o presidente tem “balls” – ou colhões – para encaminhar a reforma de Previdência antes de completar 100 dias de governo.
O presidente se manteve sério enquanto a plateia ria da piada. 10 segundos depois, no entanto, disparou uma gargalhada – foi o tempo da piada chegar aos seus fones de ouvido por meio de tradução simultânea.
Em discurso afinado, os dois criticaram o ex-presidente Lula diante da plateia estrangeira.
Sem citá-lo nominalmente, Guedes fez piada sugerindo que o governo repassou recursos para a construção da Arena Corinthians (Itaquerão) porque o presidente Lula é corintiano.
Repetido em Washington, o comentário do ministro da Economia sobre o time e o ex-presidente havia sido feito originalmente na última sexta-feira, em palestra na FGV.
Dias depois, o Corinthians respondeu em nota à imprensa: “A ironia, proferida na ocasião, ofende mais de 33 milhões de brasileiros corintianos, entre eles, eleitores do atual governo, e todos indistintamente testemunhas do esforço do clube para honrar seus compromissos”.

Bolsonaro, por sua vez, não usou metáforas futebolísticas e criticou, nominalmente, “o péssimo exemplo dos governos do PT, materializadas nas pessoas de Lula e Dilma Rousseff. Governos que antes de tudo era antiamericanos”.
‘Temos um presidente que adora a América’
O amor pelos Estados Unidos foi outro ponto comum no discurso dos dois.
Mais enfático, Bolsonaro disse que “os senhores tem um presidente (Trump) que é amigo dos Estados Unidos, que admira esse país maravilhoso”.
“Temos no mundo todo alguns bons parceiros, mas acredito que de forma especial, estou aqui estendendo as minhas mãos e tenho certeza que Trump fará o mesmo amanhã”, continuou.
Ex-aluno da Escola de Chicago, Paulo Guedes declarou seu amor por símbolos do capitalismo americano para ilustrar sua proximidade com o país onde se especializou e que influenciou o plano econômico de austeridade e estado mínimo que defende no governo.
“Temos um presidente (Bolsonaro) que adora a América. Eu também. Adoro Coca-Cola e Disneylândia. É uma grande oportunidade para investir no Brasil. Eu os convido para essa nova parceria”, afirmou.

Mas Guedes deixou claro que esse amor não impedirá o Brasil de cultivar outras parcerias comerciais.
“Os chineses querem dançar conosco e querem investir lá. Disse ao presidente: amamos os EUA, mas vamos fazer comércio com quem for mais lucrativo”, disse.
Depois de lembrar que o Brasil, diferente da China, compra mais do que vende para os EUA, o homem forte da economia brasileira disse que a chave para o incremento de importações de produtos americanos está no toma lá dá cá.
“Se os EUA querem vender carne de porco, então comprem nossa carne de boi. Querem vender etanol? Então comprem o nosso açúcar”, disse, também sugerindo a compra de trigo em troca da venda de bens industrializados.
Em dez minutos de fala, Bolsonaro citou Guedes quatro vezes – o ministro só perdeu para Donald Trump, citado cinco vezes.
“Pensamos no bem-estar do nosso povo, queremos um Brasil grande, assim como o Trump e vocês, com toda certeza, querem uma América grande”, disse Bolsonaro à plateia VIP na capital americana.
