quarta-feira, julho 1, 2026

InícioParanaguáFamília Acolhedora: o amor que transforma vidas e oferece um novo começo...

Família Acolhedora: o amor que transforma vidas e oferece um novo começo para crianças

O Programa Família Acolhedora é desenvolvido pela Prefeitura de Paranaguá como uma modalidade de acolhimento familiar destinada a crianças e adolescentes que, por determinação judicial, precisaram ser afastados temporariamente de suas famílias por situações de violência ou violação de direitos.

Há decisões que mudam uma vida. Outras mudam várias vidas.

Quando a costureira Míriam Lourenço Teodoro Brites ouviu falar pela primeira vez do Programa Família Acolhedora, imaginava receber uma criança. A surpresa veio logo na primeira ligação.

“Míriam, você tem interesse? Só que são dois, são gêmeos.” Ela não hesitou.

“Meu! Que maravilha!”, relembra, sorrindo.

Se o desafio dobrou, o carinho também.

“O amor foi em dobro.”

A chegada das crianças transformou completamente a rotina da casa. O acolhimento foi recebido com entusiasmo por toda a família.

“Quando meu filho chegou do trabalho e viu eles, ficou muito feliz.”

Os gêmeos permaneceram com Míriam durante um ano e sete meses. Tempo suficiente para criar laços profundos.

Quando chegou o momento da despedida, as lágrimas foram inevitáveis.

“Foi um chororô. Muito difícil.”

Mesmo assim, ela nunca pensou em desistir.

“No começo a gente sofre, mas depois entende que pode ajudar outras crianças. Foi um período difícil, mas fica a certeza de que contribuímos para mudar uma história.”

Hoje, Míriam faz questão de incentivar outras pessoas a conhecerem o programa.

“Eu recomendo. É uma troca de amor. A gente cuida, ensina, mas também aprende muito com as crianças”, destacou.

Foi justamente essa possibilidade de transformar vidas que também motivou Adriana Varela, conferente de contêineres, a se tornar uma Família Acolhedora.

Ela conta que descobriu o programa por meio de uma amiga da igreja. Curiosa, procurou informações e decidiu iniciar o processo de habilitação.

No começo, o maior desafio parecia ser o apego.

“Muita gente diz que não participa porque vai se apegar. Mas esse é justamente o propósito”, contou.

Para Adriana, cada criança acolhida chega trazendo marcas de uma história difícil.

“Elas chegam cheias de desafios. O nosso papel é reconstruir essa criança para que ela possa seguir a vida.”

Antes de tomar a decisão definitiva, conversou com o marido.

“Perguntei se não era justamente esse o nosso propósito. Ele respondeu: ‘Estou com você’.”

Foi o incentivo que faltava.

Desde então, Adriana já acolheu duas crianças. E descobriu que o amor nasce naturalmente.

“Você não sabe como a criança vai chegar. É igual a um filho biológico. Você simplesmente ama.”

Quando a adoção temporária acontece, o sentimento é intenso.

“É a pior parte, porque dói muito, é quando temos que dizer adeus. A gente chora. Mas também sabe que cumpriu a missão e que aquela criança encontrou um lar definitivo.”

Ela compara esse momento à saída de um filho de casa.

“O coração fica dilacerado. Mas, ao mesmo tempo, existe a felicidade de saber que deu certo.”

Durante o período de acolhimento, as crianças passam a fazer parte da rotina da família.

“O primeiro me chamava de vó. O segundo me chamava de mãe. Meu esposo era pai, meu filho era irmão. Eles se integram naturalmente.”

Segundo Adriana, esse processo acontece porque existe acompanhamento permanente da equipe técnica.

“No primeiro acolhimento eu não sabia o que fazer. A assistente social e a psicóloga estiveram presentes o tempo todo. Isso fez toda a diferença”, explica Adriana.

Ao falar sobre o programa, ela deixa um convite para quem ainda tem dúvidas.

“As pessoas têm medo de amar. Eu também tinha. Mas quando você percebe que pode mudar a vida de uma criança, passa a enxergar tudo de outra forma”, conta.

Ela usa uma comparação que resume o significado do acolhimento.

“É como ver uma criança à deriva e ter uma prancha de salvamento nas mãos. Você deixa passar ou estende a mão? Eu acredito que nós somos essa tábua de resgate”.

Segundo a coordenadora do programa, Valéria Gomes, as famílias interessadas passam por todas as etapas de preparação antes de receber uma criança.

“Elas apresentam a documentação, participam de entrevistas com a assistente social e a psicóloga, recebem visita domiciliar e fazem uma capacitação sobre o acolhimento e os direitos da criança”, enfatiza.

O acompanhamento continua durante todo o período em que a criança permanece na residência.

“Nós caminhamos junto com essas famílias. Elas nunca estão sozinhas. A equipe técnica acompanha todo o processo”, afirma.

Quem deseja conhecer o programa pode procurar a equipe do Família Acolhedora na Rua João Eugênio, nº 306, no bairro Costeira, ou entrar em contato pelo WhatsApp (41) 92005-0609 para receber as primeiras orientações.

Ao fortalecer iniciativas como o Família Acolhedora, a Prefeitura de Paranaguá amplia a rede de proteção à infância e oferece a crianças e adolescentes a oportunidade de crescerem em um ambiente familiar, cercados de cuidado, afeto e segurança enquanto aguardam a definição de seu futuro.

Mais do que um serviço público, o programa representa um compromisso permanente com a dignidade, a proteção e o desenvolvimento de quem mais precisa.

ARTIGOS RELACIONADOS

MAIS POPULARES